
Nesta terça-feira (24), a invasão russa à Ucrânia completou quatro anos. Sob a mediação dos Estados Unidos e do presidente Donald Trump, Kiev e Moscou buscam um acordo de paz, mas o controle de cidades estratégicas no leste ucraniano trava o consenso sobre territórios e segurança.
O que são as chamadas cidades-fortalezas?
São cidades no leste da Ucrânia, como Sloviansk, Kramatorsk e Kostiantynivka, que foram transformadas em verdadeiros labirintos defensivos. Desde 2014, o exército ucraniano construiu nessas áreas um sistema complexo de trincheiras, bunkers e fossos para impedir a passagem de tanques. Como não existem barreiras naturais no local, como grandes montanhas ou rios largos, essas construções humanas são os únicos obstáculos que impedem o avanço total da Rússia na província de Donetsk.
Por que essas cidades são o maior impasse para um acordo de paz?
Porque elas representam o último domínio de Kiev na província de Donetsk, um dos principais objetivos de Vladimir Putin. Para a Rússia, conquistar essas cidades significa declarar vitória total na região do Donbass. Para a Ucrânia, entregá-las seria assumir que a agressão russa foi recompensada. Como os mediadores americanos admitiram discutir concessões de terra, essas cidades viraram a principal ‘moeda de troca’ nas mesas de negociação internacionais.
Qual é a tática militar usada pela Ucrânia nessas regiões?
A Ucrânia utiliza nessas cidades a chamada ‘guerra de atrito’. Em termos simples, é uma estratégia de cansaço: em vez de tentar vencer o inimigo em uma única batalha, o objetivo é desgastá-lo o máximo possível, destruindo seus recursos e soldados ao longo do tempo. Enquanto a Ucrânia mantém o controle dessas fortalezas urbanas, ela consegue prolongar sua resistência e aumentar o custo político e militar para a Rússia continuar os ataques.
Como a mediação dos Estados Unidos afeta o conflito?
O governo de Donald Trump tem pressa em encerrar a guerra e distribuir o meio deste ano como meta. No entanto, Washington sinaliza que pode aceitar que a Ucrânia ceda partes do seu território para selar a paz. Isso coloca o presidente Volodymyr Zelensky sob forte pressão, pois ele precisa decidir entre consideração juridicamente as perdas de terra para a Rússia ou tentar um ‘congelamento’ da linha de frente, onde o conflito para, mas a disputa territorial continua sem solução.
Quais são os riscos internacionais de um acordo territorial?
Os analistas alertam que permitirão que a Rússia fique com as áreas ocupadas abrindo um precedente perigoso. No Direito Internacional, existe o princípio de que ninguém pode ganhar terras usando a força. Se o acordo formalizar a anexação do leste ucraniano, outros países, como a China em relação a Taiwan, podem entender que invadir vizinhos tem um custo administrável e que as fronteiras do mundo podem ser refeitas pelo poder militar sem punições definitivas.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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