
O ditador Nicolás Maduro será julgado no Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York pelo juiz Alvin Kenneth Hellerstein, de 92 anos. O primeiro encontro com Hellerstein ocorre nesta segunda-feira (5), na audiência inicial, procedimento semelhante à audiência de custódia no Brasil. Na ocasião, são lidas as acusações e o réu pode ser declarado culpado ou inocente. Maduro será representado por um defensor público.
Alvin nasceu em Nova York de 1933, no auge da Grande Depressão, período marcado por uma forte crise econômica no país. Judeu ortodoxo, já foi presidente do Conselho de Educação Judaica. Em 2013, ele e sua família sofreram ofensas consideradas “inequivocamente antissemitas” em petições envolvendo um dos julgamentos mais famosos de que participaram, referentes aos atentados de 11 de setembro. A postura de Hellerstein foi elogiada por advogados das famílias dos mortos: “Ele recebeu meus clientes em seu gabinete por mais de uma hora para ouvi-los. Ele, mais do que ninguém, compreende profundamente a dor.”
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O juiz, no entanto, surpreendeu as partes ao negar uma indenização de US$ 657,5 milhões aos trabalhadores que atuaram no resgate e limpeza dos escombros. O conhecido como “juiz empático do 11 de setembro” chamou os resgatistas de heróis, mas consideravelmente o valor inadequado.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Bronx e em artes pelo Colégio de Colúmbia, foi primeiro-tenente do Exército americano, participando do corpo jurídico da corporação. Apesar da ligação com o judaísmo e com o Exército, sua indicação ao juiz distrital, em 1998, veio de um presidente democrata: Bill Clinton. A indicação foi confirmada por unanimidade pelo Senado americano. O republicano Donald Trump já teve uma das acusações criminais contra si na mesa de Hellerstein, que buscou declinar a competência para o Judiciário Federal.
As decisões relacionadas à política do presidente americano, porém, caminharam em sentidos diferentes: ao mesmo tempo em que decidiram redução de penas com base em religião ou nacionalidade, já bloquearam deportações, inclusive de venezuelanos.
Ainda em relação à Venezuela, o ex-general do regime chavista Hugo Carvajal Barrios já se declarou acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas ao juiz que agora analisará o caso de Maduro. O caso de Carvajal ainda não terminou.











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