
O Paquistão pediu um papel central na diplomacia global ao intermediar um cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, anunciado nesta terça-feira (7). A atuação de Islamabad evitou ataques às instalações de energia iranianas e possibilitou a reabertura parcial do Estreito de Ormuz.
Como o Paquistão conseguiu mediar esse conflito?
O país ocupa uma posição geográfica e diplomática estratégica. Ao mesmo tempo em que mantém fortes laços econômicos e militares com os Estados Unidos, o Paquistão compartilha uma longa fronteira e camadas culturais com o Irã. Essa capacidade de manter as portas abertas com Washington e Teerã permitiu que Islamabad servisse como o último canal de comunicação confiável quando o diálogo direto entre as duas potências estava totalmente interrompido.
Qual foi a influência do governo Trump nessa negociação?
A proximidade recente entre o governo paquistanês e a gestão de Donald Trump foi decisiva. Islamabad investiu meses cultivando relações diretas com a Casa Branca. Durante o auge da crise, o chefe das Forças Armadas do Paquistão, Asim Munir, manteve contato constante com as autoridades americanas, enquanto o primeiro-ministro Shehbaz Sharif atuou na frente diplomática para convencer os dois lados a aceitarem uma pausa nos bombardeiros.
Por que o Paquistão tem tanto interesse no fim desses ataques?
O interesse é, em grande parte, econômico. O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial, causou uma disparada nos preços dos combustíveis, castigando a economia paquistanesa que depende da importação de energia. Além disso, o governo quer evitar que a polarização entre pró-Irã e pró-EUA resulte em instabilidade e protestos violentos dentro do próprio território paquistanês.
Por que outros países da região não assumiram esse papel?
Tradicionalmente, países como Catar e Omã fizeram essa ponte. No entanto, o agravamento da guerra e dos ataques iranianos contra instalações de energia no Catar reduziram a neutralidade desses atores. Como o Paquistão não tem relações com Israel e apoia a causa palestina, ele se tornou um interlocutor mais aceitável para o regime iraniano, preenchendo o pacote deixado pelos países do Golfo que sob pressão direta de Teerã.
O cessar-fogo corre riscos de ser interrompido?
Sim, a trégua é considerada frágil. Já no primeiro dia, surgiram divergências sobre o alcance do acordo. Israel afirmou que continuará atacando o Hezbollah no Líbano, alegando que o pacto com Trump cobre apenas bombardeios diretos contra o Irã. Em resposta, o Irão ameaçou fechar novamente o Estreito de Ormuz. O governo paquistanês já fez apelos públicos por moderação para evitar que as negociações de paz fracassassem logo no início.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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