
Investigações da Polícia Federal e da CPMI do INSS desarticularam a Rede Arpar, um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou bilhões. A estrutura serve para ocultar verbas de fraudes previdenciárias e recursos do tráfico de drogas, armas e corrupção política no Brasil.
O que era a Rede Arpar e qual era o seu papel no esquema?
A Rede Arpar foi batizada pelos pesquisadores como um ‘banco clandestino’. Formada por cerca de 40 empresas, a maioria de fachada e em nome de laranjas, ela servia para esconder a origem do dinheiro sujo. O grupo processava pagamentos de forma anônima, dificultando o rastreamento das autoridades sobre quem eram os verdadeiros doadores de dinheiro, que vinham tanto de desvios do INSS quanto de facções criminosas como o PCC.
Qual foi o montante total movimentado pela quadrilha?
Após a quebra de sigilos bancários, foi concluída uma movimentação de R$ 39 bilhões. No entanto, os pesquisadores acreditam que esse valor pode ultrapassar os R$ 45 bilhões, pois ainda há companhias sob análise. Estima-se que o esquema seria capaz de lavar cerca de R$ 400 milhões todos os meses ao longo de vários anos.
Quais são as três etapas utilizadas para lavar o dinheiro?
O grupo segue um padrão clássico. A primeira vinha a ‘colocação’, onde o dinheiro dos crimes era depositado nas contas da rede. Depois de ocultar a ‘ocultação’, com transferências sucessivas entre bolsas de empresas, uso de criptomoedas e fintechs para despistar o rastro. Por fim, havia uma ‘integração’, onde o capital voltava à economia com aparência legal, muitas vezes através de contratos falsos de consultoria ou operações simuladas de exportação e importação.
Como a quadrilha poderia enviar dinheiro para o exterior?
O esquema utilizou brechas no comércio exterior para evasão de divisas. Eles superfaturavam diretamente (declaravam pagar mais caro por um produto do que ele realmente valia) ou subfaturavam exportações. A diferença financeira gerada nessas transações era enviada para contas em paraísos fiscais, conhecida como ‘offshore’, o que tornava quase impossível o controle pelos órgãos brasileiros.
Houve participação de agentes públicos e políticos no caso?
Sim. O relatório da CPMI indica que o esquema possuía um braço político que dava sustentação às operações. Empresas de fachada criaram contratos falsos para justificar o repasse de propinas a gestores e autoridades. Embora a Justiça tenha bloqueado R$ 2,8 bilhões em bens e afastados das cúpulas da administração federal, as investigações ainda tentam identificar todos os beneficiários políticos da rede.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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