
MC João apresentou o funk de SP pro mundo com ‘Baile de Favela’ Se hoje a estética e a imagem de um baile funk de rua em São Paulo são exclusivamente conhecidas por todo o país, isso se deve em grande parte a um nome: MC João, autor do sucesso “Baile de Favela”. Esta matéria faz parte da série “20 hits em 20 anos”, que está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode acompanhar o palco do “20 hits em 20 anos” para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop aqui! Há uma década, o cenário do funk em São Paulo passa por uma transformação profunda. Após o auge do funk ostentação, marcado por letras sobre correntes de ouro e carros importados, o gênero abriu espaço para uma nova geração que se propôs a falar de sexo. MC João surgiu justamente nessa transição. As composições deixaram o consumo de luxo de lado para focar em relacionamentos e sexualidade de forma explícita. Uma mistura de rap com funk A estrutura do Baile de Favela se sustenta em dois pilares fundamentais da cultura da periferia de São Paulo. O primeiro é a menção direta a diversas comunidades paulistanas, como Helipa, Marcone e São Rafael. Essa prática de mapear e saudar os territórios é uma herança direta do rap nacional, técnica em quais grupos como Racionais MCs e RZO se desenvolveram mestres entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000. O segundo pilar é o teor sexual explícito. O refrão da música, que descreve um fato físico após uma relação com o produtor da faixa, o DJ R7, gerou fortes polêmicas na época de seu lançamento. MC João, voz de ‘Baile de favela’, e R7, produtor da faixa, na casa da empresa GR6 Rodrigo Ortega / G1 Parte dos críticos chegou a apontar que a composição incentivou o estupro. Em entrevista ao g1 na ocasião, o funkeiro defendeu a obra, explicando que a letra retratava uma relação consensual. O videoclipe da canção, lançado no canal da KondZilla, distribuiu um marco visual para o movimento. Nas cenas, MC João aparece em um carro ao lado dos funkeiros Dynho Alves, MC Menor da VG, MC Brisola e MC Kevin. Ao descer do veículo e abrir o porta-malas com o som automotivo, ele simbolicamente dá início ao baile na comunidade. O registro audiovisual foi tão forte que passou a traduzir a experiência de um baile de rua paulistano, como o da DZ7, para quem nunca esteve presente. O legado do “Baile de Favela” Rebeca Andrade se destacou nas Olimpíadas de Tóquio com ‘Baile de Favela’ Reuters/Dylan Martinez A faixa cruzou fronteiras. Com o suporte de uma light, sem palavrões, MC João fez turnês internacionais, apresentando ao planeta a nova identidade do funk brasileiro. Mais tarde, em 2021, o hit voltou aos holofotes globais por meio do esporte. A ginasta Rebeca Andrade apresentou sua música no solo durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, onde conquistou a medalha de prata. Depois de “Baile de Favela”, MC João emplacou outros sucessos no circuito do funk, embora sem o mesmo alcance global do hit de 2015. Em 2021, o artista expandiu sua atuação no mercado da música ao se tornar empresário e financiar sua própria produtora. O impacto cultural do “Baile de Favela”, no entanto, permanece ativo. O sucesso histórico da faixa pavimentou o caminho para que o funk paulista se estabelecesse de forma recorrente nas primeiras posições das paradas de sucesso atuais, como o Top 50 do Spotify. MC João, do ‘Baile de Favela’, que agora lança a Divulgação do Baile de Favela Records
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