O futuro político da Venezuela após a destituição do ditador Nicolás Maduro no último dia 3 segue envolto de incertezas.
Por um lado, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país sul-americano não está preparado para realizar eleições imediatamente e permitiu que o regime chavista permanecesse no poder temporariamente.
Em contrapartida, os chavistas que continuam à frente do poder têm dado sinais de que não aceitam o envolvimento americano da maneira como foi proposta.
Trump encarregou o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e a de Segurança Interna e Migração, Kristi Noem, de coordenar a transição na Venezuela e garantir que a ditadora interna do país, Delcy Rodríguez, “coopere”.
Quem são as figuras do chavismo que permanecem no poder
Delcy Rodríguez

A segunda na linha de sucessão do ditador deposto Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez é uma figura de confronto com histórico na esquerda venezuelana e que se tornou o representante mais poderoso do chavismo.
Com o aval do governo Trump para manter o regime em vigor, ela é vista no momento como uma figura-chave na interlocução com a Venezuela.
A ditadora interina, de 56 anos, serviu primeiramente o ditador socialista Hugo Chávez e depois trabalhou ao lado de Maduro em diversas funções para manter o chavismo de forma ilegítima no poder.
O governo Trump declarou que o escolhido para liderar o governo de transição está “cooperando” de acordo com a critério imposto pelos EUA.
Diosdado Cabello

Considerado a mais linha-dura dos líderes remanescentes do regime, Diosdado Cabello é o rosto da ala militar do chavismo desde o seu início, responsável por executar as ordens repressivas do ditador deposto Maduro contra a oposição.
Ele liderou as forças de segurança do Estado e unidades pró-regime estrategicamente formadas dentro da sociedade, os coletivos, grupos que propagam o terror em prol da ditadura.
Cabello esteve à frente das ações violentas que resultaram em mortes e prisões durante protestos de rua após as eleições de 2024. O chavista é conhecido internacionalmente como o mentor do aparelho repressivo do Estado venezuelano.
Após a remoção de Maduro pelos EUA, ele convocou militares e policiais a “manterem a ordem” em um discurso na televisão estatal, mas não apareceu vestido com um colete à prova de balas e cercado por forças de segurança armadas.
Jorge Rodríguez

Dois dias depois da captura de Maduro, o deputado Jorge Rodríguez, irmão da ditadora interina Delcy Rodríguez, foi reeleito presidente da Assembleia Nacional (AN, Parlamento) da Venezuela.
Psiquiatra de formação, o chavista trabalhou como vice do regime de Hugo Chávez e ajudou uma elite econômica a ascender no sistema socialista implementado inicialmente pelo antecessor de Maduro.
O pai de Jorge e Delcy, Jorge Antonio Rodríguez, é um conhecido guerrilheiro de linha marxista e cofundador da Liga Socialista, um movimento militante de esquerda muito ativo nas décadas de 1960 e 1970.
O deputado aliado do ditador deposto e que comandou o Parlamento venezuelano ganhou notoriedade ao liderar o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) entre 2003 e 2006, período no qual foi acusado de obstruir o processo de referendo revogatório contra Chávez, iniciado pela Coordenadoria Democrática que então reuniu dissidentes, ao rejeitar as assinaturas coletadas em pedido à solicitação.
Do CNE, ele ascendeu ao cargo de vice-líder do regime Chávez, cargo que ocupou a partir de 2007. Ele também foi um dos fundadores do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), partido governista, pelo qual coordenou mais de dez campanhas eleitorais.
Os irmãos Rodríguez estão sob avaliações do Departamento do Tesouro dos EUA desde 2018 para ajudarem Maduro a “manter o poder e consolidar seu governo autoritário”.
Vladimir Padrino López

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, foi um importante aliado de Maduro nos anos de regime para ter conseguido manter as Forças Armadas sob controle desde 2014.
A influência que Padrino mantém entre os militares permite ao chavismo permanecer com seu domínio ideológico numa área sensível do país, a militar.
No domingo, um dia após a operação realizada na captura de Maduro, Padrino Lópeza declarou que a ação militar americana eliminou grande parte da equipe de segurança do ditador deposto Nicolás Maduro, além de soldados e civis inocentes.
Ele classificou a operação dos EUA como “assassinato frio e deliberado” de agentes de segurança e reafirmou seu apoio a Maduro, solicitando sua liberação imediata.












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