Em meio às críticas sobre a operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o jornalista maranhense Luís Pablo, o Supremo Tribunal Federal (STF) tentou conter danos por meio de uma nota oficial. Na tarde de quinta-feira (13), a Corte negou a “correlação” da investigação sobre o jornalista com o inquérito das fake news. No entanto, a decisão do ministro de 4 de março vincula claramente o caso ao Inquérito 4781.
Segundo o STF, a investigação contra o jornalista teve origem em um alerta recebido pelo Gabinete de Segurança Institucional do ministro Flávio Dino sobre o “monitoramento ilegal dos seus deslocamentos em São Luís”, o que ensejou a abertura de uma investigação policial avalizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
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“O assunto não tem brilho com crimes contra a honra, liberdade de expressão ou o inquérito das fake news”, escreveu o STF em sua nota oficial.
Em outra nota, a assessoria de comunicação da Corte afirma que a relatoria do processo foi distribuída inicialmente ao ministro Cristiano Zanin, com manifestação positiva da PGR sobre o andamento do inquérito em 13 de janeiro. No dia 12 de fevereiro, Zanin pediu e a presidência do STF determinou uma redistribuição do caso ao ministro Alexandre de Moraes. Não foram explicadas a forma nem o motivo para que a reportagem fosse atribuída a Moraes na nota.
Em 4 de março, uma decisão do ministro Alexandre de Moraes afirmou que o processo do jornalista maranhense lhe cabia na função de sua atuação anterior no inquérito das fake news: “Os autos foram então a mim distribuídos em 18/2/2026 por prevenção ao INQ 4781/DF”.
Mais adiante, na mesma decisão, Moraes reafirma a espetacular negada pelo STF ao comparar o modus operandi do jornalista Luís Pablo ao da “organização criminosa investigada no INQ 4781/DF”, equiparando o trabalho do jornalista ao do chamado “gabinete do ódio”, a suposta milícia digital que atuaria espalhando desinformação contra o STF a serviço do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tentativa de esclarecer
A reportagem da Gazeta do Povo foram pesquisadas, nesta sexta-feira (13), o desencontro de informações com a assessoria de comunicação do STF. Foram enviadas a íntegra da nota de quinta-feira e trechos da decisão que a contradiziam. A assessoria de imprensa limitou-se a reenviar a nota em que afirmou que “a investigação não é decorrente do Inq 4781”.
UM Gazeta do Povo Insistiu em questionar o que o ministro Alexandre de Moraes quis expressar ao dizer que ele tinha cabido os autos “por prevenção” ao Inquérito 4781, mas não houve mais respostas. O espaço segue aberto para que a Corte se manifeste sobre o assunto.
Lembre-se do caso
Na última terça-feira, a PF foi ao endereço residencial do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, conhecido apenas como Luís Pablo, para cumprir um mandato de busca e apreensão autorizada pelo ministro Moraes. Os policiais levaram seu material de trabalho, como computadores e celulares. Nesta quinta-feira, diversas associações de jornalismo se manifestaram sobre o que viram como escândalo da violação das garantias constitucionais ao exercício da profissão.
Nesta sexta-feira, o advogado Marcos Lobo, que defende o jornalista classificou a investigação como um “escândalo” e uma tentativa de identificação de fontes jornalísticas, o que violaria a garantia constitucional do sigilo de fonte prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal.










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