
O pastor batista que por duas vezes tentou se candidatar à Presidência dos Estados Unidos, morreu nesta terça-feira aos 84 anos Jesse Jackson, ativista dos direitos civis. Amigo de Martin Luther King Jr., Jackson não conseguiu realizar o sonho de ser o primeiro presidente negro dos EUA, mas abriu caminho para que outro político chegasse lá, Barack Obama, uma década e meia depois.
“Nosso pai foi um líder servil, não apenas para a nossa família, mas também para os oprimidos, os que não têm voz e os marginalizados de todo o mundo”, diz nota da família nas redes sociais.
“Agente incansável de mudança, elevou a voz daqueles que não tinham, desde suas campanhas presidenciais na década de 1980 até a mobilização de milhões de pessoas para incentivá-las a se registrarem para votar, deixando uma marca indelével na história”, afirma o texto.
Duas vezes pré-candidato à Presidência dos EUA
Jackson concorreu à indicação do Partido Democrata para presidente dos EUA em 1984, quando ficou em terceiro lugar. O escolhido foi o vice-presidente de Jimmy Carter, Walter Mondale, derrotado nas urnas por Ronald Reagan. Em 1988, disputou novamente a indicação, terminando em segundo lugar, atrás de Michael Dukakis, derrotado nas eleições por George HW Bush, então vice-presidente.
As duas campanhas frustradas serviram para incrementar a participação dos eleitores negros nas primárias democratas, tornando-os uma base mais fiel do partido. Jackson conseguiu implementar mudanças no sistema de votação partidária que, décadas depois, possibilitou que Barack Obama vencesse Hillary Clinton. “Fui um pioneiro, um explorador”, disse Jackson em uma entrevista de 2020 ao diário britânico The Guardian.
Figura icônica do movimento em favor dos direitos civis nos Estados Unidos, Jackson nasceu em Greenville (Carolina do Sul) de mãe solteira. Tornou-se amigo e seguidor de Martin Luther King Jr. E estava com ele no dia em que King foi morto na sacada de um hotel em Memphis. Seu excesso de protagonismo e “ambição transbordante” acabou rendendo brigas com outros “herdeiros” do líder civil, culminando com sua expulsão da Conferência para Liderança Cristã do Sul (SCLC), fundada por King.
Movimento de Jackson criou próprio e se envolveu em polêmicas
Jackson criou então seu próprio movimento, a Operação PUSH em 1971. Em 1996, sua organização passou a se chamar Rainbow PUSH Coalition após fundir-se com a The National Rainbow Coalition. O grupo tem como missão proteger, defender e conquistar os direitos civis. Define-se como uma organização multirracial, multitemática, progressista e internacional, que busca a mudança social.
Entre outras polêmicas, em 1984 Jackson foi acusado de antissemitismo por usar um termo pejorativo contra os eleitores de Nova York. Em 2001, admitiu que teve uma filha em relação extraconjugal com um colega de trabalho.
Jackson revelou que Sofria de Parkinson em 2017. Ele havia sido hospitalizado em novembro para receber tratamento de uma doença neurodegenerativa rara e particularmente grave, a paralisia supranuclear progressiva (PSP).











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