O ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), afirmou que o Brasil não cederá às exigências dos Estados Unidos para evitar a nova tarifaço de 25% confirmada nesta semana que entrará em vigor no próximo dia 22. Além dessa sobretaxa, o país corre o risco de mais uma tarifa de 12,5% na investigação sobre suposto trabalho forçado.
Desde que a nova tarifaço foi confirmada, o governo brasileiro vem criticando fortemente a decisão do governo de Donald Trump classificando como motivos políticos e pelo Brasil “não ter se curvado” ao que o ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, chamou de “pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas”.
“O Brasil é vítima nesse processo, mas não é covarde. Nós não vamos ficar amedrontados diante de uma potência, que realmente é importante, significativa, e está nos causando danos. Não vamos ceder”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo publicado neste sábado (18).
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Segundo o governo brasileiro, os Estados Unidos exigiram do Brasil exigências consideradas inaceitáveis durante as negociações comerciais, como a abertura total, irrestrita e exclusiva ao país de setores inteiros da economia sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. Pelo menos 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone com autoridades foram realizadas desde a primeira tarifaço, no ano passado.
A situação teria se agravado após a carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 9 de julho de 2025, em que o governo justificou a tarifaço de 50% “por expressa aplicação política em tentativa de interferência no poder Judiciário brasileiro”, em relação ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na investigação da suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“Não se pode usar tarifa para fazer variar política, não se pode usar a política tarifária para obter resultado político eleitoral numa nação soberana. Não faz sentido isso. Eu me recuso a acreditar que seja o novo normal porque não é assim que a Ásia e a União Europeia continuam intervindo na geopolítica”, completou Márcio Elias Rosa.
Ainda segundo o ministro, o uso da chamada “Seção 301” para proteger a indústria do país norte-americano e forçar negociações comerciais mais vantajosas sempre foi usado como um “instrumento de persuasão diplomática”. Para ele, a investigação atual dos Estados Unidos ao Brasil “quebra a confiança e a boa relação”. Os dois países têm uma relação diplomática de mais de 200 anos que agora está em dúvidas.
“Temos alguém aqui no Brasil dizendo: eu aceito fazer acordo depois das eleições. [EUA] dizem: o atual governo não age com boa-fé. Talvez isso responda à pergunta. É o desejo de fazer uma interferência político-ideológica no país soberano, pelas piores razões: para beneficiar alguns em detrimento de todos nós”, pontudo.
Márcio Elias Rosa afirmou que os Estados Unidos propuseram que o Brasil reduzisse a zero as tarifas de bens industriais provenientes do país norte-americano e “ponto final, sem nenhuma contrapartida”. Para ele, se agravaria o fato de que há um déficit de US$ 15 bilhões em 15 anos para o Brasil, o que levaria a um rombo ainda maior e, ainda, destruiria uma indústria de base.
O governo brasileiro já adiantou que adotará a Lei da Reciprocidade, inclusive com a formação de uma comissão que analisará as demandas e estudará as medidas que podem ser aplicadas.











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