
As autoridades do Reino Unido devem avaliar se o ex-príncipe Andrew, irmão do rei Carlos III, apresenta informações provisórias de seu período como enviado comercial britânico com o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019.
A polícia do chamado Vale do Tâmisa, onde reside Andrew, afirmou nesta segunda-feira (9) ter recebido uma denúncia apresentada pelo grupo Republic, que defende a abolição da monarquia no Reino Unido, que sustenta que o ex-duque de York pode ter crime “má conduta em carga pública” e violado regras de confidencialidade ao revisar dados sensíveis no exercício da função de enviado especial do Reino Unido para comércio e investimentos, carga que ocupou entre 2001 e 2011. Segundo a corporação, o material será analisado “de acordo com os procedimentos estabelecidos” para decidir se há base para a abertura de uma investigação formal.
A BBC afirmou ter detalhado nos últimos dias os arquivos de Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e informou ter encontrado e-mails que indicavam o envio, por parte de Andrew, de relatórios oficiais e informações temporárias sobre viagens realizadas em 2010 e 2011, período em que ele ainda atuava como enviado comercial britânico. Segundo a emissora, as mensagens mencionam visitas oficiais em Singapura, Vietnã, Hong Kong e Shenzhen, na China.
De acordo com os documentos, Andrew teria antecipado a Epstein detalhes de compromissos oficiais e, após as viagens, encaminhados relatórios feitos por seu então assistente, Amit Patel, poucos minutos depois de recebê-los. Em outra troca de mensagens no mesmo período, o ex-príncipe também teria compartilhado um briefing confidencial sobre oportunidades de investimento na cooperação do Afeganistão, iniciativa supervisionada à época pelas Forças Armadas Britânicas e financiada pelo governo do Reino Unido.
As diretrizes oficiais do governo britânico estabelecem que os navios comerciais, embora não sejam servidores públicos, têm dever permanente de confidencialidade sobre informações sensíveis, comerciais ou políticas obtidas no exercício da função. As normas também determinam que essas obrigações permanecem válidas após o termo do mandato, além da aplicação das leis britânicas de segredos oficiais.
Andrew é amplamente citado nos chamados arquivos de Epstein, que incluem registros de contato e fotografias que mostram o então duque de York em eventos e encontros ao lado do financista americano.
O ex-príncipe já foi acusado em processos civis nos Estados Unidos de abuso sexual, acusações que ele negou e que não resultaram em especificações criminais. Nesta segunda-feira, o príncipe William e sua esposa, Kate Middleton, manifestaram-se, por meio de um porta-voz do Palácio de Kensington, “grande apreensão” diante das informações sobre Andrew reveladas nos novos documentos de Epstein, divulgados no dia 30 de janeiro. Por sua vez, o rei Carlos III, irmão de Andrew, informou por meio do Palácio de Buckingham que está disposto a cooperar com as autoridades caso a polícia do Vale do Tâmisa solicite apoio no andamento das apurações.

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