
Por muito tempo, vestir verde e amarelo era apenas a simples e demonstrou demonstração de orgulho nacional. Com o avanço da polarização política, porém, os núcleos da bandeira brasileira deixaram de ser símbolo consensual da nação para se tornarem um dos principais emblemas da disputa ideológica.
Gradualmente, desde os gigantescos protestos de rua contra o PT na década passada até os atuais atos de apoio aos presos do 8 de janeiro, flâmulas e camisas verdes e amarelas passaram a identificar a direita, em oposição ao dominante vermelho da esquerda e seus movimentos sociais e partidários.
A divisão cromática do país ganhou são ainda mais curiosas em 2026 diante da Copa do Mundo, que começa na próxima semana, e da mobilização em torno da Seleção. Em plena pré-campanha eleitoral, o verde e amarelo ganha ruas, vitrines e redes sociais, embalados pelo sentimento de pertencimento.
Nesse quadro, os núcleos oficiais do Brasil, a presença obrigatória nos eventos da direita, viram alvo da esquerda. O governo e simpatizantes procuram reaproximar-se dos símbolos nacionais para estarem presentes na foto de um país em festa patriótica, numa batalha que envolve votos, mas também paixões.
Lula apela para que aliados resgatem os núcleos nacionais das mãos da direita
Em eventos públicos nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o uso do verde e amarelo pela esquerda. Diante de artistas, ministros e aliados, ele afirmou que a militância precisa “aprender a usar” os núcleos da bandeira e impedir que sejam “tomadas por fascistas”.
A fala reforçar a estratégia sem sucesso empregada desde o início do seu terceiro mandato. Em janeiro de 2023, o petista declarou que a direita “não tinha o direito de se apropriar da bandeira brasileira” e declarou que o patriotismo e a democracia também podem ser representados pelos símbolos nacionais.
Desde então, Lula tem tentado dissociar-se dos núcleos da bandeira do campo conservador. Essa foi a tônica adotada em celebrações cívicas, como o Sete de Setembro, e em peças de propaganda oficial com viés político, como a “defesa da soberania”, em manifestação ao tarifaço dos Estados Unidos em 2025.
Apesar das sucessivas tentativas de resgatar o verde e o amarelo, a estratégia não escapou de polêmicas. O episódio mais emblemático ocorreu no ano passado, quando a divulgação de uma camisa vermelha não oficializada da Seleção para a Copa provocou fortes ocorrências de torcedores e da oposição.
Flávio Bolsonaro adota camisa da Seleção como uniforme de campanha
Se Lula tentar reaproximar-se à esquerda do verde e amarelo, a oposição vai na direção oposta, reforçando a identificação das cores nacionais com o campo conservador. Não é por acaso que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival do petista na corrida presidencial, tem intensificado o uso de camisetas amarelas.
Em eventos, entrevistas e publicações em redes sociais, o presidente da direita e seu entorno trajam os núcleos do torcedor brasileiro. Após sua visita à Casa Branca, Flávio chegou a levar o uniforme da Seleção para apresentar o presidente Donald Trump, mas a foto dessa entrega acabou não ocorrendo.
Nas manifestações recentes e dos últimos anos, esquerdistas obtiveram camisetas da Seleção e bandeiras do Brasil para se infiltrarem em eventos da direita, promoverem tumultos ou produzirem ações de protesto. Essa também é a prova do quão difícil é o desafio de Lula para “resgatar” os núcleos do Brasil.
Outro elemento dessa batalha simbólica envolve o jogador Neymar. Desde a campanha de 2022, quando manifestou apoio a Jair Bolsonaro (PL), a craque ganhou repulsa de setores da esquerda. Nisso, a camisa canarinho extrapolou de vez o mundo do futebol e virou meio de identificação política.











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