Parlamentares e advogados apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolaram, nesta quarta-feira (14), um pedido de medidas cautelares junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O grupo solicita que o Estado brasileiro adote “providências urgentes” devido ao estado de saúde do ex-mandatário, detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
“Não podemos assumir que o presidente esteja sujeito a condições que coloquem sua vida em risco dentro da Polícia Federal”, declarou o senador Izalci Lucas (PL-DF).
VEJA TAMBÉM:
-

PGR é contra smart TV para Bolsonaro por risco de acesso à internet
-

Defesa diz que Bolsonaro precisa de “presença contínua de cuidador” em novo pedido de domicílio
O requisito sustenta que Bolsonaro, de 70 anos, é idoso e portador de “múltiplas comorbidades graves”, com um histórico complexo médico decorrente do atentado à faca sofrida em 2018. O documento reforça que ele passou por pelo menos nove cirurgias de alta complexidade, além de internações recorrentes, e necessidade de acompanhamento médico contínuo.
Os solicitantes alegam que as condições do cárcere são incompatíveis com o quadro clínico do ex-presidente e representam “risco concreto e iminente” à sua vida e integridade física. O pedido menciona episódios recentes de agravamento, incluindo uma queda dentro da cela — com diagnóstico de traumatismo craniano leve —, além de crises abdominais, refluxo severo e complicações neurológicas.
Queda na cela
A petição informa que houve embaraço judicial para a transferência imediata de Bolsonaro para um hospital após a queda, o que, na avaliação dos autores, agravou sua situação de vulnerabilidade. O texto também cita um relatório de vistoria institucional da Câmara dos Deputados, que apontou a inadequação do espaço de custódia para permanência prolongada, especialmente no caso de uma pessoa idosa com doenças crônicas.
O pedido foi apresentado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), pelos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO), Bia Kicis (PL-DF), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Hélio Lopes (PL-RJ), e pelos advogados Ezequiel Silveira, Maíra Miranda e a defensora pública Bianca Rosiere. Eles solicitaram que o CIDH determinasse a adoção de medidas alternativas, como a prisão domiciliar humanitária com acompanhamento médico especializado, a fim de evitar danos irreparáveis.
Violação de direitos
No documento, os autores afirmam que a manutenção da custódia nas condições atuais configura violação aos direitos à vida, à saúde e à integridade pessoal, previstas na Convenção Americana de Direitos Humanos. Eles citaram, ainda, precedentes do Sistema Interamericano sobre pessoas privadas de liberdade em situação de vulnerabilidade clínica.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos ainda não se manifestou sobre o pedido.











Deixe o Seu Comentário