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Como os Estados Unidos compraram metade do seu território

Redação Por Redação
25 de janeiro de 2026
Em Educação
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Como os Estados Unidos compraram metade do seu território
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com

Donald Trump impressionou alvoroço na política internacional quando, no início de seu segundo mandato, verbalizou o desejo de fixação a Groenlândia (entre outros lugares) ao território americano.

O que parecia ser um interesse estratégico tornou-se praticamente uma obsessão após seu governo capturar o ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Independentemente do que pensam apoiadores e opositores de Trump, a compra de territórios aos EUA não é novidade na história do país. Pelo contrário: é uma prática recorrente e que foi fundamental para a consolidação do país como potência hegemônica no Ocidente. Mais da metade do território americano foi adquirida desta forma.

A seguir, vamos entender melhor a gênese dessa prática e recapitular alguns dos principais episódios envolvidos na anexação de territórios aos EUA após o nascimento da nação.

Luisiana

A Compra da Luisiana, concluída em 1803, é considerada o marco inaugural da expansão territorial americana pela via diplomática.

Em uma negociação com a França de Napoleão Bonaparte, os Estados Unidos adquiriram um território de cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, praticamente dobrando sua extensão territorial e redefinindo o futuro político da América do Norte.

O valor pago — US$ 15 milhões — foi modesto mesmo para os padrões da época e tornou-se símbolo de um dos negócios territoriais mais vantajosos da história do país. O montante equivale a algumas centenas de milhões de dólares atualmente

O contexto internacional foi decisivo. A França, enfraquecida por conflitos na Europa e pela revolta na República Dominicana, avaliou que manteria a Louisiana era caro e arriscado. Inicialmente especificamente apenas no porto de Nova Orleans, os diplomatas americanos acabaram aceitando a proposta de compra de todo o território.

A decisão tomada pelo presidente Thomas Jefferson diante de um dilema constitucional, já que a Carta não previa explicitamente aquisições territoriais. Ainda assim, o Congresso ratificou o acordo, consolidando a ideia de poderes implícitos do governo federal e estabelecendo um precedente duradouro para a expansão por compra.

Flórida

A incorporação da Flórida melhora uma lógica distinta. Formalizada pelo Tratado de Adams-Onís, em 1819, a anexação não envolveu pagamento direto pelo território, mas comprovada de uma combinação de instabilidade regional, pressão militar e enfraquecimento da Espanha.

Pouco povoada e mal defendida, a Flórida havia se tornado foco de tensão, e servia de refúgio para indígenas seminoles e escravizados fugitivos.

Uma invasão ao território, conduzida por Andrew Jackson em 1818, evidenciou a disposição americana de agir militarmente, mesmo sem autorização explícita. Sem condições de reagir, a Espanha aceitou negociar.

Pelo tratado, os espanhóis cederam a Flórida aos Estados Unidos, que assumiram indenizações de até US$ 5 milhões e, em contrapartida, renunciaram temporariamente às reivindicações sobre o Texas.

Territórios mexicanos

O capítulo mais conflituoso da expansão territorial dos EUA envolve territórios que obtiveram ao México.

O processo teve início com a independência do Texas, em 1836, e sua posterior anexação pelos Estados Unidos, em 1845. Essa decisão levou à ruptura diplomática com o governo mexicano.

A disputa sobre a fronteira texana escalou para a Guerra Mexicano-Americana (1846–1848), vencida pelos EUA.

O Tratado de Guadalupe Hidalgo, assinado em 1848, formalizou a chamada Cessão Mexicana. Pelo acordo, o México cedeu cerca de 55% de seu território original, incluindo áreas que hoje abrangem partes da Califórnia, Nevada, Utah, Novo México, Arizona e Colorado.

Em troca, os Estados Unidos pagaram US$ 15 milhões e assumiram dívidas do governo mexicano com cidadãos americanos. O tratado redefiniu profundamente o mapa do Oeste e acelerou a ocupação dessas regiões.

Em 1853, a Compra Gadsden completava o redesenho da fronteira sul. Por US$ 10 milhões, os EUA adquiriram cerca de 78 mil quilômetros quadrados ao sul do Arizona e do Novo México, com o objetivo estratégico de viabilizar uma ferrovia transcontinental.

Juntos, esses episódios consolidaram a fronteira atual entre os dois países e revelaram como a expansão americana combinou guerra, diplomacia e transações financeiras.

Alasca

A compra do Alasca, em 1867, ampliou a presença dos Estados Unidos para além do continente contínuo.

O território foi adquirido da Império Russo por US$ 7,2 milhões, em um contexto de dificuldades financeiras e estratégicas enfrentadas por São Petersburgo. Temendo perder o Alasca para os britânicos em um conflito futuro, a Rússia optou por vendê-lo aos americanos.

À época, o negócio foi alvo de críticas e ironias; o acordo foi chamado de “loucura de Seward” (então secretário de Estado americano).

Décadas depois, a descoberta de riquezas minerais e a importância estratégica do território no Ártico mudaram essa percepção. O Alasca tornou-se estado em 1959 e passou a ser visto como uma das aquisições mais visionárias da história americana.

Havaí

A anexação do Havaí marcou a transição dos EUA para uma potência com ambições ultramarinas. Em 1893, um grupo de plantadores e comerciantes especificava um golpe de Estado contra a monarquia local, com apoio de representantes diplomáticos e da presença militar americana no arquipélago.

A rainha foi deposta e, para evitar derramamento de sangue, optou por não resistir militarmente, esperando que os Estados Unidos revertessem o golpe — o que não ocorresse.

Isso ocorreu sobretudo porque, durante a Guerra Hispano-Americana, o Havaí passou a ser visto como essencial para operações militares no Pacífico. Apesar da resistência de parte da população nativa, a anexação consolidou a presença americana na região.

O arquipélago tornou-se apenas em 1959, encerrando um ciclo iniciado no auge do expansionismo do século XIX.

Groenlândia: um interesse antigo

É à luz desse histórico que se insere o interesse americano pela Groenlândia. Desde o século XIX, logo após a compra do Alasca, autoridades dos EUA cogitaram ampliar sua influência no Ártico com a aquisição da ilha.

Ao longo do século XX, esse interesse ressurgiu, incluindo uma oferta formal feita em 1946, recusada pela Dinamarca.

A presença militar americana na ilha consolidou-se durante a Segunda Guerra Mundial e foi formalizada no pós-guerra por acordos de defesa.

Nas últimas décadas, porém, fatores como recursos naturais, rotas estratégicas e rivalidade global reacenderam o debate. Recentemente, com Donald Trump, a ideia de adquirir ou controlar a Groenlândia voltou ao centro da política internacional, provocando reações duras de Copenhague e das lideranças locais.

Novo contexto

A recorrência histórica da expansão territorial americana ajuda a compreender por que a ideia de “comprar” a Groenlândia não é tão absurda dentro de certos círculos políticos dos Estados Unidos.

Trata-se de uma mentalidade moldada desde o nascimento da nação.

O que mudou não foi a lógica, mas o contexto em que ela se expressa e as resistências que encontra.

No século XXI, as anexações não se fazem apenas com tratados e cheques. Elas esbarram em soberanias consolidadas, identidades locais e em uma ordem internacional que, embora frágil, ainda impõe limites à lógica do mais forte.

Por isso, a Groenlândia funciona como um espelho histórico: ao mesmo tempo em que revela a persistência do expansionismo americano, expõe a tensão de um mundo que já não aceita tão facilmente as regras do século XIX.

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Tags: comocompraramdonald trumpEstadosEUA - Estados UnidosGroenlândiahistóriaMetadeseuterritórioUnidos
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