Ao redor do mundo, governos de diferentes países estão sendo pressionados a adotar medidas emergenciais para conter os efeitos da disparidade do preço do petróleo sobre a inflação, o abastecimento e a atividade econômica.
A cotação do barril de petróleo Brent chegou a US$ 119 (cerca de R$ 621) na manhã desta quinta-feira (19), após ataques de Israel e Irã a infraestruturas de energia no Oriente Médio. No fim do dia, o preço recuperadou para US$ 108, mas sem previsão de estabilidade.
No Brasil, o governo Lula anunciou na semana passada liberada a cobrança de PIS e Cofins sobre o diesel e uma subvenção a produtores e importadores de diesel, no valor de R$ 0,32 por litro. O Palácio do Planalto também prometeu fiscalização contra “aumento abusivos” nos postos de combustível e pressionar governos estaduais a zerarem o ICMS sobre a importação do diesel, enquanto tenta lidar com uma ameaça de greve geral dos caminhoneiros.
Outros países apostaram em respostas diversas: enquanto nações como Bangladesh fecharam universidades e colocaram instalações sob controle militar, outros, como a Argentina, preferiram não intervir nos preços. Veja a seguir como está sendo um acontecimento ao redor do mundo.
Crise pressionou governos de direita na América do Sul
N / D Argentinao preço dos combustíveis já subiu cerca de 13%. Segundo executivos do setor ouvidos pela imprensa local, há casos em que refinadas estão vendendo gasolina e diesel abaixo do custo para evitar aumentos mais fortes. Até agora, contudo, o governo argentino tem evitado intervir diretamente nos preços dos combustíveis.
Na semana passada, o presidente Javier Milei chegou a afirmar que a alta internacional do petróleo provocada pela guerra pode trazer efeitos positivos para a economia do paísao elevar o valor das exportações de energia e produtos agrícolas do país.
Não Chileuma crise no setor petrolífero provocada pela guerra cria um dilema para o recém-empossado governo de José Antonio Kast. O governo avalia como equilibrar a contenção dos preços dos combustíveis com o custo fiscal do subsídio usado para segurar os reajustes. O país utiliza o chamado Mecanismo de Estabilização de Preços dos Combustíveis (Mepco), no qual o Estado assume parte das variações de preço para reduzir o impacto imediato da alta do petróleo nos postos.
O governo Kast discute neste momento ajustes no sistema para tentar evitar gastos elevados do Estadosem repassar aumentos de forma abrupta do preço dos combustíveis ao consumidor. Segundo a imprensa local, sem o Mepco, o preço do combustível no Chile já teria subido mais de 100 pesos por litro (cerca de R$ 0,60) em poucos dias.
Não Equador, o preço da gasolina também já subiu e chegou a US$ 2,89 (R$ 15) o galão (3,78 litros), um dos níveis mais altos recentes. Há alguns anos, o governo equatoriano limita os reajustes no setor: o preço só pode subir até 5% por mês, mesmo em períodos de forte alta, como agora. A medida evita aumentos de uma vez, mas faz com que o combustível continue ficando mais caro aos poucos. No cenário atual, a tendência é de novos aumentos graduais no país caso a pressão do petróleo no mercado internacional continue.
Não Perua alta do petróleo no mercado internacional já pressionou os preços dos combustíveis. Na capital Lima, o preço da gasolina varia entre 18 e 21 soles peruanos por galão (cerca de R$ 27 a R$ 31), dependendo da região. Antes da guerra o preço variava entre 15 e 16 soles (R$ 22 e R$ 24) por galão. O governo peruano está monitorando a situação e atribuindo a alta ao cenário internacional, com a guerra no Oriente Médio. O país ainda não introduziu nenhum mecanismo de contenção de preços.
No Uruguai, embora ainda não haja um aumento evidente no preço dos combustíveis após a alta do petróleo, o governo afirma que tem acompanhado a situação no Oriente Médio com cautela. A gasolina no país gira em torno de US$ 2,08 por litro (cerca de R$ 10,80), um dos preços mais altos da região. Mais da metade desse valor corresponde a impostos, o que faz com que qualquer alta no mercado internacional tenha impacto direto na economia e aumente a pressão por reajustes.
Trump considera flexibilização de restrições ao petróleo iraniano
Nos Estados Unidos, que liderou a operação contra o Irã no Oriente Médio, a alta do petróleo já chegou diretamente às bombas. O preço médio da gasolina atingiu cerca de US$ 3,88 (R$ 20,20) por galão, o maior nível desde 2022, enquanto o diesel chegou a US$ 5 (R$ 26) por galão, segundo dados da Associação Automobilística Americana (AAA). O valor representa uma alta de US$ 0,25 (R$ 1,30) em uma semana e de quase US$ 1 (R$ 5) em um mês.
Para tentar conter o impacto, o governo do presidente Donald Trump passou a discutir medidas emergenciais, como o uso de reservas estratégicas de petróleo e até a flexibilização de restrições envolvendo o petróleo iraniano para aumentar a oferta global. Na semana passada, a Casa Branca retirou temporariamente as sanções ao petróleo russo já embarcado.
Não Canadáos preços dos combustíveis também subiram de forma acelerada. O litro de gasolina registrou uma alta de cerca de 30% desde o início do conflito no Oriente Médio. Apesar de ser exportador de petróleo, o Canadá não escapa da pressão global de preços. No país, o debate dentro do governo tem se concentrado em possíveis cortes de impostos sobre combustíveis para aliviar o preço final ao consumidor.
Ásia é a região mais afetada
Na Ásia, região que mais depende do petróleo enviado do Oriente Médio, os efeitos da guerra no setor energético já iniciam a alteração do funcionamento de diversas economias.
Nas Filipinas, o governo impediu a jornada de trabalho para quatro dias por semana e limitou o uso de energia em prédios públicos como forma de economia de combustível diante da alta dos preços.
O regime comunista da Chinamaior importador de petróleo do mundo, numa tentativa de conter o impacto da crise sobre os preços internos, Proibiu a exportação de combustíveis orgânicos, reforçou o abastecimento no país e mantém um sistema de controle que suaviza os repasses de preços ao consumidor.
O país também segue importando petróleo iraniano, já que é aliado de Teerã, e não descartou recorrer a reservas estratégicas estimadas em cerca de 1,4 bilhão de barris para segurar os preços e evitar o desabastecimento nas províncias.

Não Japão, o preço da gasolina atingiu um recorde histórico, com alta próxima de 18% em apenas uma semana. Para conter um impacto ainda maior, o governo decidiu retomar subsídios sobre o valor do litro da gasolina, com o objetivo de reduzir o preço, além de iniciar a liberação de reservas estratégicas.
Informações da imprensa local citam que o Japão possui uma reserva de cerca de 80 milhões de bairros. Mesmo com estoques elevados, as autoridades alertam que, se uma crise de petróleo causada pela guerra no Oriente Médio persistir, o impacto pode avançar sobre a inflação, os custos de energia e até os alimentos no país.
Não Vietnãautoridades incentivam o trabalho remoto e utilizam fundos de estabilização para conter os preços do combustível e da energia. Já na Tailândiao governo congelou temporariamente o valor do diesel e orientou a população a reduzir o uso de ar-condicionado e até a evitar elevadores para diminuir o consumo energético.
N / D Índiao governo passou a subsidiar parte significativa do aumento dos combustíveis, absorvendo mais da metade da alta causada pela crise no setor para evitar repasses à população. Mesmo assim, ainda há registros de aumento no custo de alimentos e preocupação com inflação.
Não Paquistão, os preços da gasolina já subiram cerca de 20% desde o início do conflito no Oriente Médio. Há também registro de filas em postos, com a população temendo falta de combustível diante da incerteza no abastecimento. Como medida para diminuir a pressão, o governo passou a cortar pela metade o uso de combustível utilizado em veículos oficiais e reduzir a frota em circulação.
O país também tem incentivado o trabalho remoto e criado restrições ao consumo de energia. O Paquistão tem pouca reserva de combustível, segundo dados da imprensa internacional, o suficiente para apenas 28 dias, o que aumenta o risco de racionamento de combustível se a crise no Oriente Médio continuar.
Em Bangladesho governo fechou universidades e colocou instalações de combustível sob controle militar para evitar interrupções no abastecimento, diante do risco de protestos. Não Sri Lankao governo iniciou o racionamento de combustível, com limites semanais, cerca de 15 litros por carro, 5 litros para motos e até 60 litros para transporte público
N / D Coreia do Sulo governo avalia impor limites temporários ao preço dos combustíveis, uma medida que não é adotada desde os anos 1990, para tentar conter a alta. O governo também está se preparando para utilizar suas reservas estratégicas de petróleo. Além disso, o país também tem discutido subsídios e outras formas de conter o impacto da crise no setor sobre consumidores e empresas, diante da forte dependência do petróleo importado.
Europa está em alerta
Na Europa, tanto os países da União Europeia (UE) quanto o Reino Unido já sofrem com a crise no setor petrolífero causada pela guerra. Dados da Comissão Europeia, braço executivo da UE, mostram que o preço médio da gasolina no bloco subiu cerca de 8% desde o início do conflito, mas em alguns países o avanço foi bem mais forte. Na Alemanha, por exemplo, o litro saltou de 1,82 para 2,07 euros (R$ 11 e R$ 12), alta de quase 14%, enquanto na Áustria o aumento foi de cerca de 13% no mesmo período.
Na Espanha, o diesel já acumula alta de 29% e a gasolina de 16%. Em países como Holanda e Dinamarca, os combustíveis já figuram entre os mais caros da Europa, com valores acima de 2,20 euros (R$ 13) por litro.
Não Reino Unidoo diesel subiu cerca de 20% desde o início da guerra, enquanto a gasolina avançou cerca de 7% no período. A mídia local aponta que, se a cotação do barril do petróleo se mantiver acima de US$ 100 (R$ 521), os preços podem continuar subindo nas próximas semanas. Para tentar conter a alta, o governo tem pressão sobre os distribuidores e iniciou uma investigação sobre possíveis abusos de preçosexigindo dados de custos e margens das empresas e monitorando posições para evitar aumentos injustificados. O governo também anunciou mais subsídios para famílias carentes.

UM Alemanha discutir limitar reajustes em posições a uma vez por dia, enquanto a Áustria já foi introduzida uma regra mais rígida, permitindo aumentos apenas três vezes por semana.
UM Hungriapor sua vez, circulado um teto para o preço da gasolina para veículos com placa local, numa tentativa de evitar distorções e o aumento do fluxo de motoristas de países vizinhos na busca de combustível mais barato.
Líderes da União Europeia se reuniram nesta semana para discutir medidas emergenciais, incluindo o uso de instrumentos financeiros, apoio a famílias e empresas e possíveis mecanismos para reduzir o custo da energia.
Análise do think tank Conselho de Relações Exterioresaponta que a combinação entre ataques às instalações energéticas em países no Golfo e a restrição do fluxo de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz já prejudica significativamente a oferta de energia global, o que está pressionando os preços e fazendo com que os governos passem a atuar de forma emergencial para evitar possíveis colapsos econômicos.
Caso o conflito se prolongue no Oriente Médio e o fluxo pelo Estreito de Ormuz não seja normalizado, o cenário de crise energética tende a evoluir de uma crise de preços para uma crise de oferta maior ainda nas diversas regiões já afetadas.












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