
Mostrar sem perrengue? Especialistas revelam estratégias que podem melhorar megaeventos Para além de um espetáculo com mega sucessos, o retorno de Shakira ao Rio de Janeiro neste sábado (2) também será um teste de logística para a cidade. A organização em uma estratégia comum em festivais, mas nem sempre aplicada em megashows: esticar a programação com atrações após o show principal. O objetivo é em vez de centenas de milhares de pessoas correrem para o metrô ao mesmo tempo, uma parte específica do público permanecer no local, permitindo uma dispersão gradual. A apresentação da cantora colombiana está prevista para terminar à meia-noite. Para conseguir “achatar a curva” da saída, a organização aposta em um “depois”, a partir das 0h15, com Papatinho e e Melody. Confira os horários dos shows: A cantora colombiana Shakira Getty Images 17h45 às 18h45: Vintage Culture 19h00 às 20h30: Maz 21h45 às 00h00: Shakira A partir de 00h15: Papatinho convida MC Melody Relembre como foi em Lady Gaga O show de Lady Gaga, no Todo Mundo no Rio, em 3 de maio de 2025, lançado mais de 2 milhões de pessoas na praia de Copacabana, segundo a Riotur. Foi cheio, bonito, e bem-sucedido em muito sentidos. Mas para uma fração das pessoas que compareceu ao evento, a dificuldade para ir embora e pegar o transporte público foi um problema… que quase estragou a experiência. Tinha como um evento desse tamanho não ser caótico? Dependência. Por um lado, até festivais como o Lollapalooza e o Rock in Rio, com lotação bem menor e ambientes mais controlados, enfrentam esse tipo de desafio. Mas por outro lado, sempre dá para minimizar o problema. “Um bom planejamento é aquele que as pessoas realmente não percebem. Você não quer que o transporte ou a segurança sejam a manchete”, conta Kaitlin Coari, especialista em coordenar cidades para sediar grandes eventos. O g1 reuniu profissionais internacionais que trabalham com megaeventos, como Olimpíadas e grandes shows, e eles explicaram como fazer para minimizar os perrengues do público. Entenda os pontos principais: Planejamento integrado Mapeamento de diferentes cenários Entradas e saídas Transporte, segurança e sinalização Infográfico mostra como facilitar o fluxo de pessoas em grandes eventos Editoria de arte/g1 O g1 queria conversar sobre multidões com três das maiores produtoras brasileiras, mas elas não quiseram dar entrevistas. A Live Nation declarou que a área de movimento de pessoas faz parte do setor de segurança e é um assunto “levado a sério”. A Rock World disse que essa é uma preocupação de seus eventos (Rock in Rio, The Town e Lolla). A 30e não quis falar. Planejamento Um evento integrado – de qualquer tamanho – deve ser pensado como uma jornada completa, do trajeto de uma pessoa ao sair de casa, até o local do evento, e depois o caminho de volta. Esse planejamento inclui acesso ao local, entrada, uso do espaço interno e saída. “Precisa haver um planejamento realmente proativo e um verdadeiro programa de prontidão em torno de diferentes cenários”, explica Kaitlin. Isso deve começar o quanto antes, o que pode ser de anos a meses dependendo do evento. Lady Gaga já fechou show em Copacabana? Agora, é preciso reunir as principais entidades responsáveis pela organização. Isso inclui não apenas a produção do evento, como instituições de segurança, transporte e até o comércio local. A partir disso, eles levam em consideração as variações envolvidas. Telões do show de Lady Gaga na Praia de Copacabana Bruna Prado/AP Um especialista aponta que as edições anteriores do evento (ou similares) sempre são levadas em conta –mas é preciso trabalhar com tudo que pode mudar em termos de público e comportamento. “Cada evento é único em muitos aspectos. Seja o local em si ou o tipo de público que comparece, os artistas, os fãs ou de quem quer que seja que os receba. Então, todos esses perfis diferentes precisam ser levados em consideração.” Com relação ao show de Madonna em Copacabana, por exemplo, os fãs de Gaga tendem a ser mais jovens; além disso, o público poderia se sentir mais seguro para acontecer em 2025 dado o sucesso de 2024. Tudo isso influencia. Cenários Como estimar a quantidade diferente de pessoas em um evento gratuito? Os profissionais ouvidos pelo g1 apontam que só há uma solução: prever diferentes cenários. O inglês Brett Little — que trabalha com “movimentação de pessoas”, ou seja, a coordenação do fluxo do público nesses eventos — citou o exemplo de corridas olímpicas. Sem venda de ingressos, a lotação de eventos desse tipo depende até do clima. “Você simplesmente não sabe o que vai acontecer.” Então, é preciso imaginar os cenários e seus respectivos planos. Multidão em show de Madonna no Rio em 2024; público estimado foi de 1,6 milhão de pessoas Fernando Maia/Riotur “Ao atingirmos certos números, sabíamos quais estações de transporte ficariam sobrecarregadas. Havia diferentes planos de transporte em vigor, dependendo de quantas pessoas comparavam. Se ultrapassasse um determinado número, outras medidas seriam acionadas”. O importante é que nenhum dos envolvidos seja pego desprevenido. Já em um festival ou megashow que tem venda de ingressos, é mais fácil prever a lotação do evento. Mas é preciso calcular o fluxo de pessoas ao longo do dia e garantir que, caso muito antes do esperado, ou mesmo consiga atender o público. Entradas e saídas Se tem muita gente no evento, é claro que vai ter fila. O jeito, então, é garantir que as pessoas fiquem o menos estressadas possíveis e que a movimentação seja organizada. Brett conta que há soluções pensadas para cada tipo de aglomeração — você pode, por exemplo, informar o tempo de espera na fila, o que já acontece em parques temáticos. Isso ajuda o público a se organizar e reduz a frustração. Além disso, ele relata que filas mais longas (tipo zigue-zague) podem ser eficazes. Parece contraditório, mas a maior parte das pessoas prefere andar devagar ao longo de um grande caminho do que ficar paradas em uma pequena fila. “Movimento dá sensação de progresso”, diz Brett. Outra solução pode ser alocar outras atrações e “distrações” após o artista principal, como um DJ ou ativação de marca. No caso de eventos como o Lollapalooza, o fato do último show ser a atração principal complica a saída dos fãs. Apresentações como a de Billie Eilish, em 2023, ou de Olivia Rodrigo, em 2025, reuniram cerca de 100 mil pessoas, muitas delas indo embora simultaneamente após a apresentação. Público durante show no Lollapalooza 2023 em São Paulo Fábio Tito/g1 “Muitas pessoas só querem sair, muitas pessoas querem ir para casa, e tudo bem. Mas se você tem algumas ativações, você meio que captura as pessoas dessa forma. E também você meio que espalha a saída, espalhando a fila eventualmente”, explica Kaitlin. O público também pode ser direcionado para saídas mais longas ou alternativas para reduzir a pressão nos acessos principais. “Então eles têm que andar para chegar lá porque, novamente, isso só desacelera a multidão, desacelera tudo, controla tudo.” “O que você não quer é que todos que estão dentro do show de repente saiam do lado de fora da estação e fiquem ali esperando porque ninguém está feliz”. Transporte, segurança e sinalização Os profissionais afirmam que informar é essencial: antes (nas redes sociais e em pontos de informação) e durante o evento (com sinalização clara). É preciso também levar em contato com o perfil do público e a forma como ele se comunica: em eventos com muitos gringos, como Copa do Mundo, placas com sinais visuais podem ser mais eficazes do que escrever os comandos em inglês. Kaitlin aponta que é “crítico” ter uma equipe informada e de prontidão em campo, ou que inclua ajuda voluntária, funcionários ou segurança. Também é papel do organizador sugerir a melhor forma de ir embora, e garantir que isso seja bem comunicado. No “Gagacabana”, a Prefeitura sugeriu a estação Siqueira Campos. Não deu muito certo. Fãs se reúnem antes do show aberto de Lady Gaga na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Daniel RAMALHO / AFP Para Brett, só faz sentido direcionar o público para uma estação específica caso ela seja de grande porte. “É necessário calcular quanto do público cada estação pode abarcar. Se uma estação só comporta 20% do público, é necessário direcionar os outros 80% para outras opções. Às vezes é mais lógico enviar-las um pouco mais longe”. Kaitlin reforça que é possível lidar com apenas uma estação, mas isso também requer organização. “Há maneiras de alongar a fila de tal forma que talvez seja um pouco irritante no momento para o cliente. Mas na verdade isso ajuda no estado mental deles, no fluxo e na segurança deles no trem ou ônibus ou qualquer outra coisa, contanto que você mantenha a fila andando”. “Então, você nunca quer que essas filas parem, porque é aí que as pessoas ficam meio inquietas e inicialmente a ficar um pouco preocupadas com a segurança, meio que empurrando e aglomerando”.
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