
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia solicitou pedidos de sua família para que deixe a Corte. Ela chegou a falar em uma pressão “sexista, machista” e “desmoralizante” que pode impactar na pretensão de juristas de serem ministros.
“Algumas pessoas não vão querer ir, porque a nossa família não quer que a gente fique”, disse a ministra, durante um evento da Fundação FHC nesta segunda-feira (13), destacando que o discurso nesse sentido “é sexista, machista, desmoralizante” e revelando o que houve de familiares: “todo mundo da família: ‘Cármen, sai disso. Chega. Já fez o que tinha que fazer‘”.
A ministra antecipou sua saída da presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para, de acordo com ela, dar mais tempo para que o órgão se programasse para as eleições de 2026. Única ministra em atuação no STF, Cármen Lúcia viu a pressão de movimentos identitários exporem e o presidente Lula (PT) indicar Flávio Dino, Cristiano Zanin e, agora, o advogado-geral da União, Jorge Messias, para exigir a cúpula do Judiciário.
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Com 71 anos, o ministério precisa se aposentar apenas em abril de 2029, logo após o ministro Luiz Fux, que deixa o cargo em 2028. Há, porém, a possibilidade de retirada antecipada, como fez agora o ex-ministro Luís Roberto Barroso, abrindo margem para a terceira indicação de Lula neste mandato e 11ª ao todo.
Cármen Lúcia publicou a quantidade de processos em trâmite na Corte, o que considera uma “avalanche” passível de gerar “um adoecimento até físico”.
A ministra foi escolhida relatora do código de ética que o presidente, ministro Edson Fachin, pretende implementar. Para ela, uma solução para a crise de reparação da Corte envolve maior transparência. A magistrada destacou a publicidade de sua agenda como um exemplo.
Apesar disso, não são todos os ministros que registram seus compromissos públicos no sistema. No mês de março, por exemplo, apenas Cristiano Zanin, Luiz Fux e a própria Cármen Lúcia o fizeram. “Eu acho que, quanto mais se der essa transparência, essa explicação, tanto melhor para o Poder Judiciário, para o Supremo Tribunal Federal e, principalmente, para nós ali dentro mesmo, de convivência”, conclui.











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