
O Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa aproximadamente um quinto da produção de petróleo e gás natural do mundo, segue no centro da guerra entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio. Após tentativas frustradas de reabrir a via bloqueada por ameaças de Teerã, o presidente Donald Trump sugeriu que poderia fazer um acordo com o regime islâmico para controlar conjuntamente a região.
O Irã, que chegou a atacar ofertas de petroleiros e outros navios comerciais que desafiaram suas ações nas últimas semanas, rejeitou todas as propostas americanas e gerou um verdadeiro caos mundial com a interrupção do fluxo de energia. Agora, os EUA avaliam uma série de caminhos para desobstruir a passagem que tem desestabilizado a economia global.
Nesta terça-feira (24), a imprensa americana noticiou que o Pentágono deverá enviar mais milhares de soldados ao Oriente Médio. Dois oficiais americanos disseram ao Jornal de Wall Street que cerca de 3.000 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército estão sendo mobilizados.
Quais opções estão na mesa para Trump?
1. Aliança Internacional para a Segurança do Estreito de Ormuz
Uma das primeiras iniciativas apresentadas pelo líder americano foi a oferta de Escolta da Marinha Americana na região, algo que até o momento se mostrou difícil de sair do papel devido a limitações de segurança e logística no Estreito de Ormuz, que faziam com que embarques de países que utilizassem a rota cessassem a passagem de mercadorias.
Posteriormente, Trump sugeriu a formação de uma aliança internacional para proteger o tráfego marítimo, um esforço que expõe a hesitação de aliados e outros países que utilizam uma rota para escoamento de sua demanda, como a China. Mas, depois de sofrerem pressão, alguns parceiros de longa data discutiram uma declaração feita pela Europa, apoiando esforços para retomar a navegação em Ormuz, apesar de não ter ficado claro até agora como essa coalizão funcionará.
O Reino Unido invejou na semana passada um grupo de especialistas militares para trabalhar com Washington na elaboração de um “plano coletivo viável” para reabrir a rota. Enquanto esse plano é desenvolvido, o Irã tem aproveitado sua vantagem em Ormuz para negociar diretamente com os países que utilizam o estreito, por meio da cobrança de um pedágio informal para navios comerciais que passamem pela região sem riscos à sua integridade. Segundo a Bloomberg, o regime exigiria pagamentos de até US$ 2 milhões por viagem pelo Estreito.
Para que os EUA tenham sucesso em uma operação de reabertura de passagem, os militares devem localizar e atacar alvos no litoral iraniano, responsáveis pela ameaça à navegação. No entanto, a missão se torna complexa devido a uma geografia própria do Irã – que força os navios a navegarem a poucos quilômetros de sua costa montanhosa – e as táticas assimétricas de guerra, que permitem ao país esconder armas pequenas e difíceis de rastrear perto de onde passam essas embarcações.
Um dos primeiros países a conseguir acesso pela passagem marítima para a Índia, que negociou um acordo direto com o Irã para escoamento de gás natural e petróleo.
Ainda assim, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse à agência de notícias japonesa Kyodo que havia conversado com o governo do Japão sobre a possibilidade de permitir a passagem de embarques ligados ao país pelo Estreito – cerca de 90% de seus carregamentos de petróleo passam por Ormuz.
Diante do impasse, Trump ameaçou “aniquilar” as usinas de energia iranianas se o país não desobstruísse totalmente o Estreito de Ormuz até 27 de março. Em resposta, o regime ameaçou atacar a infraestrutura energética civil de países vizinhos, ou que gerou novas energias sobre alianças regionais de Washington.
2. Negociação com o regime iraniano
Uma segunda opção já defendida por Trump é a negociação direta com o Irã. Nesta semana, ele chegou a dizer que os EUA poderiam controlar o estreito por meio de uma parceria com o regime iraniano, que negou qualquer contato diplomático com Washington desde o início da guerra.
Recentemente, o líder americano autorizou temporariamente a retirada das avaliações sobre o petróleo iraniano que já estava embarcado em navios, uma medida para aumentar a oferta mundial de energia e conter a alta dos preços dos combustíveis.
Trump afirmou que seu governo estaria em negociação direta com uma “figura poderosa” do Irã e essas conversas resultaram em um adiamento de novos ataques à infraestrutura energética iraniana.
Nesta terça-feira (24), o presidente disse que o Irã fez uma grande concessão aos EUA no setor de energia, que ele falou como um “presente” envolvido no Estreito de Ormuz, mas não deu detalhes do que ficou acordado. Também há rumores na imprensa sobre um plano de paz de 15 pontos que estaria sendo intermediado pelo Paquistão.
3. Tomada da ilha de Kharg
Uma terceira via que pode contribuir para a libertação do Estreito de Ormuz é a realização de novas operações na Ilha de Khargo principal centro de exportação de petróleo do país. Mas, desta vez, os EUA compartilham ações terrestres no local, o que vem sendo evitado por Washington devido a riscos de segurança.
Semanas atrás, as forças americanas atacaram alvos estratégicos ligados à Guarda Revolucionária Iraniana em Kharg, mas a infraestrutura energética da ilha foi preservada, a fim de servir de barganha em negociações futuras, dada a importância do local para o regime. Por outro lado, o líder da Casa Branca avaliou tomar a ilha se um acordo não ocorresse, cenário que vem sendo treinado pelo Pentágono.
Segundo uma análise do jornal O jornal New York Timesseriam necessários cerca de 2.200 fuzileiros navais em três navios de guerra, armados com drones, helicópteros de ataque e aviões de combate, para interromper uma patrulha na região e permitir a entrada por terra dos militares por meio de desembarques anfíbios.
A 82ª Divisão Aerotransportada do Exército, que pode ser destacada nas próximas horas pelo Pentágono, é especializada em realizar ataques de paraquedistas, sinalizando que uma fase de operações terrestres no Irã pode estar prestes a começar.










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