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Rejeição de nova delação coloca Vorcaro em situação crítica

Redação Por Redação
12 de junho de 2026
Em Notícias
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Rejeição de nova delação coloca Vorcaro em situação crítica
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


A situação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ficou crítica após a Polícia Federal rejeitar nesta semana sua segunda proposta de delação premiada. A Procuradoria-Geral da República também não disponibilizou homologar os novos termos oferecidos pela defesa, mas ainda não se manifestou. Vorcaro deve perder o benefício de prisão em cela especial e pode não obter perdão ou redução de pena no julgamento do caso Mestre.

Segundo fontes ligadas às apurações, a segunda versão da delação não trouxe novos dados e informações consideradas relevantes ou inéditas para precauções, benefícios previstos em colaboração.

Os investigadores veem a possibilidade de ele retornar para uma cela comum da Polícia Federal. Também não se descartará sua transferência para a Papudinha ou mesmo para o Presídio Federal de Segurança Máxima, em Brasília, o que poderá ocorrer nos próximos dias.

Na avaliação do doutor em Direito e comentarista político Luiz Augusto Módolo, Vorcaro pode ter perdido o momento mais lucrativo para negociar. As sucessivas tentativas de apresentar acordos considerados insuficientes acabaram desgastando a relação com os pesquisadores e reduziram o potencial de benefícios.

“Ele perdeu a corrida para delatar”, avalia. Possíveis delações do ex-presidente do Banco Regional de Brasília Paulo Henrique Costa, e do empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, estão em negociação.

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A existência de provas é duvidosa e Vorcaro tem dificuldade para assumir culpa

Embora Vorcaro tenha ampliado detalhes sobre fatos investigados e mencionado supostas relações envolvendo autoridades e agentes políticos, os investigadores e delegados entenderam que os relatos não agregam elementos capazes de abrir novas frentes de investigação nem apresentam provas robustas para sustentar as alegações.

A PF analisa uma grande quantidade de documentos físicos e digitais apreendidos em oito fases diferentes da Operação Compliance Zero.

O advogado constitucionalista e comentarista André Marsiglia lembra que a primeira proposta já havia sido rejeitada sob o entendimento de que a colaboração era seletiva e deixou de fora fatos e personagens relevantes para o avanço das apurações.

Para o advogado, o empresário também pode estar realizando negociações como forma de ganhar tempo diante da pressão crescente do processo.

Já a avaliação predominante entre membros da PF é que o empresário não demonstrou disposição para revelar integralmente irregularidades das quais teriam participado ou notificação de crimes praticados por ele e por terceiros.

Em conversas com o pesquisador, Vorcaro teria certeza de que não teria praticado atos ilegais. Somado a isso, ainda tinham dúvidas sobre a capacidade de comprovação de alguns detalhes descritos por ele nas suas propostas, um requisito indispensável à validação de qualquer delação.

Na PGR, o clima também é de cautela. Integrantes do órgão analisam que uma colaboração exige não apenas informações inéditas, mas documentos e evidências que permitem confirmar os relatos. Sem conjunto probatório, a tendência é que lá o acordo não avance também.

Mesmo que ambos os órgãos se manifestem contrários à delação, a defesa ainda tem o recurso de encaminhar o pedido ao ministro do STF, André Mendonça, relator na Corte. É dele a palavra final se aceita ou não é proposta. “Diante do que vimos e da postura do ministro, exceto ele aceitaria uma delação incompleta, sem detalhes relevantes e que foi rejeitada pela PF e possivelmente pela PGR”, afirma o constitucionalista Marsiglia.

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Vorcaro foi preso duas vezes; segunda prisão já dura três meses

Preso preventivamente pela segunda vez desde março e apontou as investigações como figura central do esquema que levou à derrocada do Banco Master, o ex-banqueiro vê diminuir as possibilidades de obter benefícios processuais.

Para o constitucionalista Alessandro Chiarottino, a segunda incluída agravou sua situação. Embora a legislação permita que novas propostas sejam apresentadas, ele avalia que o tempo joga contra o investigado.

“À medida que outros investigados firmam acordos de colaboração e entregam elementos às autoridades, a importância estratégica da contribuição de Vorcaro tende a diminuir”.

Embora possam ser apresentadas novas propostas, as autoridades avaliam que sucessivas tentativas sem conteúdo relevante tendem a enfraquecer a contrapartida do investigado.

Nos bastidores, procuradores e policiais avaliam que a estratégia de Vorcaro em renegociar termos sem apresentar fatos novos dificilmente alterará sua situação processual no curto prazo e coloca sua posição de vantagem sobre outros investigados em xeque.

Outros presos, como o ex-presidente do Banco Regional de Brasília Paulo Henrique Costa trabalharam para entregar sua proposta de colaboração nos próximos dias. Investigados no núcleo familiar de Vorcaro também estariam interessados ​​em falar. Até o momento nenhum acordo de delação foi firmado no caso Master, mas aumentam as expectativas sobre uma possível delação do empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Vorcaro negou que vantagens para políticos fossem compra de apoio

Por outro lado, fontes ligadas à defesa de Vorcaro foram reclamadas que a PF e a PGR estariam demonstrando resistência às negociações. A defesa de Vorcaro não se pronunciou oficialmente sobre o andamento das tratativas, porém, interlocutores dizem que a segunda versão, que foi rejeitada, era uma versão ampliada e aprofundada em relação à primeira versão, que também não foi aceita.

Essas fontes afirmam que a Vorcaro forneceu dados relevantes sobre as operações da Master e suas políticas de conexões, além de alegarem que existiriam “interesses atuais para inviabilizar o acordo”.

A reportagem apurou que, embora Vorcaro relacione repasses financeiros a agentes políticos e autoridades, ele nega que as relações tratem como objetivo a obtenção de decisões ou vantagens indevidas.

O analista Chiarottino compara a situação enfrentada pelo ex-banqueiro ao clássico “dilema do prisioneiro”, conceito da teoria dos jogos que descreve situações em que a cooperação tende a ser a decisão mais racional diante da incerteza sobre a conduta dos demais envolvidos.

“Hoje, Vorcaro está exatamente nessa situação. Do ponto de vista racional, o melhor caminho seria aprofundar a discussão e apresentar uma delação efetivamente substancial”, sustenta.

À medida que novas colaborações são fechadas e as investigações avançam por outros caminhos, a relevância de uma eventual delação do ex-banqueiro tende a diminuir, segundo Método. Nesse contexto, a resistência das autoridades em aceitar as propostas reforçaria a percepção de que o valor estratégico da colaboração já não é o mesmo de meses atrás.

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Demora e superficialidade podem ser estratégias de defesa

Marsiglia critica a condução das negociações pela Polícia Federal. Segundo ele, diante das dificuldades para avançar em um acordo com Vorcaro, as autoridades deveriam concentrar esforços na obtenção de informações com outros investigados, potenciais colaboradores.

O constitucionalista diz acreditar que se uma estratégia de Vorcaro pode se prolongar como tratativas na expectativa de mudanças futuras no cenário institucional e jurídico que possa beneficiar sua situação. “Isso indica mais uma busca por tempo do que uma efetiva disposição para colaborar com as investigações”.

Luiz Augusto Módolo não descartou que a estratégia de Vorcaro possa indicar aposta em futura disputa judicial sobre a validade dos atos processuais demorados na investigação. “Ele deve estar contando com as denúncias de nulidade que costumam ser características pelas defesas em casos de grande repercussão”, afirma.

Outro ponto abordado por Marsiglia é que ele considera um risco de fraquecimento das investigações ao longo do tempo. Discussões futuras sobre supostos excessos processuais, abusos em medidas cautelares ou questionamentos sobre a legalidade dos procedimentos podem ser utilizados pelos defensores para tentar invalidar provas ou comprometer o andamento do caso.

Segundo ele, as autoridades precisam acelerar a produção de provas e consolidar os elementos da investigação, evitando que o caso enfrente obstáculos semelhantes às observações em outras operações de combate à corrupção. “A robustez das evidências reunidas será determinante para a continuidade das apurações e para a responsabilização dos envolvidos”, diz.

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Tags: André MendonçaBanco Mestreclimacolocacombate à corrupçãocorrupçãoCriticaDaniel VorcarodelaçãoNovaPGR - Procuradoria Geral Da Repúblicapolicia federalrejeiçãosituaçãoSTFVorcaro
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