O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta terça-feira (26) à Procuradoria-Geral da República (PGR) um posicionamento sobre o pedido feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fossem incluídos na investigação sobre a suposta coação que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria feito contra ministros da Corte.
Lindbergh quer que as suspeitas de desvio de dinheiro repassado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, para a produção de um filme sobre a trajetória política de Bolsonaro sejam incluídas no processo. Ele pede uma apuração se os valores serviram “total ou parcialmente” para o que chama de uma “campanha internacional” conduzida por Eduardo contra o Brasil por causa do julgamento do pai pela suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“Apuração específica da possibilidade de que valores formalmente destinados ao filme tenham sido desviados, total ou parcialmente, para financiar uma campanha internacional de avaliações, restrições de vistos, tarifas e coação contra autoridades brasileiras”, escreveu o ministro no pedido à PGR.
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Alexandre de Moraes também cita a avaliação de um pedido de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros, contratuais, societários, fiscais, migratórios e até mesmo de lobby relacionado ao filme. O magistrado cita, ainda, a purificação de eventuais pagamentos a consultores, empresas, escritórios ou intermediários no exterior.
“A purificação de eventual lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, propaganda eleitoral dissimulada, caixa paralela, organização criminosa, coação no curso do processo e atentado à soberania nacional”, completa Moraes no pedido.
Isso, porque, Lindbergh Farias afirmou no pedido ter feito promessas de que o filme seria, na prática, uma peça de propaganda eleitoral com lançamento previsto para o período mais sensível da campanha, em meados de setembro, “com Jair Bolsonaro como personagem messiânico”, escreveu.
Há quase duas semanas, o site O Intercept Brasil revelou mensagens de áudio de Flávio Bolsonaro cobrando Daniel Vorcaro pelo suposto investimento de R$ 134 milhões na produção, sendo que R$ 61 milhões foram efetivamente pagos. Os diálogos ocorreram em setembro de 2025, dois meses antes da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que levou o banqueiro à prisão.
Dias depois, Flávio Bolsonaro admitiu que também visitou Vorcaro já fora da prisão com o uso de uma tornozeleira eletrônica em sua residência em São Paulo para, segundo detalhes, encerrar o contrato.
Em uma nota à imprensa, o senador afirmou ter conhecido Vorcaro no final do ano de 2024, quando ainda não existia uma investigação formal contra o banqueiro, e que o possuía em caráter privado para investir na produção do filme. Nesta segunda-feira (25), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ressaltou a justificativa de Flávio Bolsonaro para o pedido de dinheiro e que o partido siga confiante em sua candidatura.












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