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Cuba enfrenta crise sem precedentes em meio a política de asfixia

Redação Por Redação
13 de fevereiro de 2026
Em Entretenimento
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Cuba enfrenta crise sem precedentes em meio a política de asfixia
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



Em janeiro, o regime de Cuba anunciou uma série de medidas para implementar um “estado de guerra” em meio à pressão crescente dos Estados Unidos. Dias depois, a crise na ilha se agravou com o cancelamento de cancelamentos de voos, apagões recordes, racionamento de combustível e a moeda local em queda livre (500 pesos cubanos por dólar americano), o que levou a ditadura a adotar um tom mais brando, buscando “diálogo”.

Os planos de resistência dos castristas baseiam-se no conceito de “Guerra de Todo o Povo”, uma estratégia promovida na década de 1980 pelo então ditador Fidel Castro que prevê uma mobilização geral da população cubana para enfrentar uma possível agressão externa. Esse discurso, entretanto, mal foi encontrado eco nas ruas, onde a vida foi praticamente paralisada com restrições ao uso do transporte público e a suspensão de contratos de trabalho.

A crescente pressão americana sobre o setor energético cubano com a mais recente ameaça de imposição de tarifas a países que fornecem petróleo à ilha gerou uma ocorrência em cadeia, que afetou rapidamente o setor de turismo, um dos últimos pilares de entrada de recursos externos que sustentam o regime. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem defendido que a ditadura não deve sobreviver até o final do ano.

Regime à beira do colapso?

Robert Huish, professor associado de Estudos de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Dalhousie, no Canadá, classificou a situação atual de Cuba como uma perda das catástrofes sociais e econômicas desde a revolução de 1959. Apesar disso, ele avaliou um artigo publicado no A conversa que uma crise iniciada poderá ser insuficiente para derrubar o ditador Miguel Diáz-Canel e seus aliados.

Ele cita diferentes armas econômicas usadas pelos EUA desde o início da década de 1960. Uma das mais severas, conhecidas como Lei Helms-Burton, não só proibia empresas americanas de fazerem negócios com Cuba, como também punia qualquer empresa estrangeira que negociasse ao mesmo tempo com os americanos e cubanos. E o regime sobreviveu.

Desde a ascensão de Fidel Castro, em 1959, outras duas crises se aproximaram da vivenciada atualmente em Cuba. Uma delas ocorreu com a Crise dos Mísseis de 1962, quando foram instalados mísseis nucleares soviéticos em Cuba e os EUA interviram com um bloqueio naval à ilha. A outra surgiu após a dissolução da União Soviética, que era o principal fornecedor de recursos ao regime castrista – o PIB cubano encolheu cerca de 35% quase instantaneamente depois da queda da União Soviética.

O que muda no cenário atual é o colapso generalizado da economia e dos sistemas essenciais, como o de energia, trabalho, saúde e alimentação. Embora as crises façam parte da história da ilha, nunca antes os cubanos vivenciaram desafios tão abrangentes internamente.

O corte no fornecido de combustível promovido pelo governo Trump, com a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, elevou significativamente a crise, visto que o petróleo é o que mantém o país funcionando, desde o transporte público às fábricas e fazendas em todo o país – e Havana tem capacidade de suprir apenas 40% dessa produção interna.

Nos últimos anos, já marcado pela precariedade econômica e social, a população recebeu um racionamento mensal de arroz, feijão e outros alimentos básicos por meio de um cartão oferecido pelo regime, que durava em média 10 dias. No atual momento de crise, os alimentos mal estão disponíveis nos armazéns de distribuição. Simultaneamente, os cubanos enfrentaram apagões prolongados que duraram 20 horas por dia.

VEJA TAMBÉM:

  • Cuba à beira do colapso: a mudança está finalmente chegando?

Ditaduras aliadas mantêm postura cautelosa devido a possíveis respostas dos EUA

A China reafirmou seu apoio político a Cuba nesta semana, mas evitou detalhar como poderia – e aceitaria – prestar assistência ao regime socialista.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, disse em coletiva de imprensa na quarta-feira que Pequim “apoia firmemente Cuba na salvaguarda de sua soberania e segurança nacional” e que “se opõe resolutamente a ações e comportamentos desumanos que privam o povo cubano de seu direito à subsistência e ao desenvolvimento”. Pequim não aborda explicitamente os EUA nas declarações.

No entanto, dias atrás, o regime chinês instou publicamente Washington a “pôr fim imediatamente ao bloqueio, às avaliações e a todas as formas de medidas coercitivas contra Cuba”. Nas últimas semanas, uma ditadura aliada de Xi Jinping anunciou o envio de ajuda alimentar, incluindo um carregamento de 90 milhões de toneladas de arroz, bem como uma linha de “assistência financeira emergencial” de US$ 80 milhões à ilha.

Em 2024, Pequim já havia concedido à ilha mais US$ 100 milhões em ajuda.

Por sua vez, a Rússia sinalizou que está preparando o envio de “ajuda humanitária” para a ilha, incluindo suprimentos de petróleo, o que pode gerar novos atritos com Washington.

Moscou suspendeu nesta semana voos para Cuba após precisar evacuar milhares de turistas retidos em Havana devido à crise energética. A Rússia é a segunda maior fonte de turistas para Cuba, depois do Canadá, com 131 mil viajantes registados em 2025, segundos dados oficiais.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na quinta-feira que não deseja uma escalada de risco com os EUA, mas minimizou o nível atual de relações comerciais entre os países ao citar ajuda a Cuba.

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