A defesa de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma petição complementar à notícia-crime contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a revelação de que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria comprado uma garrafa de uísque de cerca de R$ 500 mil para presentear o petista. O documento é dirigido ao ministro André Mendonça, do STF, e reitera o pedido de investigação por suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa.
O novo elemento é uma reportagem publicada por VEJA com mensagens extraídas do celular do banqueiro. Nos diálogos, Vorcaro determina a compra de um Macallan 1945, safra do ano de nascimento de Lula. Um assistente informa ter localizado uma garrafa por mais de 80 mil euros e combina seu transporte de Dubai para o Brasil. A aquisição foi tratada em 29 de outubro de 2024, dois dias depois do aniversário do presidente.
A notícia-crime original foi apresentada em 23 de setembro. Na ocasião, os advogados se basearam em mensagens nas quais Walfrido Warde, então advogado de Vorcaro, relatava um agradecimento de Lula pela bebida. A defesa de Flávio sustenta que a identificação do preço e das circunstâncias da compra reforça a necessidade de apurar se o presente representou uma vantagem indevida, diante dos interesses do banqueiro junto ao governo federal.
Na petição, os advogados relacionam a encomenda à aproximação de Vorcaro com o Planalto e à reunião com Lula em 4 de dezembro de 2024, fora da agenda oficial. Também reproduzem uma mensagem de Warde, de janeiro de 2025, segundo a qual o presidente “agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço”.
A defesa argumenta que essa sequência precisa ser esclarecida em investigação. O documento pede o encaminhamento dos autos à Procuradoria-Geral da República para a instauração de inquérito. Trata-se de uma solicitação dos advogados de Flávio, e não de uma decisão do Supremo ou de uma conclusão sobre a ocorrência dos crimes apontados.
Lula afirmou anteriormente não se recordar de ter recebido a bebida. Sobre o encontro com Vorcaro, o presidente sustenta que assegurou apenas tratamento técnico ao caso do Banco Master. A petição contrapõe essa versão às suspeitas levantadas pelos advogados e insiste na abertura da apuração.
Fonte: Abril












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