Congresso entra em “modo eleição” e engaveta CPMI do Master



O recesso parlamentar que começa em 18 de julho não é uma pausa comum. Em 2026, ele representa, na prática, o ponto final da legislatura, ao menos não que diga respeito à aprovação de assuntos relevantes. O retorno formal dos trabalhos está previsto para 1º de agosto, mas o calendário eleitoral esvaziará os plenários da Câmara dos Deputados e do Senado durante a maior parte do segundo semestre.

A avaliação dos analistas políticos é unânime: projetos que não foram votados até 17 de julho provavelmente terão aprovação antes das eleições de outubro.

No meio desse cenário, o Caso Master segue como a sombra mais pesada sobre o Congresso. A Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal investigam o esquema envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, com ramificações que alcançam parlamentares da base governamental, do Centrão e da oposição. O requisito de abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Master acumula 281 assinaturas, 83 a mais do mínimo necessário, e foi protocolado há cinco meses e não tem dados para ser lido.

A combinação entre o recesso de julho, o calendário eleitoral e o embaraço político gerado pelas investigações criou um ambiente de paralisia consentida no Parlamento. As pautas prioritárias do Planalto, entre elas as PECs da jornada 6×1 e da Segurança Pública, ambas com teor eleitoral claro, tampouco devem avançar. O governo, que precisava de vitórias legislativas para usar como vitrine na campanha, entra no segundo semestre sem nenhuma delas garantida.