O ministro Fernando Haddad, da Fazenda, afirmou nesta quinta (29) que o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tomou conhecimento dos problemas de liquidez do Banco Master apenas após assumir a gestão da autoridade monetária, no ano passado. Ainda de acordo com o ministro, a gestão anterior, de Roberto Campos Neto, não relatou à pasta a existência de supostas irregularidades na instituição financeira.
Haddad afirmou que a partir da posse de Galípolo é que passou a haver um diálogo com o Banco Central sobre os problemas do Master, incluindo a operação de compra pelo Banco de Brasília (BRB) e a emissão das carteiras de crédito sem lastro que custaram R$ 12,2 bilhões ao banco estatal do Distrito Federal.
“Não houve diálogo do Banco Central com o Ministério da Fazenda a não ser da posse de Gabriel Galípolo. Logo que foi contratado, [ele] veja o tamanho do ‘abacaxi’ que ele tinha pra descascar, viu que a situação era muito grave, [em] Há meses envolvidos o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF), por suspeita de sepulturas e de fraudes em carteiras”, afirmou Haddad em entrevista a jornalistas ao chegar no ministério mais cedo.
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De acordo com ele, Galípolo se deparou com a existência de fraudes nas carteiras de crédito compradas pelo BRB que não se configuram como “má gestão”, e sim um “crime”, o que levou ao acionamento da Polícia Federal. Haddad ainda ressaltou que nunca se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mas que sabia de uma “disputa de narrativas” de algumas por uma interferência da concorrência pelo crescimento do Master, e de outras pelas operações serem insustentáveis.
O ministro ainda ressaltou que o caso envolvendo o Banco Master tem duas ramificações, sendo a venda das carteiras fraudadas ao BRB em uma apuração, que levou à entrada do MPF e da PF na apuração, e outra sobre a troca dos títulos irregulares por outros ativos da instituição, que engloba o valor dessas garantias “que parece que essas não valem aquilo que deveriam pra substituições da carteira inicial”.
“São dois problemas em momentos diferentes, não tenho informação precisa do tamanho do problema”, disse o ministro. Informações publicadas na véspera apontam que o rombo no BRB pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo disse o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
Num primeiro momento, o Banco Central havia determinado ao BRB que fizesse uma provisão de R$ 2,6 bilhões para fechar os demonstrativos financeiros de 2026. No entanto, segundo citou Aquino, a autoridade monetária está cobrando um aumento deste valor para cobrir as perdas pela negociação com o Master devido à “baixa qualidade” dos ativos.
“Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feito provisão de mais R$ 2,2 bilhões”, afirmou.










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