A segunda operação da Polícia Federal em menos de duas semanas contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), reforçou um padrão que o pesquisador aponta ter sido identificado dentro do Palácio Guanabara quando ele ainda estava à frente do Poder Executivo. Segundo as investigações, os empresários e operadores do mercado financeiro se aproximaram do núcleo político do governo e, depois de viagens e reuniões, decisões administrativas foram tomadas para favorecer interesses privados.
As investigações envolvendo o conglomerado de combustíveis Refit, na semana passada, e os esportes bilionários da Rioprevidência no Banco Master revelados nesta terça-feira (26) na oitava fase da Operação Compliance Zero mostram, segundo o pesquisador, um mesmo “modus operandi”. O roteiro incluiu encontros reservados, coordenação política dentro do governo e movimentações em órgãos estaduais para atender demandas específicas de grupos empresariais.
Na Operação Sem Refino, em que Castro foi alvo de mandatos de busca e apreensão, a Polícia Federal sustenta que ele teria atuado para beneficiários interesses do empresário Ricardo Magro e do grupo Refit. A empresa é apontada pela Receita Federal como maior devedora tributária do país, na ordem de R$ 52 bilhões e tendo a sonegação de impostos como estratégia de negócios.
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Segundo a investigação, Castro utilizou uma estrutura de governo, incluindo a própria Secretaria de Estado da Fazenda, para destravar medidas consideradas estratégicas para o conglomerado empresarial. A Polícia Federal afirma que as decisões do governo passaram a atender interesses ligados ao setor de combustíveis após aproximações entre empresários e membros da gestão estadual.
“Sob a batuta de Cláudio Castro e mediante suas diretrizes, o estado do Rio de Janeiro direcionou todos os esforços de sua máquina pública, em um verdadeiro regimento multiorgânico em prol do conglomerado capitaneado por Ricardo Magro”, escreveu a autoridade no relatório enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada.
A investigação aponta que o ex-governador e Magro chegou a ter reuniões para tratar da estratégia e, até mesmo, sugerir legislações desenvolvidas a ele. E, ainda, que a Secretaria de Estado da Fazenda teria se tornado uma “extensão da estrutura empresarial” da própria Refit, concedendo benefícios e decisões a favor do empresário e contra concorrentes de mercado.
Já na nova fase da Operação Compliance Zero, a investigação reforça essa dinâmica de Castro no caso da Rioprevidência. A suspeita é que, após articulações políticas e reuniões com o banqueiro Daniel Vorcaro e operadores ligados ao Banco Master, pelo menos R$ 3,6 bilhões da previdência estadual foram aplicados para papéis de instituição privada.
As apurações indicam que o processo começou com mudanças estratégicas na cúpula do Rioprevidência. Depois das trocas internacionais, o Banco Master teria sido credenciado rapidamente e passou a receber transportes mesmo diante de alertas técnicos e questionamentos de órgãos de controle.
“Castro, na condição de então governador do estado do Rio de Janeiro, mantinha vínculo próximo com Daniel Vorcaro e exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos transportes do Rioprevidência no Banco Master”, escreveu Mendonça na decisão.
As investigações também apontam para a atuação de intermediários responsáveis por aproximar empresários do núcleo político do governo estadual, entre eles o delator da Operação Lava Jato, Ricardo Siqueira Rodrigues, em troca de uma comissão de 0,6% sobre os recursos aplicados pela Rioprevidência no Banco Master — o equivalente a R$ 22 milhões.
A Polícia Federal investiga possíveis crimes de corrupção passiva, gestão fraudulenta, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional. Até o momento, Cláudio Castro nega irregularidades e afirma, por meio da defesa, que não participou de decisões técnicas do Rioprevidência.












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