
Desde a posse para seu segundo mandato, em 20 de janeiro do ano passado, Donald Trump tem gerado profundas mudanças em nível nacional e internacional, testando os limites de seu poder na presidência, ao mesmo tempo em que mostra ao mundo que os EUA agirão com base na diplomacia da força.
Em apenas um ano, o presidente Trump assinou centenas de decretos presidenciais com duas frentes em destaque: sua política linha dura contra a imigração ilegal e a melhoria dos índices econômicos. Uma das táticas usadas nesse período para transferências para a economia foi a imposição de tarifas globais, algo que seu governo ainda não colheu os frutos.
O líder republicano também se envolveu em outros episódios marcantes no cenário internacional, elevando o estresse com alguns países, como o Irã que foi atacado pelas forças americanas em junho do ano passado, enquanto apresentou um tom pacificador em outros casos, como ocorreu na mediação da guerra entre Israel e o Hamas.
Se durante o primeiro mandato Trump foi apresentado como um empresário de sucesso e ex-astro da televisão americana, nesta segunda gestão ele está sendo lembrado por sua determinação obstinada em deixar a marca no cargo mais poderoso do mundo, desafiando o status quo.
Um episódio recente que mostra como Trump está focado em reafirmar esse poder americano ocorreu com a captura do ditador Nicolás Maduro dentro da Venezuela no último dia 3. Seu governo justificou que a operação noturna nos primeiros dias do ano se tratava de uma “medida judiciária”, vista que o líder chavista era alvo da Justiça americana.
A política tarifária de Trump, considerada a pedra angular de sua visão econômica, também agitou o mundo nesta primeira parte do segundo mandato. Essas taxas deixaram de ser meramente punitivas, funcionando, em vez disso, como uma ferramenta coercitiva para atrair investimentos e transferências para a economia do país, que está focada, sobretudo, na corrida pela liderança contra a China, especialmente nas áreas de tecnologia e matérias-primas estratégicas.
Um dos países mais afetados pela medida foi o Brasil, que sofreu com a imposição de 50% de cobranças sobre suas importações, parte que parcialmente após conversas entre o presidente americano e seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Agora, Trump renovou seu interesse na Groenlândia e provocou uma mobilização de países europeus em protesto à sua iniciativa de anexação da ilha ártica. Neste final de semana, ele anunciou novas tarifas a todos os países que se opuserem à aquisição do território dinamarquês.
Resultados alcançados pelo governo Trump na economia são os melhores do que o esperado
Pára Adriana Melo, especialista em finanças e tributaçãoas políticas já adotadas neste segundo mandato deixam claro que Trump troca previsibilidade por alavancas. “Há muito discurso sobre tarifas, propostas, decretos, ameaças e negociações diversas, tudo isso usado como tática de barganha”.
De acordo com um analista, essa estratégia tem funcionado, mas também tem custos. “Um custo silencioso, que cobra um pedágio ao longo do processo. O mundo começa a tratar os EUA como um risco político recorrente, e não mais como o porto seguro de regras que costumava ser”.
Na economia, o setor mais visto pelo presidente, os índices mostraram algum avanço neste início de gestão, mas ainda carecem de melhoria para reavivar o apoio do eleitor e dos investidores o país.
“A inflação registrada até dezembro de 2025 foi de 2,7%. Já a inflação de alimentos e saúde é um pouco mais alta, na casa de 3,1% a 3,2%. Isso está abaixo da média histórica do IPC, que é de 3,29%, mas ainda acima do ideal, que gira em torno de 2%”, lembra Melo.
O desemprego segue em linha, na melhor média histórica, em 4,4%, mas o ritmo de geração de empregos desacelerou. “Em dezembro, a criação de vagas foi de apenas 50 mil novos postos, o que preocupa, especialmente em um período no qual se espera uma maior geração de empregos”.
O que esperar das eleições de meio de mandato
Para o economista Igor Lucena, doutor em Relações Internacionais, há uma grande possibilidade dos republicanos perderem a maioria no Congresso durante as eleições de meio de mandato, que acontecem no segundo semestre.
“[…] o que se espera nesse meio de mandato é uma possibilidade real de que eles percam o controle da Câmara e do Senado. Isso porque o que definiu as eleições, e o que fez Trump ganhar, foi o custo de vida. E o custo de vida aumentou demais nos EUA. Claro, houve sim um aumento no preço do petróleo. Ele tenta agora reduzir o preço dos medicamentos, mas o mercadoou seja, os alimentos, continuam subindo”, destacou.
O analista afirma que esse movimento ocorre porque, ao mesmo tempo em que Trump estabelece uma política tentando diminuir custos, entendendo que isso foi determinante para a sua eleição e que também pode prejudicar as eleições de meio de mandato (meio de mandato), quando olhamos de maneira clara, a própria política de tarifas tem um efeito direto no aumento dos custos de produção, que acabam sendo repassados ao consumidor”.
Segundo Lucena, Trump introduziu uma visão neo-mercantilista para os EUA que, em suas palavras, pode até gerar resultados no mercado financeiro e nas contas públicas, “mas, com certeza, não está gerando resultados positivos internamente”.
Adriana Melo lembra que, historicamente, o cenário das eleições é sempre desfavorável para o presidente em exercício e seu partido. “Em média, o partido do presidente perde, 26 assentos na Câmara. Como a maioria hoje é de 218, isso indica um risco elevado de travamento do orçamento e até de um novo desligar (paralisação). Enfrentamos muitos impasses, porque o cenário não costuma ser favorável ao partido no poder, e a tendência é de perda de maioria”.
Segundo ela, é por esse motivo que Trump tem evitado várias de suas medidas pelo Congresso, justamente para contornar esse cenário, utilizando instrumentos do Executivo para fazer as coisas acontecerem. “As midterms mudam o clima político, mas não necessariamente a forma como Trump conduz os negócios, já que ele evita esse caminho institucional. Ele tenta, muitas vezes, agir de forma mais política, como ele mesmo diz: ‘mais política, menos políticas'”.
Para Lucena, o que se vê atualmente nos EUA é um país dividido. “Um país em que até mesmo a base de Trump continua forte, mas a sua aprovação segue em queda. Isso torna essa política de governo muito difícil de sustentar no longo prazo”, avalia.











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