Um mecanismo de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que permite que a intervenção do ministro do Trabalho em fiscalizações tenha gerado desgaste entre o atual ocupante da massa, Luiz Marinho, e os servidores que atuam no combate a visível como o trabalho análogo à escravidão.
Como pano de fundo há uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), desde setembro de 2025, que questiona a constitucionalidade do trecho que abre brecha para a chamada avocação, ato em que o ministro toma para si o poder, podendo reverter autos de infração.
De acordo com a ação, o ministro usou uma brecha para reverter 15 autuações por trabalho análogo à escravidão contra a JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista. Os procedimentos já foram com tramitação encerrada, após a empresa recorrer às instâncias administrativas cabíveis.
“A gravidade da intervenção ministerial gerou uma crise institucional sem precedente na política de combate ao trabalho escravo”, alegações a petição inicial, que atribuída às invocações “clara e nítida intenção de interferência política” que “desmoraliza e fragiliza a atuação da Auditoria, tornando insustentável a manutenção nos postos de coordenação”.
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Ministro anulou autuação a empresa ligada ao ex-prefeito petista

Outra mudança nesse sentido ocorreu em novembro de 2025, quando o ministro socorreu a Associação Comunitária de Produção e Comercialização do Sisal (Apaeb), que possui entre seus idealizadores o ex-prefeito de Valente (BA) e o presidente do PT no mesmo município, Ismael Ferreira.
A interferência mais recente, porém, foi em um auto de infração da LCM Construção, que teria lançado mão de práticas semelhantes à escravidão em obras no estado de Goiás. De acordo com o jornal O Globoa chamada “campeã do asfalto” já acumula R$ 8,3 bilhões em contratos com o governo e é investigada pela Polícia Federal (PF) por superfaturamento e formação de cartel. Ao mesmo veículo, ela nega quaisquer irregularidades e disse estar contribuindo com as investigações.
Em contato com a reportagem, a associação acusou os fiscais de ignorarem a argumentação de que não há nenhum contato direto entre ela e os trabalhadores. O relatório, porém, demonstra que o ponto foi considerado, mas rebatido. Apesar de não existirem uma relação formal, os fiscais identificaram relações de subordinação que, na prática, implicariam uma relação de trabalho comum.
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Relação fiscal anulação de subsídios do FGTS e dificuldade de acesso a Lula
UM Gazeta do Povo conversou com um fiscal trabalhista a par do caso. Ele informou que a interferência vai além das questões relacionadas à infração trabalhista. O ministro também teria atuado para notas anulares de subsídio do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de empresas do setor de transportes no ABC paulista, outro local histórico na trajetória política de Lula. A justificativa seria de que as anulações seriam benéficas aos trabalhadores.
O servidor classifica Marinho como “indemissível”, mas relata que o sindicato que o representa tenta fazer o problema chegar ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, designado por Lula para lidar com temas relacionados ao trabalho, uma vez que Marinho seria visto por ele como desconectado de pautas mais atuais, como a “pejotização”, a escala 6×1 e a chamada “uberização”.
Fontes ouvidas sob reserva disseram que a JBS não irá comentar o caso. A reportagem também entrou em contato com a LCM Construção, com Ismael Ferreira e com o Ministério do Trabalho. O espaço segue aberto para manifestação.












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