
Os Estados Unidos e o regime do Irã concordaram nesta terça-feira (7) com um acordo de cessar-fogo de duas semanas, mediado pelo Paquistão, que abre espaço para novas negociações de paz diretas e amplas entre as partes nos próximos dias.
O acordo foi alcançado horas antes do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump para que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz. Trump ameaçou atacar as instalações energéticas do Irã caso o país se negasse a ceder.
Segundo disse o próprio presidente americano, em publicação na rede Truth Social, as conversas a partir de agora devem avançar com base em uma proposta de paz iraniana de dez pontos, que foi considerada por Washington, segundo Trump, como uma “base viável” para negociação. De acordo com o chefe da Casa Branca, a maior parte dos pontos de divergência entre as partes sobre essa proposta “já foi superada”, e o período de trégua acordado nesta terça deve permitir a conclusão de um acordo mais amplo.
O que diz a proposta do Irã
Segundo a agência estatal Notícias Tasnima proposta iraniana de dez pontos apresentados aos Estados Unidos reúne critérios amplos nas áreas militar, nuclear, econômica e geopolítica.
O primeiro ponto prevê que os Estados Unidos assumam um compromisso formal de não agressão ao Irã. O segundo estabelece a manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. O terceiro ponto exige o reconhecimento do “direito do Irã de enriquecer urânio”, tema central nas disputas com o Ocidente e que motivou a atual operação militar dos EUA.
Na área econômica, o quarto e o quinto pontos tratam da retirada de todas as avaliações impostas ao Irã – tanto as avaliações primárias quanto as secundárias, aplicadas ao longo de diferentes governos americanos. O sexto e o sétimo pontos preveem o fim de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) relacionadas ao Irã.
O oitavo ponto estabelece o pagamento de compensações financeiras ao país por danos causados durante este conflito. O nono prevê a retirada das forças militares de combate dos Estados Unidos de todo o Oriente Médio.
Já o ponto décimo trata da cessação completa das hostilidades em todas as frentes, incluindo operações contra grupos aliados do Irã no Oriente Médio, como os que integram o chamado “eixo da resistência”, entre eles o Hezbollah e o Hamas.
Apesar de o presidente Trump afirmar que a proposta é uma “base viável” para negociação, a Casa Branca não apoiou oficialmente a acessibilidade integral desses pontos, deixando que eles serão planejados ao longo das negociações previstas para os próximos dias.
perdão convida partes a negociar
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, convidou oficialmente os Estados Unidos e o Irã para negociações presenciais em Islamabad, com início previsto para esta sexta-feira (10).
Em publicação na Rede X, Sharif afirmou que espera que as conversas permitam “resolver todas as disputas” e levem a um acordo de paz duradouro no Oriente Médio. Segundo ele, há expectativa de novos avanços nos próximos dias.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã disse que as negociações deverão durar inicialmente duas semanas – período que coincide com o cessar-fogo – e poderá ser contínuas caso haja consenso entre as partes. O órgão iraniano afirmou ainda que o acordo atual não representa o fim da guerra, mas sim uma etapa para definição dos termos finais de um possível entendimento. Segundo o comunicado, a definição do conflito dependerá da flexibilidade dos pontos apresentados por Teerã.
Segundo a Casa Branca, há discussões sobre a realização de encontros presenciais entre representantes dos dois países, mas ainda não há confirmação oficial sobre a participação direta de autoridades americanas nas negociações. A imprensa americana anunciou mais cedo que Israel também chegou ao cessar-fogo e deve participar das negociações.
Sharif disse em post nas redes sociais que a proposta de cessar-fogo temporário também abrange o conflito no Líbano, onde Israel está combatendo forças do Hezbollah.
O Parlamento americano deve avaliar possível acordo
Nos Estados Unidos, ou um possível acordo de paz total deverá ser votado no Congresso. É o que disse o senador republicano Lindsey Graham, que afirmou que qualquer proposta para encerrar o conflito deverá ser submetida à aprovação do Parlamento americano. Ele também defendeu que o programa nuclear iraniano seja rigidamente controlado como condição para um acordo duradouro. Os parlamentares democratas quebraram com o cessar-fogo, mas criticaram a condução do conflito e alertaram para possíveis concessões estratégicas por parte dos EUA durante as negociações.












Deixe o Seu Comentário