Cabines ‘espelhadas’ mudam lógica do julgamento e excluem nova preparação das escolas para o Carnaval 2026
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Rute Alves Foto: Léo Queiroz – Rio Carnaval As escolas de samba do Grupo Especial vivem um novo desafio na preparação para o Carnaval 2026. Uma mudança no sistema de julgamento, com a adoção das chamadas cabines “espelhadas”, altera diretamente a forma como alguns dos principais quesitos do desfile serão apresentados na Marquês de Sapucaí. Pela primeira vez, duas cabines de jurados serão posicionadas uma de frente para a outra, nos setores 6 e 7. Com isso, as escolas passam a ter que apresentar questões como comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira em 360 graus, contemplando jurados em lados opostos da avenida — e, ao mesmo tempo, ampliando o alcance do espetáculo para o público. Novo método de julgamento terá cabines espelhadas nos setores 6 e 7 Editoria de arte/g1 A proposta da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) é tornar os desfiles mais fluidos, com menos desfiles e maior dinamismo, além de democratizar a visualização das apresentações. A mudança impactou diretamente o trabalho dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, que historicamente se prepararam para nunca ficar de costas para os jurados. Vencedora do Estandarte de Ouro 2025, a porta-bandeira do Viradouro, Rute Alves, diz que o novo formato exige uma desconstrução de hábitos criados ao longo de décadas. “Neste Carnaval de 2026, completo 30 anos como porta-bandeira. Eu e muitos casais fomos formados ouvindo que não se pode ficar de costas para os jurados. Isso sempre foi um cuidado excessivo, repetido à exaustão nos ensaios. Agora, isso não existe mais. Não tem como não ficar de costas para algum jurado”, afirma. Rute conta que a orientação dada pela comissão julgada ajudou a reduzir a insegurança dos profissionais. “Na última reunião com os jurados, eles foram muito parceiros e disseram para que as pessoas não se preocupassem, que a avaliação será feita a partir do que eles estiverem vendendo, independentemente da posição. Isso muda completamente o nosso olhar.” Rute Alves e Julinho Nascimento se apresentam pelo Viradouro em 2025 Foto: Léo Queiroz- Rio Carnaval Segundo a porta-bandeira, a adaptação começou ainda no início da concepção do desfile, logo após a escolha do samba. “Hoje, a preocupação é outra. Não existe mais aquele olhar, aquela mão, aquele movimento direcionado para um lado específico. Tudo precisa ser visto em 360 graus: a orientação do corpo, o olhar, a intenção. A coreografia já nasceu com esse pensamento, desde a entrada na cabine até a apresentação do pavilhão.” Para o coreógrafo da comissão de frente da Mocidade Independente de Padre Miguel, Marcelo Misailidis, a mudança resgata a essência do desfile como espetáculo popular. “A cabine espelhada é um determinado direcionamento da Liesa, na democratização das grandes apresentações das escolas de samba, no sentido de evitar uma apresentação exclusiva para o público que está no entorno da cabine julgada. Isso promove uma valorização do espetáculo para o público e um retorno à essência dos desfiles, como um cortejo livre, acessível a todos que o assistem na passarela. Particularmente, pra mim, é um processo conhecido, que em parte já funcionou assim quando comecei minha trajetória no Carnaval, ainda na década de 90.” Marcelo Misailidis – Coreógrafo da Comissão de Frente da Mocidade em 2025 Foto: Léo Queiroz – Rio Carnaval Na Imperatriz Leopoldinense, uma das escolas que apoiam uma ideia desde o início, uma mudança também impacta diretamente a construção do desfile e a evolução na pista. Segundo o diretor de Carnaval da escola, André Bonatte, o novo formato corrige um problema recorrente de ritmo. “A Imperatriz foi uma dos grandes entusiastas dessa ideia da cabine espelhada. Num primeiro aspecto, porque democratiza a dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira e também da comissão de frente, que agora irá se apresentar num formato 360 graus, contemplando todas as áreas da Sapucaí. Antes, muitas vezes, o que acontecia ficava escondida para quem estava do lado oposto à cabine de jurados.” Apresentação da Imperatriz Leopoldinense na apresentação do Dia Nacional do Samba Foto: Eduardo Hollanda – Rio Carnaval Bonatte explica que, em 2025, para receber quatro avaliações, a escola precisou realizar quatro paradas, o que comprometeu o andamento inicial do desfile. “Isso deixou os primeiros 40 minutos numa cadência mais lenta. Depois, para recuperar o tempo, era preciso acelerar o ritmo. Com três paradas agora, o desfile se divide melhor, proporcionando uma evolução mais equilibrada. A cabine espelhada veio para contribuir, e acredito que esse formato vai perdurar por muitos carnavais.” A Liesa afirma que a mudança é resultado de estudos e diálogo com profissionais do Carnaval. Para o presidente da liga, Gabriel David, o objetivo é ampliar o acesso do público aos momentos mais emblemáticos do desfile, sem prejuízo técnico. “Agora, com a cabine espelhada, mais pessoas vão poder acompanhar momentos fundamentais do desfile, como as apresentações de comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira, que antes foram feitas apenas para um lado específico. Essa iniciativa foi realizada após um longo e estudo muito diálogo com os profissionais do Carnaval, que apresentaram apoio e toparam o desafio.” Presidente da Liesa, Gabriel David. Foto: Eduardo Hollanda / Rio Carnaval Os competitivos do Grupo Especial para o Carnaval 2026 serão realizados em três noites, no domingo, segunda e terça-feira de Carnaval (15, 16 e 17 de fevereiro). Domingo (15 de fevereiro) Acadêmicos de Niterói Imperatriz Leopoldinense Portela Estação Primeira de Mangueira Segunda-feira (16 de fevereiro) Mocidade Independente de Padre Miguel Beija-Flor de Nilópolis Unidos do Viradouro Unidos da Tijuca Terça-feira (17 de fevereiro) Paraíso do Tuiuti Unidos de Vila Isabel Acadêmicos do Grande Rio Acadêmicos do Salgueiro Escolas do Grupo Especial apresentam enredos para o Carnaval 2026
Rute Alves Foto: Léo Queiroz – Rio Carnaval As escolas de samba do Grupo Especial vivem um novo desafio na preparação para o Carnaval 2026. Uma mudança no sistema de julgamento, com a adoção das chamadas cabines “espelhadas”, altera diretamente a forma como alguns dos principais quesitos do desfile serão apresentados na Marquês de Sapucaí. Pela primeira vez, duas cabines de jurados serão posicionadas uma de frente para a outra, nos setores 6 e 7. Com isso, as escolas passam a ter que apresentar questões como comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira em 360 graus, contemplando jurados em lados opostos da avenida — e, ao mesmo tempo, ampliando o alcance do espetáculo para o público. Novo método de julgamento terá cabines espelhadas nos setores 6 e 7 Editoria de arte/g1 A proposta da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) é tornar os desfiles mais fluidos, com menos desfiles e maior dinamismo, além de democratizar a visualização das apresentações. A mudança impactou diretamente o trabalho dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, que historicamente se prepararam para nunca ficar de costas para os jurados. Vencedora do Estandarte de Ouro 2025, a porta-bandeira do Viradouro, Rute Alves, diz que o novo formato exige uma desconstrução de hábitos criados ao longo de décadas. “Neste Carnaval de 2026, completo 30 anos como porta-bandeira. Eu e muitos casais fomos formados ouvindo que não se pode ficar de costas para os jurados. Isso sempre foi um cuidado excessivo, repetido à exaustão nos ensaios. Agora, isso não existe mais. Não tem como não ficar de costas para algum jurado”, afirma. Rute conta que a orientação dada pela comissão julgada ajudou a reduzir a insegurança dos profissionais. “Na última reunião com os jurados, eles foram muito parceiros e disseram para que as pessoas não se preocupassem, que a avaliação será feita a partir do que eles estiverem vendendo, independentemente da posição. Isso muda completamente o nosso olhar.” Rute Alves e Julinho Nascimento se apresentam pelo Viradouro em 2025 Foto: Léo Queiroz- Rio Carnaval Segundo a porta-bandeira, a adaptação começou ainda no início da concepção do desfile, logo após a escolha do samba. “Hoje, a preocupação é outra. Não existe mais aquele olhar, aquela mão, aquele movimento direcionado para um lado específico. Tudo precisa ser visto em 360 graus: a orientação do corpo, o olhar, a intenção. A coreografia já nasceu com esse pensamento, desde a entrada na cabine até a apresentação do pavilhão.” Para o coreógrafo da comissão de frente da Mocidade Independente de Padre Miguel, Marcelo Misailidis, a mudança resgata a essência do desfile como espetáculo popular. “A cabine espelhada é um determinado direcionamento da Liesa, na democratização das grandes apresentações das escolas de samba, no sentido de evitar uma apresentação exclusiva para o público que está no entorno da cabine julgada. Isso promove uma valorização do espetáculo para o público e um retorno à essência dos desfiles, como um cortejo livre, acessível a todos que o assistem na passarela. Particularmente, pra mim, é um processo conhecido, que em parte já funcionou assim quando comecei minha trajetória no Carnaval, ainda na década de 90.” Marcelo Misailidis – Coreógrafo da Comissão de Frente da Mocidade em 2025 Foto: Léo Queiroz – Rio Carnaval Na Imperatriz Leopoldinense, uma das escolas que apoiam uma ideia desde o início, uma mudança também impacta diretamente a construção do desfile e a evolução na pista. Segundo o diretor de Carnaval da escola, André Bonatte, o novo formato corrige um problema recorrente de ritmo. “A Imperatriz foi uma dos grandes entusiastas dessa ideia da cabine espelhada. Num primeiro aspecto, porque democratiza a dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira e também da comissão de frente, que agora irá se apresentar num formato 360 graus, contemplando todas as áreas da Sapucaí. Antes, muitas vezes, o que acontecia ficava escondida para quem estava do lado oposto à cabine de jurados.” Apresentação da Imperatriz Leopoldinense na apresentação do Dia Nacional do Samba Foto: Eduardo Hollanda – Rio Carnaval Bonatte explica que, em 2025, para receber quatro avaliações, a escola precisou realizar quatro paradas, o que comprometeu o andamento inicial do desfile. “Isso deixou os primeiros 40 minutos numa cadência mais lenta. Depois, para recuperar o tempo, era preciso acelerar o ritmo. Com três paradas agora, o desfile se divide melhor, proporcionando uma evolução mais equilibrada. A cabine espelhada veio para contribuir, e acredito que esse formato vai perdurar por muitos carnavais.” A Liesa afirma que a mudança é resultado de estudos e diálogo com profissionais do Carnaval. Para o presidente da liga, Gabriel David, o objetivo é ampliar o acesso do público aos momentos mais emblemáticos do desfile, sem prejuízo técnico. “Agora, com a cabine espelhada, mais pessoas vão poder acompanhar momentos fundamentais do desfile, como as apresentações de comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira, que antes foram feitas apenas para um lado específico. Essa iniciativa foi realizada após um longo e estudo muito diálogo com os profissionais do Carnaval, que apresentaram apoio e toparam o desafio.” Presidente da Liesa, Gabriel David. Foto: Eduardo Hollanda / Rio Carnaval Os competitivos do Grupo Especial para o Carnaval 2026 serão realizados em três noites, no domingo, segunda e terça-feira de Carnaval (15, 16 e 17 de fevereiro). Domingo (15 de fevereiro) Acadêmicos de Niterói Imperatriz Leopoldinense Portela Estação Primeira de Mangueira Segunda-feira (16 de fevereiro) Mocidade Independente de Padre Miguel Beija-Flor de Nilópolis Unidos do Viradouro Unidos da Tijuca Terça-feira (17 de fevereiro) Paraíso do Tuiuti Unidos de Vila Isabel Acadêmicos do Grande Rio Acadêmicos do Salgueiro Escolas do Grupo Especial apresentam enredos para o Carnaval 2026[/gpt3]











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