O governo federal intensificou a coordenação pela aprovação do Projeto de Lei 4.675/2025, que regulamenta os mercados digitais, com a distribuição de um material institucional aos parlamentares da Câmara, divulgado pela Frente do Mercado Livre.
A Gazeta do Povo teve acesso ao documento, intitulado “PL 4675/2025 — Mais concorrência. Mais inovação. Mais liberdade para empreender”, que apresenta argumentos desenvolvidos à proposta e vem sendo entregue durante as negociações sobre a tramitação do texto.
Com a identidade visual do Ministério da Fazenda, o material destaca como principal argumento para a ampliação da concorrência entre plataformas digitais, o estímulo à inovação e a criação de um ambiente mais favorável ao empreendedorismo. Segundo o governo, o projeto estabelece regras para grandes plataformas digitais, sem tratar de moderação de conteúdo ou liberdade de expressão.
Apesar de utilizar a marca oficial do governo, o documento não foi localizado nos canais do Ministério da Fazenda nem do Ministério da Justiça. A ausência de divulgação pública gerou questionamentos sobre a transparência da iniciativa.
A Constituição Federal estabelece, no artigo 37, § 1º, que a publicidade dos órgãos públicos deve possuir caráter educativo, informativo ou de orientação social, vedada a promoção pessoal de autoridades. O mesmo artigo também determina que a administração pública observe os princípios da publicidade e da impessoalidade.
Já a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) estabelece que a publicidade é uma regra e determina que os órgãos públicos promovam a divulgação ativa de informações de interesse coletivo.

Questionamentos sobre transparência
Na avaliação do Instituto Livre Mercado (ILM), que critica a proposta, a distribuição de um material institucional com o objetivo de convencer parlamentares, sem disponibilizá-lo oficialmente à sociedade, compromete a transparência do processo legislativo e contraria os princípios previstos na legislação.
Os críticos defendem que o Executivo divulgue oficialmente todos os materiais produzidos sobre o projeto, além de informações sobre autoria, custos, tiragem, critérios de distribuição e registros das reuniões realizadas com parlamentares. Eles argumentaram que a publicidade de atos da administração pública deve seguir os princípios de transparência e de impessoalidade previstos na Constituição e na Lei de Acesso à Informação.
O PL 4.675/2025 também enfrentou resistência de entidades do setor de tecnologia e especialistas em direito digital. Entre as críticas estão a criação de uma nova estrutura regulatória para plataformas consideradas dominantes e a avaliação de que a legislação brasileira já dispõe de mecanismos para reforçar práticas anticoncorrenciais.
O projeto foi enviado ao Congresso após o agravamento das tensões entre Brasil e Estados Unidos envolvendo plataformas digitais. Embora o governo negue a relação direta entre os episódios, parte do mercado interpreta a proposta como um sinal de que o país pretende manter sua agenda de regulação das big techs.
A reportagem do Ministério da Fazenda para esclarecer se o material foi produzido pela massa, qual o custo da produção, quantas unidades foram confeccionadas, quais parlamentares receberam o documento e por que ele não foi divulgado oficialmente. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.












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