
A violência crescente e a expansão do narcotráfico viraram os principais focos de preocupação dos deputados antes das eleições presidenciais da Costa Rica, um país que até poucos anos atrás era considerado um dos mais seguros da América Latina.
Em 2025, o pequeno território foi abalado por uma série de escândalos relacionados ao crime organizado, incluindo o desmantelamento do chamado Cartel do Caribe do Sul, descrito pelas autoridades como a primeira organização criminosa transnacional da Costa Rica, e a prisão do ex-ministro da Segurança Celso Gamboa Sánchez, sob acusações dos EUA de que ele liderava uma rede regional de tráfico de drogas. Esses acontecimentos elevaram a pressão sobre a política local meses antes do pleito marcado para próximo domingo (1º).
Os índices de violência também dispararam no ano passado. Somente em 2025, as autoridades apreenderam mais de 44 toneladas de cocaína, superando em muito as cerca de 27 toneladas de 2024, e as taxas de homicídio se aumentaram principalmente em importantes zonas de tráfico de drogas, como Limón, o principal porto do país.
Outrara considerada o país mais seguro da região, a Costa Rica agora tem o terceiro maior índice de homicídios da América Central, com 16,6 por 100.000 habitantes, o que se tornou um grande desafio para o próximo presidente.
Conheça os candidatos
Laura Fernández
Ao todo, 19 candidatos concorrem à presidência neste domingo. As pesquisas eleitorais da Costa Rica apontam para a candidatura conservadora Laura Fernándezex-chefe de gabinete do presidente Rodrigo Chávez, como favorita na corrida.
Um representante governamental, integrante do Partido Soberano do Povo (PPSO), alterou uma postura linha-dura em relação à segurança e ao crime organizado durante a campanha.
Fernández tem 39 anos e é formada em Ciências Políticas pela Universidade da Costa Rica (UCR). A ascensão política se consolidou com a eleição de Rodrigo Chaves para a presidência em 2022. Ela foi nomeada Ministra do Planejamento Nacional e Política Econômica (2022-2025) e, posteriormente, Ministra da Presidência (2024-2025) , onde moldou a agenda do governo em meio a reformas profundas.
Sua agenda política tem como foco novos investimentos em segurança e reformas no Judiciário. Uma de suas propostas defende o fortalecimento da segurança cidadã, com maior controle territorial e profissionalização da polícia.
Além disso, caso vença as eleições, avaliamos realizar reformas do sistema judicial e das instituições, buscando maior autonomia e eficiência nos serviços públicos.
Em relação ao narcotráfico, ela prometeu expandir o uso de scanners de carga em portos, aeroportos e fronteiras terrestres, bem como promover operações regulares contra pistas de pouso clandestinas e pontos de descarga ilegais de embarques usados para o tráfico de drogas.
Para isso, ela estuda uma maior cooperação internacional com a Agência de Combate às Drogas (DEA) dos EUA, a Interpol e a Europol, ao mesmo tempo em que intensifica o combate aos precursores químicos usados na produção de fentanil e outras drogas sintéticas.
Outra proposta ficou conhecida pela semelhança com a política de El Salvador para combater as gangues. Fernández propôs a aplicação de estados de exceção, nos quais as liberdades civis deveriam ser suspensas para identificar traficantes de drogas e assassinos em áreas de alta violência.
Álvaro Ramos
Outro candidato que deu destaque à luta contra o narcotráfico em sua agenda é o centrista Álvaro Ramos, do Partido Liberação Nacional.
Detentor de um currículo amplo na carreira pública e privada, o concorrente de Fernández é professor, economista e cientista da computação.
Em sua campanha, ele denuncia que a Costa Rica se tornou um país atraente para os narcotraficantes não apenas como ponte para o transporte de drogas com destino aos EUA e Europa, mas também como um mercado consumidor.
Suas propostas incluem a realização de grandes operações nacionais focadas nos bairros mais perigosos e conhecidos como refúgios do narcotráfico, bem como em áreas turísticas com os maiores índices de criminalidade.
Ramos também propõe a contratação de 6.000 novos policiais efetivos e a criação de um laboratório de balística biométrica para rastrear armas de fogo e seus proprietários. Para reduzir o fluxo de drogas, ele também planeja comprar e instalar scanners avançados e lacres eletrônicos, ou “contêineres inteligentes”, para operar a carga sem abrir os contêineres e para disparar alertas quando forem abertos ou adulterados pelo crime organizado.
Claudia Dobles
A representante da oposição de esquerda e ex-primeira-dama da Costa Rica, Claudia Dobles, da Coligação Agenda Cidadã, se opõe a qualquer limitação das garantias individuais no país, indo na contramão da proposta de importação de um estado de exceção como o de El Salvador.
Ela defende iniciativas preventivas e maior presença policial em comunidades de maior risco à segurança, com o auxílio de inteligência. “São permitir oportunidades e foco na educação para que nossos jovens não caiam nas mãos do crime organizado”, disse Dobles durante a campanha.
Dobles é arquiteta de formação e esteve na posição de primeira-dama entre 2018 e 2022 durante a presidência de Carlos Alvarado. À agência EFE, ela destacou que seu plano de governo se baseia em um diagnóstico da situação atual do país, marcado pelas exceções da segurança cidadã, pelo crime organizado e pelo declínio de indicadores internacionais que historicamente distinguiram a Costa Rica na região da América Latina.
Como parte da sua agenda política, ela prometeu reativar o Conselho Nacional de Segurança Presidencial, bem como a cooperação operacional entre a Força Pública, a Agência de Investigação Judicial, a Polícia Antidrogas e as polícias municipais, caso seja eleita no domingo.
Para a candidatura, a estratégia de segurança não pode depender apenas da ação policial, mas precisa ser integrada por uma estratégia abrangente que inclui a modernização dos sistemas judiciais, a atualização do quadro legal e estratégias de prevenção por meio de investimentos em educação e espaços públicos seguros.
Costarriquenhos irão às urnas para votar pela continuidade ou mudança política
A última pesquisa do Centro de Pesquisas e Estudos Políticos (CIEP) da Universidade da Costa Rica, divulgada nesta quarta-feira (28), coloca a candidata governamental Laura Fernández com 44% de apoio.
Seus principais concorrentes, Álvaro Ramos e Claudia Dobles, aparecem distantes com cerca de 9%, enquanto o número de participantes indecisos chega a 26%.
Um total de 3,7 milhões de costarriquenhos estão convocados a votar em 1º de fevereiro para decidir se manterão a continuidade do governo de Rodrigo Chaves com a candidatura Fernández ou se optarem por uma das 19 restantes para liderar o país no período de 2026 a 2030.

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