Fontes ligadas às investigações no caso Banco Master dizendo à Gazeta do Povo que a Polícia Federal teria identificado que o banqueiro Daniel Vorcaro poderia ter antecipado um cenário adverso para a instituição bancária e, diante da possibilidade de uma intervenção regulatória, teria articulado anteriormente uma intervenção digital em redes sociais para defender o Master e também atacar órgãos de controle, especialmente o Banco Central e agentes públicos ligados à autoridade.
As conclusões constariam em uma análise preliminar de dispositivos eletrônicos e documentos apreendidos, em 17 de novembro, durante a Operação Compliance Zero, que mirou Vorcaro e endereços ligados ao Master. A operação ocorreu um dia antes de o BC decretar a liquidação do banco. Na ocasião, Vorcaro acabou preso no momento em que deixou o país. A diz defesa que o banqueiro estava seguindo para uma viagem de negócios e nega tentativa de fuga. A Justiça Federal determinou a soltura em 28 de dezembro e ele passou para o regime de prisão domiciliar no dia seguinte.
VEJA TAMBÉM:
-

Investigação sobre ataques ao BC levanta temor de “novo inquérito do fim do mundo”
-

21 fatos e revelações sobre o Banco Master que apareceram em menos de 15 dias
Aos poucos, os pesquisadores tentam montar o quebra-cabeça envolvendo as supostas irregularidades, mas como boa parte dos documentos está sob sigilo – por determinação do relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli -, e nem o pesquisador contém acesso integral a eles, as lacunas temporais estão sendo gradativamente preenchidas conforme avançam nas análises das apreensões.
Segundo o investigador, mensagens que poderiam ser identificadas no celular de Vorcaro indicavam que, antes da operação e da liquidação do Master, o banqueiro teria repassado orientações diretas a intermediários externos à estrutura formal do Master – empresas que desenvolvem trabalhos com influenciadores – para contribuições, nas redes sociais, conteúdos desenvolvidos ao banco e promoção de ataques virtuais contra agentes públicos e instituições decorrentes dos interesses do grupo.
As conversas conversaram sobre uma atuação coordenada, com foco em descredibilizar críticas e pressionar o BC no ambiente digital em meio às dificuldades enfrentadas pelo Master e diante da iminência de sua liquidação pela autoridade monetária em um cenário que já se desenhava ao longo de 2025.
Como os diálogos anteriores à liquidação, o pesquisador avaliou que eles revelaram uma suposta estratégia de antecipação, já que, naquele período, o Banco Central havia barrado a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e o banco enfrentava crescente escrutínio regulatório.
Procurada pela reportagem, a defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as supostas articulações antecipadas. O espaço segue aberto. Já a PF diz não comentar em investigações em curso.
VEJA TAMBÉM:
-

Damares afirma que CPMI do INSS avançará sobre caso Master após recesso, com depoimento de Vorcaro
-

TCU tenta conter crise institucional com o BC após respostas sobre o caso Master
Supostos ataques, antes mesmo da liquidação do Master
Segundo análise do investigador, antes da intervenção formal do Banco Central no Master, já se observavam “ataques” nas redes sociais contra o BC, atribuídos à demora na análise da operação com o BRB e as decisões consideradas desfavoráveis pelo controlador da instituição.
Fontes ligadas à investigação apontam ainda que o padrão de atuação descrito nas mensagens é semelhante à suposta agressão digital registrada após a liquidação do Master, quando órgãos e entidades envolvidas no processo passaram a ser alvos de críticas coordenadas nas redes. Contratos investidos pela PF previam pagamentos milionários a influenciadores digitais, com cláusulas de confidencialidade e multas elevadas em caso de descumprimento, o que reforçaria a suspeita de uma ação estruturada e profissionalizada.
Sobre esse episódio mais recente, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro negou ao STF qualquer participação na contratação de influenciadores digitais. Em manifestação encaminhada ao ministro Dias Toffoli na semana passada, os advogados sustentam que Vorcaro não teve “nenhum envolvimento ou conhecimento” sobre ações virtuais externas para criticar a atuação da autoridade monetária.
Segundo a defesa, não há provas de que o empresário tenha autorizado ou articulado campanhas digitais contra o Banco Central, especialmente após a decisão que determinou a liquidação da instituição financeira.
A Polícia Federal apura atuar de pelo menos 40 perfis em redes sociais que publicaram conteúdos críticos ao Banco Central. As postagens, atribuídas a influenciadores de diferentes áreas, como entretenimento, celebridades e finanças, apresentaram linguagem semelhante e questionaram a rapidez e os julgamentos na liquidação do banco, alegando possíveis prejuízos a clientes e investidores.
VEJA TAMBÉM:
-

Rollemberg diz ter assinaturas permitidas para CPI do Banco Master
-

MP junto ao TCU questiona indicação de Lula à CVM por decisões desenvolvidas ao Master
Celular de Vorcaro tem sistema sofisticado de senha e proteção
Os advogados do banqueiro afirmaram a Toffoli que Vorcaro está à disposição para colaborar com as investigações, com o objetivo de demonstrar que não contratou nem coordenou influenciadores responsáveis pelos ataques à autoridade monetária. No entanto, durante o depoimento de Vorcaro à PF, no dia 30 de dezembro, o banqueiro teria informado que não liberaria a senha do celular para ter todos os conteúdos privados e não de natureza profissional.
O celular de Daniel Vorcaro, que está sob custódia da Polícia Federal desde 17 de novembro, conta com um sistema de segurança robusto e múltiplas camadas de proteção, o que dificultaria o acesso integral aos dados armazenados no aparelho ou mesmo o acesso à nuvem. Segundo pesquisador, trata-se de um modelo de última geração, equipado com tecnologia avançada de criptografia e recursos adicionais de bloqueio.
Como a senha não foi fornecida, o dispositivo segue sob análise pericial especializada, que quebra as barreiras gradativas de proteção, tendo acesso parcial aos dados.
Diante de todos esses fatos, a Polícia Federal instaurou um novo inquérito exclusivamente para apurar os supostos ataques virtuais coordenados contra autoridades financeiras e o Banco Central.
VEJA TAMBÉM:
-

BC concorda com inspeção e quer “selo de qualidade” do TCU, diz presidente da Corte
-

TCU tenta conter crise institucional com o BC após respostas sobre o caso Master
PF monta quebra-cabeça a partir de dispositivos eletrônicos e documentos
Segundo pesquisador consultado sob reserva pela reportagem, as provas estariam sendo colhidas a partir das quebras gradativas das camadas de proteção e senhas do celular do banqueiro, além da análise dos materiais apreendidos ainda em novembro do ano passado.
A avaliação da própria equipe é de que o conteúdo do celular pode ser mais devastador às autoridades influentes nos três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – do que os documentos apreendidos em endereços ligados ao Banco Master e a Vorcaro, com as evidências da ligação do banqueiro com nomes influentes na cena política e jurídica do país. O banqueiro está desde 29 de novembro em prisão domiciliar, em São Paulo, monitorado por tornozeleira eletrônica e cumpre medidas cautelares.
No dia 30 de dezembro, Vorcaro deu um depoimento à PF e depois passou por uma acareação com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Ele deve dar um novo depoimento à PF ainda neste mês, possivelmente no dia 27, com horário e local a serem definidos. Além do banqueiro, o PF vai ouvir outras pessoas que tiveram ligação com as operações do Master com o BRB.
A investigação seria buscar esclarecimentos mais robustos sobre as provas colhidas, informações obtidas a partir dos dispositivos apreendidos e inconsistências identificadas no depoimento de 30 de dezembro. Além de Vorcaro, a Polícia Federal deverá ouvir, até o início de fevereiro, ex-diretores, ex-sócios do Banco Master e, mais uma vez, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, assim como outros antigos membros do banco estatal de Brasília.
Uma série de depoimentos busca aprofundar as apurações sobre a suposta negociação de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes do Banco Master para o BRB.











Deixe o Seu Comentário