
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), deu como certa sua candidatura ao Senado, na eleição de outubro. Mas ele é réu em um processo que nesta semana avançou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e corre o risco de se tornar inelegível. Na ausência de Castro, despontam como favoritos para os eleitores da direita o ex-prefeito Marcelo Crivella, dos Republicanos, e o ex-policial militar Rodrigo Pimentel, sem partido.
Segundo pesquisa eleitoral realizada e divulgada no dia 11 pelo instituto Real Time Big Data, Castro está à frente com 23% dos interesses de voto para senador. Crivella vem em segundo lugar com 15% e Pimentel com 12% – empatado com a candidata do PT, Benedita da Silva.
Consultada pela reportagem, a assessoria do ex-policial militar que integrou o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio (Bope) e contratou o personagem Capitão Nascimento na série de filmes “Tropa de Elite”, entre 2007 e 2010, confirmou que Pimentel foi sondado pelo Partido Novo e por outros, mas ressaltou que ele não é filiado a nenhum partido e não pretende se candidatar.
Já Crivella, que nos últimos tempos estreitou sua defesa das bandeiras e da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inclusive defendendo a anistia ao ex-presidente, vive uma situação curiosa. Ex-prefeito do Rio, foi eleito deputado federal em 2022 com o maior número de votos do partido: 110.450. Por isso, o partido quer que ele repita a dose, se candidatando como deputado para servir de puxador de votos para os Republicanos. Mas Crivella garantiu Gazeta do Povo que vai se candidatar ao Senado, mesmo se precisar disputar eleições com Castro.
O principal grupo político adversário, o prefeito do Rio e pré-candidato ao governador Eduardo Paes (PSD), que tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai lançar Benedita e um candidato ainda indefinido. A pesquisa testou, por exemplo, o deputado Pedro Paulo (PSD), que chegou a 10% no cenário mais favorável.
O instituto Real Time Big Data reuniu 2.000 participantes nos dias 9 e 10 de março e divulgou a pesquisa na quarta-feira, 11. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O índice de confiança da pesquisa é de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-04367/2026.
Castro é favorito e PL não define “plano B”
Em todos os cenários pesquisados pelo instituto Real Time Big Data, o governador Castro é o favorito. Em um cenário sem Crivella ele seria escolhido senador por até 36% dos deputados, se a eleição fosse hoje. Com margem de erro, esse número pode chegar a 38%. O número só consolida uma situação já vivenciada em 2022, quando o político foi reeleito governador no primeiro turno, com quase 60% dos votos válidos.
O outro candidato a senador definido pelo PL de Castro é o atual prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), que na pesquisa eleitoral apresentada tem, no melhor cenário, 9% dos votos.
O problema de Castro é a Justiça Eleitoral. Ao mesmo tempo em que a pesquisa foi realizada e Castro despontava como favorito, o TSE dava continuidade à votação de um processo que pode tornar o governador inelegível. Ele é réu em uma ação que o acusa de abuso de poder político e econômico na eleição de 2022.
Trata-se do chamado “escândalo do Ceperj”, que envolve também o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o ex-vice-governador Thiago Pampolha. Uma investigação policial revelou uma folha de pagamento secreta com cerca de 20 mil cargas temporárias no Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) e na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), para beneficiários concretos aliados e cabos eleitorais.
Castro foi absolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) em 2024, mas o Ministério Público Eleitoral recorreu e o caso foi para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde, em 4 de novembro de 2025, a ministra relatora Isabel Gallotti votou pela cassação do mandato e dos direitos políticos do governador e a convocação de novas eleições. No mesmo dia, o ministro Antonio Carlos Ferreira pediu vista do processo, que só foi retomado em 10 de março.
Na última terça-feira, Ferreira votou exatamente igual ao relatora. Foi uma vez que o ministro Kássio Nunes Marques pediu vista e interrupção do julgamento. O regimento interno do TSE garante até 60 dias para cada pedido de vista, mas um acordo prévio feito por Nunes Marques com a presidente do Tribunal, Cármem Lúcia, definindo que ele devolverá o processo no próximo dia 24 e já está marcado uma sessão no dia 25 para retomar o julgamento.
A situação surpreendeu Castro, que esperava que o julgamento se prolongasse até o final do ano. Se eleito, senador e diplomado antes do veredito, estará livre para cumprir o mandato. Com a rapidez anunciada nesta semana, no entanto, pode ser que o governador seja cassado e não possa se candidatar.
Faltam os votos de cinco ministros do TSE: além de Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, vai se manifestar Floriano de Azevedo, jurista próximo ao ministro do STF Alexandre de Moraes; Esteja Aranha, nomeada para o corte com o apoio de Flávio Dino; André Mendonça, outro que chegou ao STF indicado por Bolsonaro, e a presidente da corte, Cármem Lúcia. Se dois deles votarem pela cassação de Castro, forma-se a maioria necessária para impedir a candidatura de Castro.
A possibilidade complicaria duplamente o PL, que perderia seu mais forte candidato a senador no Rio e veria desarrumado seu plano para a sucessão estadual. Em fevereiro, Flávio Bolsonaro e Castro se reuniram em Brasília e definiram que o candidato ao governo fluminense é Douglas Ruas (PL), atual secretário estadual de Cidades e filho do prefeito de São Gonçalo, o capitão da PM Nelson Ruas. Aos 34 anos, Ruas vai disputar sua segunda eleição. Na primeira vez, em 2022, foi eleito deputado estadual com 175 mil votos.
Ainda pouco conhecido, Ruas teria uma oportunidade de se apresentar às reuniões caso se elegesse governador na eleição-tampão indireta a ser realizado se Castro deixasse o cargo voluntariamente, até 4 de abril, para concorrer ao Senado. Mas, segundas pessoas próximas, o governador ficou decepcionado com a falta de apoio dos correligionários após a retomada do julgamento no TSE, nesta semana, e cogita se manter no cargo até a decisão final da Justiça Eleitoral. Nesse caso, Ruas teria no mínimo menos tempo para estar na vitrine, enquanto seu principal adversário, Eduardo Paes (PSD), é presença constante na imprensa e nas redes sociais como prefeito do Rio.
O PL segue afirmando que confia na elegibilidade do atual governador e que não há plano B. “Com toda certeza o Cláudio será candidato”, garantido à Gazeta do Povo o deputado federal Sóstenes Cavalcante, um dos nomes mais importantes do partido, na última sexta-feira (13).
No mesmo dia, o governador se reuniu com a cúpula do PL, do PP e do União Brasil para discutir sua situação jurídica e política. A decisão de renunciar ou não pode ser anunciada na próxima semana.
Controlar o Senado é uma estratégia fundamental de oposição
Para o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tão importante quanto impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e retomar o Poder Executivo federal é eleito, no pleito de outubro próximo, um número de senadores suficiente para formar maioria nessa Casa legislativa, que conta com 81 parlamentares – vencem em disputa 54 vagas, dois terços do total.
Hoje todos os três representantes do Estado do Rio de Janeiro são do PL: Bruno Bonetti, que é suplente de Romário e exerce a carga desde que o ex-atleta (do mesmo partido) se licenciou, em dezembro de 2025; Flávio Bolsonaro, que deve disputar a presidência da República, e Carlos Portinho, que por orientação partidária deve disputar uma vaga como deputado federal
As vagas de Flávio Bolsonaro e Portinho serão sorteadas em jogo em outubro, enquanto a de Bonetti está garantida até o início de 2031, já que os mandatos são de oito anos e este começou em 2023.











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