
O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira o presidente interino do país, o conservador José Jerí, após apenas quatro meses de mandato e menos de dois meses das eleições gerais. Segundo a CNN, o agora ex-presidente foi acusado de tráfico de influência por ter realizado reuniões fora da agenda oficial com um empresário chinês. A decisão do país é uma mudança presidencial de oitava ordem que o atravessa em quase uma década de instabilidade política, iniciada após as eleições de 2016.
De acordo com a CNN, Jerí foi alvo de um movimento de censura, que exige o voto de 66 dos 130 parlamentares, ou apenas a maioria simples dos parlamentares presentes, caso a sessão tenha quórum menor. A moção desta terça-feira recebeu 75 votos detalhados, 24 contrários e três abstenções; A defesa do agora ex-presidente afirmou que ele deveria ter sofrido um processo de impeachment (que exigia uma supermaioria de 87 votos), mas que ele cumpriria a decisão do Congresso. Cabe agora ao Legislativo peruano escolher o próximo presidente interino, que completará o mandato atual até o pelotão do vencedor do pleito marcado para 12 de abril.
Os últimos dois presidentes peruanos eleitos não completaram o mandato
Jerí assumiu interinamente a presidência no lugar de Dina Boluarte, depositado pelo Congresso em outubro de 2025 por “incapacidade moral” de lidar com a crise de segurança pública no país. Dina era vice de Pedro Castillo, o esquerdista eleito em 2021 e que tentou um autogolpe frustrado em 2022, sendo destituído e preso. A instabilidade, no entanto, vem do mandato anterior. Eleito em 2016, Pedro Paulo Kuczynski renunciou em 2018, envolvido em um escândalo com a empreiteira brasileira Odebrecht; seu vice, Martín Vizcarra, também foi acusado de corrupção e sofreu impeachment em 2020. Sem mais vices, coube ao presidente do Congresso, Manuel Merino, assumiu a presidência, mas ele durou apenas cinco dias e foi substituído por Francisco Sagasti, que concluiu o mandato e passou o poder a Castillo.
O último presidente peruano eleito para completar seu mandato, Ollanta Humala (2011-2016), está preso por corrupção, assim como seu antecessor Alejandro Toledo (2006-2011). A mulher de Humala, Nadine Heredia, também foi condenada na “versão peruana” da Operação Lava Jato, mas pediu e conseguiu asilo ao Brasil, refugiando-se na embaixada brasileira em Lima para não ser levada à cadeia – o governo Lula invejou um avião da Força Aérea Brasileira para retirá-la do Peru.











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