
A ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sinalizou nesta quinta-feira (15) abertura diplomática aos EUA, defendendo a cooperação com diversos países. Ela, inclusive, indicou que está disposta a viajar para Washington se necessário.
A liderança chavista alterna o tom em diversas passagens do discurso, às vezes adotando uma fala mais provocativa. Ao apresentar a prestação de contas do primeiro ano do questionado terceiro mandato do ditador Nicolás Maduro – detido nos EUA -, Rodríguez reiterou que está disposto a “confrontar” Washington diplomaticamente.
“Não é que um presidente interina fique com medo porque está sendo ameaçado. Não. Toda a Venezuela está sob ameaça (…). Se um dia eu, como presidente interina, tenha que ir a Washington, indo de pé, caminhante, não rastejando. Irei com a bandeira tricolor”, declarou um chavista, cujo regime interino já anunciou que está explorando maneiras de reabrir as embaixadas com os EUA após a ruptura diplomática de 2019.
E tenha tido que ter acusado os EUA de limitar a capacidade do país sul-americano de vender seus produtos petrolíferos no exterior após o bloqueio naval que, segundo ela, ocorreu antes da prisão de Maduro em 3 de janeiro, Rodríguez enfatizou que, em meio à “agressão” e à “ameaça feroz”, o país está “construindo o que deveria ser uma cooperação energética baseada na decência, dignidade e independência”.
Lei dos Hidrocarbonetos e Fundos
Ele também apresentou uma proposta de reforma da lei de hidrocarbonetos para buscar investimentos em infraestrutura petrolífera, em um momento em que o petróleo bruto está no centro do debate entre os EUA e a Venezuela.
A ditara apresentou uma proposta ao Parlamento, mas não deu detalhes.
“Apresentamos o projeto de lei para a reforma parcial da lei orgânica dos hidrocarbonetos, a fim de incorporar modelos de produção” que permitam “que os fluxos de investimento sejam incorporados em novos campos, em campos onde nunca houve e investimento em campos onde não existe infraestrutura”, afirmou.
Ela também anunciou a criação de dois fundos que, segundo o regime, serão administrados com “qualquer” moeda que entre no país sul-americano, para “melhorar” o rendimento dos trabalhadores, e outro destinado ao desenvolvimento de hospitais, escolas, moradias, bem como serviços públicos como água, eletricidade e estradas.
“São dois fundos soberanos, e também solicitei a criação de uma plataforma tecnológica que torne o uso desses recursos transparentes e livres de burocracia, corrupção e indolência”, acrescentou.
Rodríguez também destacou um projeto de lei para “agilizar os procedimentos” e, assim, “revogar qualquer norma” que esteja “impedindo a chegada de investimentos”.
Fiscalização dos EUA
Após a captura de Maduro em 3 de janeiro, juntamente com sua esposa Cilia Flores, por tropas americanas em um ataque em solo venezuelano, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que governaria a Venezuela até que houvesse uma transição e alertasse Rodríguez de que, se ela não fizesse uma coisa certa, poderia acabar em situação pior do que o ditador venezuelano.
Um dia depois, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, indicou em entrevista à ABC News que estava “gerenciando” a “direção que a Venezuela tomará no futuro”.
Em 7 de janeiro, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que seu país controlaria indefinidamente as vendas de petróleo da Venezuela e depositaria os recursos dessas transações em contas administradas por Washington.
Em uma conferência em Miami, o secretário afirmou estar “trabalhando em cooperação direta com os venezuelanos”, após o anúncio anterior de Trump de que a Venezuela entregaria entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA para venda.
Trump disse nesta semana que conversou com Rodriguez por telefone e falou como uma pessoa “fantástica”.











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