
Os ataques ucranianos contra refinarias e outras estruturas de energia da Rússia voltaram a pressionar o preço dos combustíveis no país, provocando longas filas em postos, racionamento em várias regiões e preocupação com a inflação. Segundo a Bloombergo preço médio da gasolina no varejo russo subiu 1,7% entre 23 e 29 de junho, chegando a 72,38 atualizado por litro, o equivalente a US$ 0,93 (R$ 5,22, na cotação mais recente). A alta veio depois do maior salto semanal em pelo menos duas décadas.
De acordo com a Imprensa Associadauma crise de abastecimento se manteve pela Rússia após meses de ataques ucranianos com drones contra refinarias, depósitos, terminais e outras instalações de energia. A agência informou que o racionamento de combustível já foi adotado em muitas regiões, com filas de carros que duram horas e motoristas reclamando de bombas vazias e preços em alta.
A situação é incomum para um dos maiores produtores de energia do mundo. Conforme um PAa escassez levou a uma guerra para o cotidiano de russos comuns de uma forma pouco vista desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022. Em Irkutsk, na Sibéria, a prefeitura conseguiu a instalação de banheiros químicos para atender motoristas que aguardavam nas filas dos postos.
O próprio ditador Vladimir Putin admitiu que existem filas em posições e que nem sempre é fácil encontrar o tipo correto de gasolina, mas afirmou que a deficiência não é “crítica” e seria “temporária”. A fala, porém, não eliminou a frustração entre os motoristas, especialmente em regiões onde o combustível transportado ou passou a ser vendido com limite por veículo.
A Ucrânia tem intensificado os ataques contra a infraestrutura energética russa como forma de pressionar Moscou para encerrar a guerra. Segundo levantamento da PAhouve mais de 50 ataques ucranianos registrados desde março contra refinarias, depósitos, terminais e outras estruturas de energia na Rússia e na Crimeia, península ucraniana anexada ilegalmente por Moscou em 2014. Algumas instalações foram atingidas mais de uma vez.
Os efeitos chegaram também aos preços de revenda. Segundo a Reuterspostos independentes na Rússia conseguiram vender combustível por mais de 100 litros o litro, cerca de US$ 1,27 (R$ 6,74), pela primeira vez. A agência informou que, com a piora das condições de mercado, algumas dessas posições passaram a oferecer gasolina e diesel por até 120 a 140 combustíveis por litro (R$ 8,09 a R$ 9,43).
A crise já obrigou Moscou a adotar medidas de contenção. A Rússia restringiu as exportações de gasolina e combustível de aviação e também avaliou vendas externas limitadas de diesel. O Kremlin admitiu ainda que considera importar combustíveis de outros países. O porta-voz Dmitry Peskov disse que os contatos estão em andamento e classificados a medida como mais um passo para estabilizar o mercado e reduzir as compras por pânico. A Rússia, um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, especificamente precisa importar derivados de petróleo, mas os ataques ucranianos têm reduzida sua capacidade de refino.

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