
O início das conversas diretas entre as delegações dos Estados Unidos e do Irã em Islamabad está bloqueado devido a critérios prévios impostos por Teerã, segundo confirmaram a reportagem de fontes diplomáticas sob condição de anonimato. “As conversas diretas face a face ainda não ocorreram entre as delegações dos EUA e do Irã. Os dois lados mantiveram reuniões com mediadores, mas há um impasse neste momento para avançar rumo às conversas diretas”, explicou uma fonte diplomática. Segundo essa fonte, “o Líbano e a questão da liberação de fundos são o principal obstáculo agora. Os iranianos insistem que suas condições prévias sejam cumpridas antes que as conversas diretas ocorram”. Israel tem liderado uma campanha militar no Líbano contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
Este estancamento ocorre em uma jornada de intensa atividade na capital do Paquistão. Horas antes, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, recebeu o vice-presidente americano, JD Vance, imediatamente após ter um encontro com a delegação iraniana conquistada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. Vance comparou ao gabinete de Sharif acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo assessor Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
EUA negam ter aceitado desbloquear parte dos ativos congelados do Irã
Apesar de a imprensa local ter sugerido que a cúpula poderia ser resolvida em uma única jornada intensiva neste sábado, a falta de consenso sobre o formato e as exigências do Irã ameaçaram prolongar o processo.
Um funcionário de alto escalonamento dos Estados Unidos desmentiu neste sábado as informações de imprensa sobre quais Washington teria aceitado liberar parte dos ativos do Irã congelados no exterior como um gesto de boa vontade para avançar nas negociações de paz. “Falso. As reuniões nem sequer chegaram ainda”, afirmou a fonte em uma mensagem aos jornalistas que viajaram com a Casa Branca a Islamabad para cobrir as negociações.
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O desmentido respondeu a informações sobre um suposto acordo para desbloquear fundos iranianos retidos no Catar e em outros bancos internacionais. As versões da imprensa, que citavam uma “fonte iraniana de alto nível”, apontavam que o desbloqueio do dinheiro dependente do Irã garantiria a passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o fim das hostilidades. “Como resultado de pressão e negociações, o lado americano encontrado em liberar os ativos iranianos congelados”, havia dito aqui a agência de notícias iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, acrescentando que “o lado iraniano está buscando mecanismos para garantir a seriedade dos EUA nessa questão, dado seu histórico de descumprimento e falta de comprometimento”.
Paquistaneses tentam resolver impasse para seguir com negociações
O Paquistão exerce a função de facilitador sob a pressão de seus compromissos, uma vez que mantém vigente o Acordo Estratégico de Defesa Mútua com a Arábia Saudita, assinado em 17 de setembro de 2025, que estabelece uma cláusula de segurança coletiva. O diálogo se desenvolve sob uma trégua de duas semanas pactuadas entre Washington e Teerã.
Enquanto a chamada “Zona Vermelha” de Islamabad permanece sob uma blindagem militar sem precedentes, a mediação paquistanesa tenta desbloquear o formato das conversas para evitar que o atual impasse desencadeie o processo antes mesmo que ocorra o primeiro contato direto entre Vance e Ghalibaf.











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