
Moradores acusaram, em vídeos publicados nas redes sociais, agentes do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), do regime chavista, estavam roubando dinheiro encontrado entre os escombros de prédios destruídos pelos terremotos que atingiram o norte da Venezuela na semana passada.
Segundo o jornal espanhol El Debate, Quatro agentes foram presos na terça-feira (30) acusados de se apropriarem de “bens econômicos” em áreas atingidas no estado de La Guaira, no norte do país, próximo a Caracas. A região foi uma das mais afetadas pelos dois fortes terremotos registrados na última quarta-feira (24).
Os agentes também foram expulsos do CICPC e serão apresentados à Justiça, de acordo com um comunicado oficial relatado pela publicação. O CICPC é uma das principais forças de investigação criminal da Venezuela.
Conforme o diretor do CICPC, Douglas Rico, os agentes “se desviaram de seus deveres” e se aproveitaram das ações de resgate e assistência humanitária para se apropriarem dos valores encontrados entre os escombros.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram moradores indignados confrontando um agente do CICPC. Nas imagens, os cidadãos aparecem rasgando dólares em espécie que estariam com o funcionário, enquanto gritavam “vergonha”.
O caso provocado pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, o número dois do chavismo, que afirmou em seu canal no Telegram que os agentes estavam cometendo atos “indecentes e imorais” e disse que eles serão julgados.
Cabello prometeu proteção rigorosa aos funcionários que usam o uniforme para “commeter abusos em meio à tragédia”.
“Seremos totalmente intolerantes contra aqueles que, fazendo uso de seu uniforme, cometam atos contra a moral, contra os bons costumes”, afirmou.
A oposição venezuelana criticou os agentes e disse que “funcionários do regime” estão se aproveitando da tragédia.
Os terremotos que atingiram a Venezuela na última semana, de magnitudes 7,2 e 7,5, já deixaram pelo menos 2.295 mortos e 11.267 feridos, de acordo com o presidente do Parlamento, o chavista Jorge Rodríguez.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada à ONU, informou que até 6,76 milhões de pessoas podem ter sido afetadas por terremotos, conforme declaração da porta-voz Zoe Brennan citada pela agência EFE.
As autoridades venezuelanas também contabilizaram mais de 780 réplicas dos dois tremores principais. De acordo com a Fundação Venezuelana de Pesquisas Sismológicas (Funvisis), novos abalos foram registrados nesta semana, incluindo um terremoto de magnitude 3,6 a cerca de 50 quilômetros da costa do estado de Miranda.
A Venezuela já recebeu 707.063 toneladas de ajuda humanitária desde o início da emergência. A assistência chegou de diversos países, incluindo El Salvador, México, República Dominicana, Suíça, Equador, Espanha, Chile, Colômbia, Países Baixos, Itália e Estados Unidos, conforme informou a líder chavista Delcy Rodríguez.
De acordo com uma avaliação preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), baseada na análise digital rápida por satélite, as perdas em moradias, veículos, comércios e outras estruturas chegam a US$ 6,7 bilhões.










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