As conversas vazadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, sobre o financiamento de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não foram suficientes para salvar sua base de apoio. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22) mostra que 88% dos parlamentares defendem que ele continue na disputa presidencial de 2026.
Na semana passada, áudios vazados para o site Interceptar Brasil revelaram um pedido de dinheiro de Flávio para Vorcaro para concluir o filme sobre Bolsonaro, num montante de R$ 134 milhões. Destes, o banqueiro teria efetivamente pago R$ 61 milhões. O senador justificou afirmando que o investimento estava previsto em um contrato.
Segundo o Datafolha, 72% dos eleitores de Flávio Bolsonaro afirmaram ter obtido conhecimento das conversas, índice superior aos 64% registrados entre o eleitorado em geral. Mesmo assim, 73% dos apoiadores dizem continuar confiando no senador após a revelação dos áudios.
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A pesquisa Datafolha desta sexta-feira (22) também aponta que 53% dos candidatos de Flávio Bolsonaro consideram correta a decisão de pedir dinheiro ao dono do Banco Master para a produção do filme. Já entre a população em geral, a percepção é mais negativa: 64% avaliam que o senador “agiu mal” no episódio.
Por outro lado, o levantamento sinalizando um impacto eleitoral na pré-campanha do senador. Flávio caiu de 35% para 31% nas intenções de voto de primeiro turno e recuperou de 45% para 43% em uma eventual disputa de segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que oscilou de 45% para 47%.
Uma pesquisa foi realizada pelo Datafolha nos dias 20 e 21 de maio com 2.004 entrevistados em 139 cidades brasileiras. A margem de erro é de 2 pontos percentuais com 95% do nível de confiança. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07489/2026.
Impacto na pré-campanha
As conversas entre Flávio e Vorcaro também provocaram acontecimentos do PL, conduzindo uma reunião do senador com a cúpula do partido e a troca do comando da comunicação da pré-campanha com a saída do publicitário e ex-policial civil Marcello Lopes, conhecido como Marcellão. No lugar dele, o publicitário Eduardo Fischer passa a chefiar a equipe.
Marcello afirmou que a decisão partiu dele próprio e declarou que pretende focar na própria empresa. Apesar de sua entrada oficial na campanha estar prevista apenas para 1º de junho, ele já veio participando nos bastidores da pré-candidatura nas últimas semanas.
“Marcello Lopes esteve reunido com o pré-candidato Flávio Bolsonaro durante toda a tarde desta quarta-feira (19). No encontro, Lopes comunicou que não poderá mais colaborar na pré-campanha à presidência da República. O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar”, afirmou em nota para explicar a saída da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.












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