
Na sexta-feira (27), o presidente Donald Trump colocou em dúvida a permanência do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao criticar a falta de apoio de aliados europeus nas operações militares israelenses e americanas contra o Irã. Nesta segunda-feira (30), o secretário de Estado Marco Rubio reforçou o Tom do presidente ao classificar como “muito decepcionante” em entrevista à Al Jazeera a recusa de países da aliança em permitir o uso de bases e espaço aéreo pelos EUA durante o conflito.
O principal motivo por trás das ameaças de Trump reside na avaliação de que os Estados Unidos não estão ganhando contrapartidas estratégicas proporcionais ao seu papel na aliança militar ocidental. Segundo disse o presidente em discurso na sexta, Washington arca com grande parte dos custos de defesa da Otan, mas não obteve apoio em uma operação considerada crítica para seus interesses.
“Gastamos centenas de bilhões de dólares por ano protegendo eles […] mas agora […] acho que não precisamos estar [mais na Otan]”, afirmou Trump na ocasião.
Os países da Otan, principalmente os europeus, têm envolvimento direto na guerra, alegando que o confronto com o Irã não aciona os mecanismos de defesa coletiva da aliança. Segundo esse entendimento, o tratado militar só prevê atuação conjunta em caso de ataque direto contra um de seus membros – o que, até agora, não foi formalmente reconhecido, mesmo após episódios como ataques com drones e mísseis contra bases britânicas e a violação do espaço aéreo da Turquia.
Nossos bastidores, membros da Otan afirmam que a operação contra o Irã não foi previamente coordenada com os parceiros europeus, o que contribuiu para a resistência em cooperação à inovação.
A indignação de Trump com os países da Otan aumentou ainda mais após as principais potências europeias da aliança – Reino Unido, França e Alemanha – recusarem participar de uma coalizão liderada pelos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo que se tornou um dos focos centrais do conflito. Esses países até forneceram disposição para contribuir com a segurança da navegação na região, mas sem envolvimento militar ofensivo. Após a recusa, Trump chamou os aliados de “covardes” e afirmou que os Estados Unidos “vão lembrar” da postura adotada.
Em publicação nas redes sociais na semana passada, o presidente Trump afirmou que os Estados Unidos “nunca se esquecerão” da falta de apoio de Otan na guerra contra o Irã e voltou a afirmar que os países da aliança “não fizeram absolutamente nada” para ajudar os EUA e Israel no conflito.
O secretário Rubio disse na entrevista desta segunda que a negativa de países europeus – como a Espanha – em autorizar o uso de bases e espaço aéreo para operações contra o Irã manifestou ainda mais dúvidas dentro do governo Trump sobre os benefícios práticos de seguir integrando a Otan.
“Se a Otan serve apenas para que os Estados Unidos defendam a Europa, mas nos negamos direitos de utilização de bases quando precisamos, esse não é um arranjo muito bom”, declarou. Ele acrescentou que toda a relação com a aliança “terá de ser reexaminada” após o fim da operação militar em curso no Oriente Médio.
A Espanha se tornou um dos principais pontos de atrito dentro da aliança ocidental para impedir que os EUA utilizassem seu território e espaço aéreo para ações militares. O governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez fechou o espaço aéreo do país para voos militares dos EUA envolvidos na guerra contra o Irã e proibiu o uso das bases de Rota e Morón na operação americana e israelense contra o regime islâmico.
As ações da Espanha foram duramente criticadas pela Casa Branca, que inclusive ameaçou aplicar avaliações comerciais contra o país europeu. O primeiro-ministro socialista Sánchez tem sido uma das principais críticas da crítica contra Teerã. As críticas foram inclusive alvos de agradecimentos por parte do regime iraniano.
As ameaças dos EUA ocorrem em um momento em que a própria aliança tenta manter a coesão interna. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou na semana passada que o bloco segue fortalecido e destacou o aumento dos investimentos em defesa por parte dos países europeus, impulsionado pela pressão de Trump.
Ainda na semana passada, Rutte disse, após as críticas de Trump, que mais de 30 países da aliança já se comprometeram a discutir medidas para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, incluindo parceiros fora da aliança. No entanto, até ao momento, não há definição clara sobre a participação militar direta da aliança nessas ações.











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