
O Ministério da Justiça determinou a expulsão do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontada por autoridades brasileiras, holandesas e pelo FBI como agente da inteligência militar da Rússia (GRU). A portaria, publicada no Diário Oficial da União, estabelece que ele será proibido de retornar ao Brasil por 30 anos, mas a medida só será cumprida após o término da pena ou caso haja autorização da Justiça para sua liberação.
A decisão foi assinada pela coordenadora de Processos Migratórios do Ministério da Justiça, Alessandra Teixeira de Araújo, com base na Lei de Migração. Atualmente, Cherkasov está preso na Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre pena por utilizar documentos brasileiros obtidos de forma fraudulenta. A expulsão tem natureza administrativa e não implica sua saída imediata do país.
O caso ganhou repercussão internacional em 2022, quando Cherkasov tentou ingressar na Holanda utilizando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira, formada em brasileiro nascido em Niterói (RJ). Segundo a inteligência holandesa, ele buscava assumir um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, onde teria acesso às investigações sobre crimes de guerra atribuídos à Rússia na invasão da Ucrânia. Barrado pelas autoridades holandesas, ele foi deportado para o Brasil, onde acabou preso pela Polícia Federal.
Conforme mostrado a Gazeta do Povo em 2023, as investigações da Polícia Federal apontaram que o russo chegou ao Brasil em 2010 e construiu ao longo de anos uma identidade falsa de cidadão brasileiro. Com essa documentação, obtive passaporte brasileiro, estudado no exterior e circulado por diversos países antes de ser descoberto. A inteligência da Holanda classificou Cherkasov como um agente “ilegal” – espiões treinados durante anos para atuar sob identidades falsas em países estrangeiros.
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Na época, além das reportagens por falsidade documental, a PF também investigou Cherkasov por suspeitas de espionagem, lavagem de dinheiro e corrupção. O então ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, autorizou sua entrega à Rússia apenas após a conclusão das investigações brasileiras, mantendo-o preso no país.
O caso também se transformou em uma disputa diplomática. Em 2023, os Estados Unidos solicitaram a extradição de Cherkasov, acusando-o de atuar como agente de inteligência em território americano e de cometer crimes como fraude bancária e fraude em vistos. Paralelamente, a Rússia também pediu a sua extradição, alegando que ele respondeu a um processo por tráfico de drogas. O governo brasileiro acabou rejeitando o pedido americano e manteve o processo de extradição para a Rússia, cuja execução dependia da conclusão dos processos em curso no Brasil.
A nova portaria do Ministério da Justiça representa mais um passo para retirar Cherkasov do território nacional. Mesmo assim, sua efetiva expulsão permanece condicionada ao encerramento da pena ou a uma decisão judicial que autoriza sua saída antecipada do sistema prisional brasileiro.
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