Estudo mostra avanço de partidos de centro na América Latina



Um levantamento do Ranking dos Políticos sobre as eleições realizadas nas Américas entre 2022 e 2026, divulgado nesta quarta-feira (29), aponta que, apesar do avanço da direita no continente, a governabilidade passou a depender cada vez mais dos partidos de centro. As siglas desse espectro político se tornaram decisivas para a sustentação dos governos e para a aprovação de reformas nos parlamentos.

O estudo analisa as eleições presidenciais e legislativas em 23 países das Américas e afirma que a disputa política deixou de ser explicada apenas pela alternância entre direita e esquerda. Em diversos países, presidentes chegaram ao poder sem maioria parlamentar e passaram a depender de alianças com partidos moderados para garantir a estabilidade política. Segundo os autores, o continente vive um processo de “parlamentarização” das presidências, em que a capacidade de construir coalizões se tornou mais importante do que a vitória eleitoral em si.

A divulgação ocorre poucos dias após a confirmação da eleição de Keiko Fujimori no Peru. Embora tenha vencido a disputa presidencial, um presidente eleito não contará com a maioria própria no Congresso. De acordo com o levantamento, uma coalizão formada no segundo turno poderá reunir cerca de 75 dos 130 deputados e 43 dos 60 senadores, mas a fragmentação partidária exigirá a manutenção de alianças para garantir a aprovação de projetos estratégicos considerados.

Na Argentina, embora o presidente Javier Milei tenha sido eleito defendendo uma agenda liberal e de redução do Estado, seu partido iniciou o mandato com representação reduzida no Congresso. Após as eleições legislativas de 2025, a coalizão governamental ampliou sua presença parlamentar, mas continuou dependendo do apoio de legendas de centro, como a União Cívica Radical (UCR), e do PRO, partido do ex-presidente Mauricio Macri, para aprovar reformas consideradas estratégicas.