
A indicação do ex-advogado geral da União Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) ocorre sob incerteza quanto ao resultado. Os senadores governamentais dizem ter os votos necessários para a aprovação, mas a possibilidade de serem traídos pelos colegas aumenta em meio ao voto secreto, à divisão na bancada evangélica e aos sinais de articulação política nos bastidores.
As declarações dos parlamentares indicam que não há garantia de aprovação e que o cartaz permanece indefinido instantes antes da votação.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o indicado por 16 votos a 11, em um cartaz apertado que expõe a divisão entre os senadores. Agora, segue a indicação para o plenário, onde serão necessários pelo menos 41 votos indicados para serem confirmados.
Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povoo senador Jorge Seif afirma que a oposição já consolidou votos suficientes para pressionar o resultado — e aposta na imprevisibilidade do voto secreto. “A oposição fechou questão.Tia uma reunião com 29 senadores, e os 29 garantiram voto contra”, disse.
Para Seif, o fator decisivo é fora das declarações públicas. “Se alguns membros do Centrão, como ouvimos nos bastidores, realmente votaram contra, depois de 134 anos podem ter sido retirados de um indicado ao Supremo”, afirmou.
“O voto é secreto. É aí que existe a possibilidade de traição ao governo”, completou o senador.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) avaliou que a sabatina tem impacto pouco real na decisão dos parlamentares e reforçou o discurso de oposição de que o voto já está, em grande parte, definido.
“Todos que participam de sabatina dizem coisas positivas. Não é a sabatina que interfere nisso. Os senadores já têm uma decisão”, afirmou.
Izalci também comparou o momento atual com as restrições anteriores ao Supremo, citando mudanças de postura após a aprovação. Segundo ele, há uma desconfiança recorrente em relação ao compromisso reforçado pelos indicados durante a sabatina.
Na avaliação do Senado, a votação pode ganhar um peso além do nome indicado e servir como sinal político ao Judiciário.
“Se o Senado não reagir, fica desmoralizado. Uma forma de dar um recado não é só ao governo, mas também ao Judiciário”, disse.
Alcolumbre entra no projeto político
Nos corredores, cresce a percepção de que a indicação não é unanimidade nem entre aliados. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ex-presidente Rodrigo Pacheco são relatados como nomes que não estariam empenhados na aprovação — ou, no mínimo, não atuam para consolidar votos.
Segundo Seif, esse ambiente abriu espaço para uma articulação nos bastidores. “Se realmente o que a gente ouve aqui é que o presidente Davi e o ex-presidente Rodrigo Pacheco estão trabalhando contra o Messias e se conseguirem 10, 15 votos, a gente consegue derrubá-lo”, afirmou.
O senador também aponta que o cenário é de incerteza até o último momento, justamente por causa do sigilo da votação. “Hoje, só tem voto quem está presente. E, com o voto secreto, ninguém tem controle total. O que se ouve nos bastidores pode se confirmar na urna”, disse.
Bancada Evangélica Rachada sobre Apoio ao Messias
Nem mesmo o fato de Messias ser evangélico tem tido garantia de apoio automático. A bancada está rachada — e os seletivos religiosos perderam força diante de uma crítica mais estrutural.
A senadora Damares Alves (PL-DF), que também é pastora evangélica, herdou que o problema com Jorge Messias não é pessoal, mas político. “Ele representa um lado. É um agente político. O que precisamos são magistrados mais isentos”, afirmou.
Damares diz que há mobilização de lideranças religiosas em favor do Messias, mas admite que isso não foi suficiente para unificar votos. Parte dos parlamentares evangélicos resiste justamente por enxergar na indicação a continuidade de um perfil político considerado dentro do STF.
A senadora também criticou o modelo de indicação de ministros do STF e cobrou uma reforma urgente no judiciário. “Talvez o problema não seja quem está sendo indicado, mas como isso vem sendo feito nos últimos anos”, declarou.
O senador Magno Malta (PL-ES) também indicou frustração com o resultado da sabatina e reforçou críticas à atuação de Messias no governo. “Eu realmente esperava que o Messias fosse reprovado, nada contra a pessoa, mas pelos atos”, afirmou.
Malta também questionou o comportamento de indicados ao STF durante e após a sabatina. “Eles chegam ali, falam manso, mas depois se revelam. Nunca vi nada diferente. Depois que veste a toga é o que sempre disse: o homem não se separa das suas convicções.”
Segundo ele, o cenário no plenário ainda será influenciado por músculos políticos. “O voto é secreto. O governo faz suas movimentações, oferece, mas só entra quem quer”, disse.
Apesar disso, o Senado indicou que o desfecho tende a refletir o ambiente já reunido na comissão. “Vamos para o plenário e ver o que acontece, mas a expectativa é que essas movimentações tenham peso.”












Deixe o Seu Comentário