Um dia depois de apurações revelaram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou voos de empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, novos registros oficiais apontam que Dias Toffoli também passou em aviões de negócios próximos ao empresário.
Uma reportagem publicada nesta quinta (2) pela Folha de S.Paulo aponta, pelo menos, dez voos de Toffoli em jatos particulares a partir do terminal privado no aeroporto de Brasília ao longo do ano passado, sendo cinco deles ligados ou próximos ao empresário preso por comandar um grande esquema de fraudes financeiras.
UM Gazeta do Povo entrou em contato com o gabinete de Dias Toffoli no STF e com a defesa de Vorcaro para se pronunciarem sobre a apuração e aguardar retorno.
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Segundo documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) obtidos pela reportagem e cruzados entre si, Dias Toffoli viaja em aviões de diversas empresas que têm ou já tiveram ligação com Daniel Vorcaro:
- Prime Aviation: teve Vorcaro como sócio até recentemente e era proprietário de sua propriedade em Brasília;
- Petras Participações: dona do resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, que teve Toffoli e seus irmãos como sócios junto de um fundo ligado ao cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro das fraudes do Master;
- Ibrame: companhia do empresário Luiz Pastore e dona do jatinho que Toffoli saiu ao Peru, no final de 2025, para assistir à final da Copa Libertadores da América com o advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende um dos executivos do Master.
UM Folha de S.Paulo cita, ainda, dois voos com as empresas OSN Administração e Participação e à Heringer Táxi Aéreo para Goiânia, em fevereiro de 2025, mas sem indicações de ligações com a rede de Daniel Vorcaro. Já os demais voos suspeitos ocorreram nos meses de abril, junho, julho e outubro com destino à capital paulista e às cidades de Ourinhos, no interior do estado, próximo ao resort Tayayá, e a Marília, município onde moram os irmãos do ministro.
Viagens de Toffoli
Segundo apuração, no dia 4 de julho de 2025, Toffoli acessou o terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h e, dez minutos depois, um avião de prefixo PR-SAD decolou com destino a Marília (SP), sua cidade natal. O mesmo modelo de aeronave teria sido utilizado por Moraes em três benefícios específicos, conforme rankings de registros oficiais.
Moraes negou ter viajado em jatinhos pertencentes a Vorcaro e afirmou que a apuração é “fantasiosa” e que as afirmações são “ilações” e “absolutamente falsas”.
Na mesma informação, as seguranças do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo foram deslocadas para Ribeirão Claro (PR), onde fica o resort Tayayá, frequentado pelo ministro e localizado a cerca de 150 quilômetros de Marília. Segundo a Corte, o envio ocorreu a pedido do STF para atender uma autoridade presente na região.
A Prime Aviation, responsável por uma das aeronaves utilizadas, afirmou à reportagem que “por questões de confidencialidade dos contratos, e em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados, não divulga dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio”. A empresa integra um fundo animado ao compartilhamento de bens de luxo, do qual Vorcaro foi sócio direto até setembro do ano passado.
Outros registros mostram coincidências entre horários de embarque de Toffoli e voos de aeronaves ligadas à empresa Petras Participações, que tem entre seus sócios o empresário Paulo Humberto Barbosa, atual dono do resort Tayayá. Em 17 de junho, o ministro entrou no terminal às 10h, e minutos depois um avião decolou rumo a Ourinhos (SP), aeroporto mais próximo do empreendimento.
Situação semelhante ocorreu em 1º de outubro, quando Toffoli chegou ao terminal às 19h20 e, pouco depois, uma aeronave da mesma empresa partiu para Congonhas. Dados de diárias pagas a seguranças indicam que havia um ministro do STF na região do resort em dados coincidentes com esses deslocamentos.
Há ainda registro de voo em 10 de abril de 2025 em comissão ligada ao empresário Luiz Pastore, amigo pessoal do ministro. Na ocasião, Toffoli entrou no terminal às 19h e, minutos depois, o avião prefixo PT-STU decolou para São Paulo.
Toffoli e Pastore mantêm a próxima relação, sendo em um avião do empresário que o magistrado passivo para acompanhar a final da Copa Libertadores em Lima, no Peru, ao lado do advogado Augusto de Arruda Botelho, que atua na defesa de um dos executivos do Banco Master.
Até o começo deste ano, Toffoli relatou os processos referentes ao Master no STF e manteve silêncio sobre apurações em relação ao resort Tayayá — embora funcionários do local o considerem como proprietários do empreendimento. No entanto, após a Polícia Federal revelar diálogos com o empresário, o ministro deixou o caso e, pouco tempo depois, se declarou suspeito de participação no julgamento colegiado do mandado de prisão preventiva emitido monocraticamente por André Mendonça, que herdou a relatoria.
O magistrado também confirmou, em meio às revelações da imprensa, que era sócio dos irmãos no resort Tayayá, mas alegou que não atuava na administração da Maridt Participações, que detinha cotas do empreendimento negociadas com o fundo Arleen, de propriedade da Zettel.












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