Passados dez anos do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, o ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que eles nunca mais conversaram desde então. O emedebista foi vice-petista e assumiu o governo após seu impedimento.
A lamentação foi feita em uma entrevista ao UOLna segunda-feira (6), em que também defendeu a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou os atos de 8 de janeiro de 2023 como uma tentativa de golpe e que o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, é uma “figura muito doce” a quem já prestou serviços advocatícios.
“Se você verificar o meu discurso de posse na interinidade, eu disse: ‘Eu quero pedir um aplauso, eu respeito muito, institucionalmente, a senhora ex-presidente’. Ela nunca mais falou comigo”, declarou.
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O ex-presidente reiterou que nunca apoiou nem se comprometeu nas políticas articulares que resultaram no impeachment. Apesar disso, tornou-se alvo de críticas de apoiadores do PT por terem reforçado o comando do Palácio do Planalto após a destituição de Dilma.
O impeachment foi concluído pelo Senado Federal em 31 de agosto de 2016, depois que o presidente foi acusado de crimes de responsabilidade relacionados às chamadas “pedaladas fiscais” e à edição de decretos de crédito suplementares sem autorização do Congresso Nacional. Dilma e seus aliados classificaram o impedimento como um “golpe de Estado”, alegando que não houve crime de responsabilidade.
Temer também lembrou que, ao assumir a presidência em maio de 2016, defendeu a necessidade de unir o país e recuperar a confiança nacional e internacional. Na ocasião, ele também sustentou a realização de reformas e manifestou apoio à Operação Lava-Jato, afirmando que uma investigação deveria ser protegida contra qualquer tentativa de enfraquecimento.
Em outro momento, o emedebista afirmou que houve uma tentativa de golpe de Estado durante os protestos que levaram à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília. Para ele, houve uma clara intenção de romper a ordem democrática.
Durante a entrevista, Temer também fez elogios ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, as decisões tomadas pela Corte, especialmente durante o período eleitoral, foram desenvolvidas para “fortalecer a democracia”.
Relação com Vorcaro
Ao comentar a situação de seu ex-cliente, Daniel Vorcaro, Temer afirmou-lo pessoalmente e separou a impressão pessoal das investigações envolvendo o banqueiro.
“Conhecido pessoalmente. Ele é uma figura muito doce. Agora, evidentemente, uma coisa é ser figura suave e outra coisa são as atitudes. Você tem que fazer essa distinção. Eu acho que ele exagerou, evidentemente. Tanto exagerou que está acontecendo o que acontece”, afirmou.
O ex-presidente também explicou sua atuação profissional junto ao Banco Master durante as negociações para uma tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Segundo Temer, seu escritório recebeu R$ 10 milhões em honorários pelo trabalho realizado, mas ele deixou o caso após uma negociação sem avanço.
“Eu recebi honorários. Recebi pelo trabalho profissional que realizei. Fui chamado para tentar fazer uma composição. Não tive sucesso nessa atividade, e me afastei do caso”, concluiu o ex-presidente.













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