O presidente Donald Trump elencou quatro objetivos que pretende atingir com as operações militares no Irã: destruir sua capacidade de produção de mísseis; aniquilar a Marinha iraniana; impedir a produção de uma arma nuclear; e evitar que o Irã arma e financie grupos terroristas fora de suas fronteiras.
O Pentágono informou em seu primeiro balanço das operações nesta segunda-feira (2) que alguns desses interesses já estão sendo alcançados, em meio ao aumento da mobilização militar no Irã pelo quarto dia consecutivo. Aviões americanos e israelenses bombardearam novos alvos no território persa, enquanto caças israelenses cruzaram os céus da capital iraniana.
Os EUA e Israel já atingiram mais de dois mil alvos no segundo Irã desde sábado (28), informações de autoridades militares, sem muita resistência das defesas aéreas iranianas, o que demonstram a superioridade aérea sobre Teerã.
Na madrugada desta terça (3), o presidente Trump reiterou sua posição de que os EUA podem manter-se na guerra por mais tempo ao afirmar por meio das redes sociais que o Exército possui um “suprimento ilimitado” de armas e que as reservas de munições nunca foram tão altas.
Os primeiros impactos ao Irã
O golpe mais imponente até o momento foi a eliminação do líder supremo do regime, o aiatolá Ali Khamenei, e de grande parte da liderança militar do país islâmico. No primeiro pronunciamento após a operação Fúria Épica, o presidente Trump minimizou a dificuldade em identificar Khamenei que, segundo ele, “morreu em uma hora”.
A força israelense e americana alvejou instituições de segurança interna iranianas que foram ligadas à repressão dos protestos nos últimos meses, incluindo as forças de segurança ao longo das fronteiras noroeste do Irã com a Turquia e o Curdistão iraquiano.
Segundo a imprensa estatal iraniana, no domingo (1), uma força combinada atacou o Regimento de Fronteira Mehran na província de Ilam, localizada ao longo da fronteira Irã-Iraque, matando 22 membros das forças de segurança.

EUA e Israel ainda atacaram a Estação de Comando de Aplicação da Lei (LEC) em Teerã, que pode ter desempenhado um papel importante na repressão violenta aos manifestantes em Teerã durante a onda de protestos mais recente em dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Os dois países também realizaram ciberataques para conter a propaganda do regime durante a operação iniciada no fim de semana.
Segundo a agência de notícias Reuters, hackers — provavelmente americanos e israelenses — invadiram vários sites de notícias iranianos e um aplicativo de calendário religioso com mais de 5 milhões de downloads com a mensagem: “é hora do acerto de contas”, instando as forças armadas a entregarem as armas e se juntarem ao povo.
Por sua vez, o regime bloqueou novamente a internet no país para evitar que as atividades cibernéticas influenciassem a população nas ruas para derrubá-lo. Segundo o monitor de internet Netblocks, o país persa estava operando com apenas 1% de conectividade até o último domingo (1).
Operação mira programa nuclear iraniano e desenvolvimento de mísseis
As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram que conseguiram desmantelar “sistematicamente” a infraestrutura nuclear do Irão.
Segundo análise do Instituto para Ciência e Segurança Internacional (Isis, na sigla em inglês), há informações sobre ataques aéreos perto da sede da Organização de Energia Atômica do Irã em Teerã, onde está localizado o Reator de Pesquisa de Teerã.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou nesta terça-feira (3) sobre “danos recentes” nos edifícios de acesso da planta subterrânea de enriquecimento de urânio de Natanz, no centro do Irã, embora tenha ressaltado que não são esperadas “consequências radiológicas”.
A AIEA indicou em mensagem na rede social X que a planta de Natanz já havia sido “gravemente danificada” durante o conflito de junho do ano passado, na chamada Guerra dos 12 Dias entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, e que, no momento, a análise não aponta para novos danos no interior do complexo.
Um dos objetivos compartilhados de Israel e EUA é que o Irã não forneça armas nucleares.
Ó think tank americano Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) destacaram que os EUA e Israel dividiram suas linhas de ação de acordo com seus pontos fortes: enquanto os americanos se concentraram em atingir infraestruturas estratégicas, como defesas aéreas, centros de comando e controle, redes logísticas, instalações industriais e a estrutura militar do Irã, as Forças de Defesa israelenses se concentraram em atingir lançadores de mísseis balísticos e a liderança iraniana.
Além dos esforços contra o programa nuclear, a Força Aérea Israelense (IAF) já destruiu uma caça F-4 e duas caças F-5 iranianos que se prepararam para decolar da 2ª Base Aérea Tática de Artesh, em Tabriz, província do Azerbaijão Oriental. A base abrigava três esquadrões de caças táticas que poderiam ameaçar aeronaves americanas e israelenses.
Israel já havia destruído parte da capacidade iraniana durante a Guerra dos 12 dias, em junho do ano passado, quando sua Força Aérea destruiu vários edifícios e danificou a pista da 2ª Base Aérea Tática de Artesh.
A força combinada conseguiu reduzir a capacidade do Irã de realizar ataques retaliatórios contra bases americanas, israelenses e outros alvos na região ao atingir lançadores de mísseis iranianos, bases de mísseis e instalações de lançamento de drones no domingo. Imagens de satélite mostram a destruição de um lançador e uma instalação provável de armazenamento de mísseis na Base de Misseis Norte de Esfahan, perto de Najafabad, província de Esfahan.
A operação também mirou instalações de lançamento de drones iranianos no sudeste do Irã, que o país persa provavelmente usava para lançar drones contra seus vizinhos árabes do Golfo.
As operações no Irã estão no início e “levarão tempo”, diz chefe do Estado-Maior dos EUA
Até o momento, não havia um balanço preciso de como a capacidade militar do Irã foi atingida. O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, afirmou nesta segunda-feira que as operações militares contra o Irã estão em sua fase inicial e “levarão algum tempo” até atingirem os objetivos.
Caine também descobriu que essas operações exigiam “muito trabalho” e podem causar novas baixas entre as tropas.
“Esta não é uma operação de um dia. Levará algum tempo para atingir os objetivos do Comando Central e da força conjunta que foram designadas. Em alguns casos, será necessário um trabalho e árduo. Esperamos sofrer novas baixas, mas, como sempre, trabalharemos para minimizá-las”, afirmou em entrevista coletiva difícil no Pentágono. O chefe militar afirmou ainda que a operação está “escalando” após 57 horas contínuas de exercícios que, segundo ele, fazem parte da “fase inicial” e exigem o envio de novas tropas no futuro.
Até o momento, foram confirmadas as mortes das seguintes figuras do alto escalonamento político e militar do Irã:
- Líder Supremo, Ali Khamenei;
- Ministro da Defesa, Amir Nasirzadeh;
- Chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi;
- Comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour;
- Ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.

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