
A captura de Nicolás Maduro ocorre em um momento de profundas mudanças políticas na América Latina com a vitória de lideranças de direita na região.
Recentemente, Chile, Honduras e Bolívia resolveram abandonar a esquerda ao escolher governantes conservadores para estar à frente da gestão dos países. Essa orientação política regional coincide com um momento de envolvimento direto dos Estados Unidos na crise venezuelana e com discussões sobre uma possível transição democrática em Caracas, criando um ambiente que pode facilitar a retomada das relações diplomáticas e um novo impulso para a recuperação econômica e social na Venezuela.
Assim que os EUA anunciaram a operação do último dia 3, que resultou na remoção de Maduro do poder, a Argentina, governada pela direita desde 2023, foi um dos primeiros países da região a manifestar apoio ao governo Trump.
Em um extenso comunicado, o presidente Javier Milei defendeu que a queda do ditador chavista permite ao país passar por uma transição política liderada pelo presidente legitimamente eleito nas eleições de 2024, o candidato de oposição ao regime, Edmundo González Urrutia, escolhido “por vontade popular nas urnas”, diz um trecho da publicação oficial.
A Argentina destacou ainda que apoia a recuperação plena da democracia, dos direitos humanos e do “império da lei” na Venezuela. Milei chegou a comentar que estaria disposto a contribuir com a transição de poder em Caracas, uma demonstração de que países vizinhos poderiam participar primeiramente diretamente dessa transformação política.
O argentino é o principal aliado de Trump na região. Apesar de o líder da Casa Branca não ter sinalizado explicitamente que poderia tentar reforços regionais para reconstruir a Venezuela e garantir sua estabilidade, essa possibilidade é vista como indispensável para evitar que grupos criminosos busquem refúgio em países vizinhos e o Eixo do Mal, liderados pela China, Rússia e Irã, mantendo-se formando bases estratégicas de influência em nações da América Latina governadas pela esquerda.
Na quinta-feira (8), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, informou que mantém contato direto com líderes regionais e que seu governo está preparado para apoiar um possível processo de transição na Venezuela.
“Estou conversando com vários presidentes da região sobre como podemos colaborar em uma transição na qual o Paraguai, certamente, tem muito a contribuir”, disse o presidente a jornalistas após participar de uma inauguração de instalações militares no departamento de Guairá (leste do Paraguai). A Venezuela rompeu relações com o Paraguai em janeiro de 2025, depois que Peña conheceu González Urrutia como o vencedor das eleições presidenciais de 2024.
Outro motivo que pode motivar esses países da região a colaborar com a Venezuela são os danos provocados por anos de instrumentalização do narcotráfico pelo regime chavista e a crise migratória gerada pela situação precária do país.
Países como Argentina, Chile, Bolívia, Peru e Paraguai podem ser úteis caso haja necessidade de uma força de segurança estabilizadora no terreno, bem como para promoção de eventual supervisão das instituições públicas e da infraestrutura venezuelana, sucateadas durante os regimes de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
Como em qualquer crise complexa, não há como prever com exatidão quais os próximos passos para formar um futuro mais digno para a Venezuela.











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