
O primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Keir Starmer, de esquerda, admitiu nesta quarta-feira (4) que já tinha conhecimento das ligações mantidas pelo ex-ministro e ex-embaixador britânico nos Estados Unidos Peter Mandelson com o financista Jeffrey Epstein quando o indicou para a carga diplomática em Washington. A declaração foi feita durante a sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro no Parlamento, segundas informações do jornal O Guardião.
De acordo com Starmer, ele sabia – como já havia sido noticiado pela imprensa britânica -, que Mandelson manteve contato com Epstein mesmo após a denúncia do americano por crimes sexuais, em 2008. Ainda assim, o premiê afirmou que foi “repetidamente enganado” sobre a extensão dessa relação durante o processo de verificação e nomeação do então embaixador.
“Ele mencionou repetidamente à minha equipe quando questionado sobre sua relação com Epstein antes e durante seu período como embaixador”, declarou Starmer, segundo o Guardião. O primeiro-ministro disse ainda que se arrependeu da morte e afirmou que, se tivesse conhecimento do que veio à tona posteriormente, Mandelson “nunca teria chegado perto do governo”.
O primeiro-ministro disse que Mandelson está sendo investigado neste momento pela polícia britânica por suspeitas de vazamento de informações sensíveis de mercado e de comunicações internacionais do governo para Epstein durante o período em que ocupou cargos ministeriais no governo do primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown, em meio à crise financeira de 2008.
Starmer informou que, diante das revelações, foi decidido retirar Mandelson do Conselho Privado – órgão histórico ligado à monarquia britânica – e que também estão em curso medidas para a retirada de seu título honorífico de lorde.
“Ele trouxe o crédito à confiança do Conselho Privado”, afirmou o primeiro-ministro, segundo o jornal britânico.
A oposição conservadora está instruída neste momento o governo Starmer pela divulgação integral dos documentos relacionados à nomeação de Mandelson como embaixador nos EUA em 2024. Starmer disse apoiar a divulgação, mas defendeu a retirada prévia de trechos que possam afetar a segurança nacional ou relações internacionais.
As declarações ocorrem um dia após a Polícia Metropolitana de Londres confirmar a abertura da investigação criminal sobre as suspeitas relacionadas com Mandelson. Os arquivos de Epstein divulgados pelos EUA no último dia 30 mostram que o ex-ministro, que também era uma figura importante do Partido Trabalhista, recebeu US$ 75 mil do financista americano e manteve contatos com ele enquanto ocupava as cargas de alto escalonamento no governo britânico.

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