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Perícias aponta necessidade de novas operações no Caso Master

Redação Por Redação
21 de junho de 2026
Em Notícias
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Perícias aponta necessidade de novas operações no Caso Master
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


A Polícia Federal ainda não concluiu a perícia em ao menos três telefones celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e cerca de 60 aparelhos eletrônicos apreendidos na operação Compliance Zero. A reportagem apurou que apenas a análise de documentos e aparelhos eletrônicos apreendeu em novas fases da operação ainda deve levar meses e pode se estender até 2027 se para interromper o ritmo atual de perícia.

A cada desdobramento da operação há um volume crescente de apreensões e perícias que transformaram o caso em uma das mais complexas apurações financeiras da história do país. Somente de Vorcaro, em três apreensões distintas, foram localizados oito celulares.

Ao menos cinco passaram total ou parcialmente por perícia. Mas é no primeiro aparelho, recolhido em 17 de novembro, quando o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez, que a Polícia Federal acordou a maior parte dos documentos, contactos, conversas e registos em meios de comunicação capazes de confirmar supostas ilegalidades.

Além dos dispositivos eletrônicos, o pesquisador analisa milhares de documentos físicos. O material é submetido a cruzamentos com informações dos aparelhos de Vorcaro e de outros investigados. Ao todo, pelo menos 100 dispositivos eletrônicos, a maioria celulares, foram interceptados com cerca de duas ofertas de alvos. Todos passam por perícias e procedimentos de esclarecimento de dados.

Fontes a par das apurações afirmam que o caso se encontra em uma etapa de investigação complexa com novas fases da operação no radar. Tanto a análise quanto a investigação deve se arrastar por meses, com potencial para avançar sobre o período eleitoral e se estender até 2027. Isso ocorre diante do volume de recursos, pessoas envolvidas e da complexidade da engenharia financeira e institucional.

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O celular que mais passou informações

A primeira fase do Compliance Zero foi em 18 de novembro. Na noite anterior, Vorcaro foi detido quando se preparava para deixar o país. Esse detalhe ajuda, segundo o pesquisador, a explicar por que o material apreendido nas primeiras horas se tornaria central e bombástico: os investigados talvez não tiveram tempo de apagar conversas ou destruir provas.

Vale destacar que, para fazer uma perícia nos celulares de Vorcaro, a PF teve que recorrer a softwares forenses de ponta depois que o ex-banqueiro se encontrou a fornecer as senhas. A quebra técnica permitiu reconstruir conversas, agendas, históricos de localização e arquivos de mídia que sustentam suspeitas de fraude bilionária, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.

Esse primeiro aparelho ainda não teve sua análise finalizada. Para se tratar do equipamento de uso pessoal, o celular concentra arquivos com criptografia mais complexa e mensagens excluídas. A PF já conseguiu ter acesso a todos os arquivos, mas não concluiu totalmente a análise deles, segundo apurou a reportagem.

Devido às perícias e cruzamentos de dados, principalmente do que veio desse celular, a PF descobriu que Vorcaro teria construído uma ampla rede de relações com membros dos Poderes Executivo, Legislativo e do alto escalonamento do Judiciário, além do envolvimento de seu próprio núcleo familiar, o que daria ao esquema “contornos de máfia”, segundo o relator do caso no STF, ministro André Mendonça.

O trabalho metódico dos peritos criminais resulta em laudos técnicos, financeiros e institucionais que aprofundam as investigações e abrem novas frentes de apuração.

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Perícias já foram excluídas de duas propostas de delação

Com base em tudo o que foi compreendido, analisado e periciado, a PGR e a PF rejeitaram duas propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro. A justificativa das instituições é que o ex-banqueiro não apresentou fatos novos, além dos já coletados em diferentes fases do Compliance Zero.

Para os peritos, nossos documentos financeiros são o maior volume bruto de trabalho pela frente. Dos milhares de documentos impressos, existem contratos, planilhas, anotações manuscritas e relatórios internos que ainda aguardam digitalização e análise.

Parte desse material passa por reconhecimento óptico de caracteres para se tornar pesquisável por palavras-chave, mas a maior parte ainda depende da leitura humana habilidade, o que torna esse gargalo um pouco mais lento na investigação.

O trabalho não se limita a examinar cada documento isoladamente. São realizadas reuniões entre o material apreendido com Vorcaro e o que foi recolhido com outros investigados, buscando coincidências de dados, valores e nomes que apontem provas articuladas.

Da espionagem à cooptação: o que já apareceu nos laudos

A retirada e análise de dados revelaram um ecossistema que iria muito além de irregularidades bancárias e possíveis fraudes envolvidas na venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).

Mensagens e áudios recuperados apontam para a existência de grupos chamados internamente de “A Turma” e “Os Meninos”, formados por policiais e ex-agentes de segurança, hackers e operadores de confiança do banqueiro, que monitoravam desafetos e promoviam intimidações. A defesa de Vorcaro sempre negou tais fatos.

O material, no entanto, indica que esse núcleo paralelo teve acesso indevido a sistemas sigilosos e que policiais da ativa e aposentados, além de servidores do Banco Central e do BRB, receberam pagamentos e benefícios por informações privilegiadas sobre o andamento de investigações, fiscalizações e as negociações de venda do Master.

Foi justamente o cruzamento desse tipo de mensagem que subsidiou o afastamento de servidores suspeitos de vazar conteúdo de apurações sigilosas aos investigados.

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Contrato milionário e o nome de autoridades

Entre os documentos apreendidos em endereços ligados a Vorcaro, a PF localizou uma minuta, não assinada, de um contrato de R$ 50 milhões. A perícia sobre esse documento chamou atenção: o valor coincidia com o saldo que faltava para liquidar um contrato anterior de R$ 129 milhões firmado entre o mestre e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.

O achado, ainda em análise, tornou-se um dos pontos em alerta da investigação justamente por envolver, mesmo que adequadamente, a cúpula do tribunal. O ministro, o escritório de advocacia e a esposa de Moraes não são investigados. A banca advocatícia negou a prestação de serviços e a captação de valores referentes ao contrato de R$ 50 milhões. O ministro não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Esse episódio se somam outros registros em pastas de anotações e capturas de tela de visualização exclusivas nos celulares de Vorcaro, que fariam referência a conversas com o ministro. Moraes nega os diálogos.

Os investigadores optaram por tratar esse bloco de provas com cautela redobrada, submetendo os arquivos à perícia de integridade para confirmar metadados e marcações de horário, cegando o material contra contestações sobre eventual manipulação digital. Ao longo das apurações, as perícias também revelaram o nome de autoridades que dariam sustentação política ao esquema.

Mas não foram apenas políticos e policiais que apareceram nas investigações. Parte do material recolhido mostra que os operadores do mercado financeiro conseguiram o conhecimento da fragilidade da Master antes da liquidação extrajudicial.

Os investigadores analisam esse material para identificar gestores e operadores que foram antecipados à crise, vendendo papéis ligados ao banco antes que o problema se torne público. Trata-se de uma linha de purificação que, se confirmada, alcançaria também o mercado de capitais.

Trabalho de peritos e pesquisador foi aplicado

O avanço técnico do material não avança um caminho linear. No início de 2026, a condução da perícia se tornou também uma disputa institucional. O ministro Dias Toffoli, então relator do caso no STF, chegou a reter celulares e documentos apreendidos e restringe a análise a apenas quatro peritos escolhidos, decisão que travou o ritmo das investigações por semanas.

O quadro mudou quando o processo passou pelas mãos de André Mendonça, que restabeleceu o fluxo de trabalho da PF com distribuição de material entre peritos federais, destravando o que hoje é tratado como uma das fases mais produtivas da apuração.

A própria perícia gerou um efeito colateral. Em maio de 2026, um perito criminal da PF foi investigado e afastado sob a suspeita de vazar dados sigilosos extraídos dos celulares nas primeiras fases da operação. O episódio não ficou isolado: outros agentes também foram alvos de avaliações, sob suspeita de integrarem uma rede paralela de monitoramento e vigilância cibernética ligada aos próprios investigados.

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