Um navio mercante praticamente intacto datado do século XVI foi encontrado a 2,6 quilômetros abaixo da superfície do Mar Mediterrâneo, na região costeira da França. A embarcação – escondida nas profundezas do oceano por mais de quatrocentos anos – foi incluída pela equipe de arqueólogos como “uma verdadeira cápsula do tempo”.
O barco batizado como Camarat 4 em referência a um famoso cabo rochoso local trata-se do naufrágio mais profundo já encontrado na França e um dos mais profundos de toda a Europa.
Condições extremas garantiram a preservação do navio por cinco séculos
Uma descoberta notável ocorreu por acaso, durante uma operação exploratória da Marinha Francesa durante testes de ferramentas subaquáticas, em março do ano passado.
“De repente, o sonar detectou algo bastante grande, então retornamos com a câmera do dispositivo e, em seguida, novamente com um robô subaquático para capturar imagens de alta qualidade”, revelou o vice-prefeito marítimo, Thierry de la Burgade, à agência de notícias AFP.
As condições em que a peça arqueológica foi encontrada chamaram a atenção dos cientistas, visto que o navio mercante encontrou-se preservado da manipulação e de saqueadores. Isto deve-se ao fato das condições extremas do local, com baixas temperaturas, baixa luminosidade e ausência de correntes oceânicas conservaram o barco por cinco séculos.

A embarcação possui cerca de 30 metros de comprimento e sete metros de largura, e sua carga contém centenas de jarras de cerâmica decoradas, com bicos afunilados, pratos de cerâmica amarela e barras de metal – estas últimas envoltas em fibras vegetais para mantê-las da umidade.
A mercadoria foi fundamental para identificar a origem e dados do navio: os jarros e demais itens possuem características de fabricação comuns do século XVI na região da Ligúria, noroeste da Itália, como a inscrição “IHS”, que representa as três primeiras letras do nome de Jesus Cristo na língua grega.
Além dos itens de cerâmica e metal, os arqueólogos também encontraram um canhão, fundamental em navios mercantes da época, visto que as rotas comerciais da época eram frequentemente atacadas por piratas.
Do fundo do oceano à superfície: o delicado processo de conservação e desafios futuros
O chefe do departamento de arqueologia subaquática do Ministério da Cultura da França, Arnaud Schaumasse, pretende agora reunir especialistas de diversos campos de pesquisa, historiadores, geólogos e pesquisadores em cerâmica, com o intuito de solucionar outros mistérios do Camarat 4.
“Recuperar um jarro de cerâmica do século XVI a uma profundidade de 2.500 metros, onde encontrados por 450 anos, exige um extenso trabalho preparatório, realizado em colaboração com especialistas”, afirma também à agência AFP.
“Como manusear o objeto, como trazê-lo à superfície, como preservá-lo após a exposição ao ar – todas essas etapas iniciais devem ser perfeitamente controladas, caso contrário, corre-se o risco de danos irreparáveis. Portanto, antes de decidir obrigações com a recuperação, são permitidas garantias sólidas em todos os aspectos”, acrescenta o pesquisador.
O Departamento de Pesquisa Arqueológica Subaquática e Submarina (DRASSM) francês também pretende descobrir especificidades do embarque em si, a partir da análise do casco do navio (que ainda não foi encontrado) por meio de pequenas amostras de madeira, para fins de dados e localização precisas.










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