A saída de Kimberly Guilfoyle do posto de embaixadora dos Estados Unidos na Grécia, anunciada nesta terça-feira, 13, é o episódio mais recente de uma sequência de mudanças no segundo mandato de Donald Trump. Nos últimos meses, mulheres deixaram cargos de destaque na administração, por demissão ou renúncia, enquanto homens que também enfrentaram controvérsias permaneceram no governo, mostra uma análise feita pelo jornal The New York Times, nesta quinta-feira.
A sequência de saídas femininas ganhou dimensão no primeiro escalão. Em apenas três meses, quatro das oito mulheres que integravam o gabinete ministerial deixaram seus postos: a procuradora-geral Pam Bondi, a secretária do Trabalho Lori Chavez-DeRemer, a secretária de Segurança Interna Kristi Noem e a diretora de Inteligência Nacional Tulsi Gabbard. Todas foram substituídas por homens.
Caso Guilfoyle
O desligamento de Guilfoyle ganhou repercussão pela forma como foi anunciado. Na terça-feira, Katie Zacharia, recém-empossada secretária de imprensa da Casa Branca, revelou durante sua primeira entrevista coletiva que o governo havia pedido a renúncia da embaixadora.
Trump afirmou que, embora a embaixadora estivesse fazendo um bom trabalho, não gostou do que leu a respeito dela. A declaração veio após o Wall Street Journal noticiar que Guilfoyle teria pedido a um doador que pagasse uma fatura de US$ 100 mil de seu cartão American Express antes da votação que confirmou sua indicação. Ela negou as acusações.
Guilfoyle, ex-noiva de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, também teve sua proximidade com a família minimizada por Trump.
Menos mulheres no gabinete
Quando montou sua equipe após vencer a eleição de 2024, Trump havia escolhido mulheres para funções centrais. Susie Wiles tornou-se a primeira mulher a ocupar a chefia de gabinete da Casa Branca, uma das posições mais influentes do governo. Karoline Leavitt, por sua vez, foi a pessoa mais jovem a assumir a secretaria de imprensa presidencial. Em agosto, deixou o posto para se dedicar aos dois filhos pequenos e foi substituída por outra mulher, Katie Zacharia.
No ano passado, durante uma celebração do Mês da História das Mulheres, Trump declarou que seu gabinete reunia mais mulheres do que o de qualquer presidente republicano anterior. O cenário mudou desde então: atualmente, quatro mulheres permanecem em cargos de nível ministerial.
Em vários casos, as saídas foram associadas a conflitos com o presidente ou a questionamentos sobre o desempenho das funcionárias. Bondi enfrentou críticas pela condução da divulgação dos documentos relacionados a Jeffrey Epstein e por não atender às expectativas de Trump em relação à responsabilização de seus adversários políticos. O presidente também demonstrou insatisfação com sua atuação em audiências no Congresso e em entrevistas na televisão.
Noem, por sua vez, foi questionada durante depoimentos parlamentares, especialmente após afirmar que Trump havia aprovado dezenas de milhões de dólares para uma campanha publicitária sobre segurança na fronteira na qual ela aparecia em destaque. O presidente contestou essa versão.
A saída de Gabbard ocorreu em meio a uma relação desgastada com a Casa Branca. Ela afirmou que deixaria o cargo para cuidar do marido doente, mas a decisão veio após divergências sobre a ameaça representada pelo Irã e sua recusa em depor perante o Congresso sobre o tema. Trump já havia demonstrado discordância em relação à avaliação dela, que considerava mais moderada do que a sua.
Chavez-DeRemer deixou o Departamento do Trabalho após denúncias de problemas internos na agência e acusações de abuso de poder, incluindo a manutenção de uma relação imprópria com um funcionário e o uso de recursos públicos para fins particulares.
O movimento provocou críticas de parlamentares democratas, que apontam um possível duplo padrão na condução da equipe presidencial. A deputada Jasmine Crockett, do Texas, afirmou nas redes sociais que Trump descarta mulheres consideradas incompetentes mais rapidamente do que homens. Ela também defendeu a saída do secretário de Defesa, Pete Hegseth, em meio às controvérsias envolvendo sua atuação.
Fonte: Abril















Deixe o Seu Comentário